Com o objetivo de investir em inovações tecnológicas, capacitação profissional e desenvolvimento de novos produtos de médio e alto valor agregado, indústria de bicicletas do PIM (Polo Industrial de Manaus) destinará R$ 40 milhões no setor nos próximos dois anos. O valor soma aos R$ 200 milhões já aplicados pelas fabricantes nos últimos cincos anos.
Para a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), medida torna a indústria nacional de bicicletas ainda mais competitiva em relação às marcas globais, o que torna os produtos nacionais mais desejados e valorizados pelos brasileiros. O anúncio foi realizado durante a abertura da 10ª edição do Shimano Fest, maior evento de bicicletas da América Latina, realizado semana passada, em São Paulo.
De acordo com a Abraciclo, o polo industrial de Manaus atende mais de 40% do mercado nacional. Com o constante investimento do setor em tecnologias de ponta – com aplicação de materiais nobres e mais leves, como alumínio e fibra de carbono, que garantem conforto, segurança e eficiência aos produtos- o consumidor brasileiro passa a priorizar ainda mais os produtos nacionais.
“Estas melhorias contínuas nos produtos fazem com que naturalmente ocorra uma preferência crescente pelas bicicletas nacionais. Isso pode ser comprovado pelo volume de produção, que avança ano a ano”, destacou o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola.
Um dos pontos de modernidades implantadas pelas empresas do PIM nas linhas de produção destacam-se a montagem de rodas de carbono por robôs, a solda de alumínio, o clear coat, sistema que garante adesivagem mais eficiente, e o tratamento T4, processo que assegura alinhamento perfeito do quadro da bicicleta.
“Esse investimento está distribuído entre as quatros indústrias do setor, e muito focado na área industrial como equipamentos, maquinário, a utilização de processos industriais. Isso reforça nosso compromisso de manter nosso parque industrial mais competitivo e crescente”, ressaltou.
Segundo Gazola, mesmo em período de instabilidade econômica , as indústrias estão bastante rigorosos quanto a forma que vão utilizar seus aportes financeiros para investir na produção, principalmente no que diz respeito a digitalização das empresa. Além disso, o setor está empenhado cada vez mais em estimular as vendas dos produtos nacionais tanto nas lojas físicas, quanto no mercado on line.
“Desde a época do início da crise e durante esse período tivemos que apertar o cinto e essa realidade permanece até hoje. Todas as empresas têm uma cultura voltada para uma exigência maior nos nossos investimentos. Acreditamos que o mercado está se recuperando, mas nosso foco é na inovação de produtos cada vez mais competitivos e buscar a transformação digital das empresas. Nossa expectativa é a preparação do estoque para vender devido ao período da sazonalidade. Queremos garantir que os planos da demanda realmente aconteça, porque temos o período do dia das crianças, black friday e natal”, frisou o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola.
O vice-presidente afirmou, que as empresas buscam aprimoramento constante para atender ao consumidor cada vez mais exigente, que busca produtos inovadores e de qualidade mundial. Ele ressaltou, que as fabricantes nacionais contam com equipes próprias de Engenharia e Desenvolvimento, que acompanham e estudam as tendências globais. “Além disso, há parcerias com universidades e instituições de pesquisa e inovação”, revela Gazola.
Análise
Na análise do economista Ailson Rezende, a necessidade de investimentos é uma constante nas empresas, independente dos segmentos que atuam, visto que sua sobrevivência depende da execução de seus projetos e estes estudos envolvem aplicação de recursos.
“Os motivos para investir são os mais diversos, mas no caso do setor de bicicletas devem ser: aumento de produção para captação de demanda insatisfeita no mercado, inovação tecnológica objetivando redução de custos ou ganhos de produtividade, aproveitamento de sinergias e ganhos de escala”, disse.
De acordo com Rezende, os investimentos da indústria de bicicletas estarão atrelados a geração de emprego e renda, arrecadação de impostos e movimentação da economia nos mais diversos setores. Ele explica, que a chegada e o amadurecimento da indústria 4.0 no Brasil, estimulam a necessidade de investimento em novas tecnologias.
“Como a inovação é uma constante na indústria 4.0, as empresa precisam se renovar constantemente, gerando cada vez mais investimentos. Elas devem capacitar seus funcionários e promover aos clientes a experiência de consumo de produtos inteligentes e cada vez mais compactos”, explicou.
Faturamento e produção
Segundo dados da Abraciclo, em 2018, o faturamento das fábricas de bicicletas instaladas no PIM alcançou R$ 655 milhões. Atualmente, o setor gera aproximadamente 1,1 mil empregos diretos e mais de 3,5 mil indiretos. Conforme os números da entidade, a produção saltou mais de 25% nos últimos oito anos, saindo de 617.858, em 2010, para 773.641, em 2018, correspondendo a um acréscimo de mais de 150 mil unidades. Para o presente ano, a projeção da Abraciclo aponta para mais crescimento, acima de 10%, com um volume total a ser produzido de 857.000 bicicletas.






