Os negócios das 63 mil padarias e confeitarias do país foram bons em 2008, apesar do enfrentamento da crise no abastecimento de trigo argentino. As perspectivas para 2009 continuam boas e estáveis. Nem a recente quebra da safra de trigo no país vizinho abala a previsão otimista do setor de panificação, cujo faturamento foi de R$ 44 bilhões no ano passado, montante 12% maior que o registrado em 2007.
O cenário corresponde às opiniões e avaliação do presidente da Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria), Alexandre Pereira da Silva. Segundo Silva, o setor deve crescer entre 3% e 5% acima da inflação, neste ano, em relação a 2008. Sobre geração de empregos, a expectativa é de manter os atuais. “Em 2008, tivemos crescimento no número de empregos, em torno de 30 mil novos postos de trabalho. Hoje, geramos 700 mil empregos diretos e cerca de 1,5 milhão de indiretos. Em 2009, não acreditamos que haverá demissões”, previu.
Na opinião de Silva, os efeitos da crise econômica mundial ainda não chegaram ao bolso dos brasileiros. Estão mais concentrados na cadeia produtiva automobilística, cujos negócios cresceram muito nos últimos anos e estavam criando uma bolha. Essa situação está gerando uma crise emocional preocupante no país, pois pode contaminar todo o mercado. Apesar disso, o Brasil continuará crescendo, afirmou ele, explicando também que se o dólar se mantiver estabilizado em torno de R$ 2,20, ficará de bom tamanho para os negócios da panificação.
Questionado sobre os incentivos para o setor, o presidente afirmou que a falta de crédito para as micro e pequenas empresas já faz parte da realidade brasileira e os empresários de pequeno porte estão acostumados com esse fato. Para ele, continuará se financiando com cheque especial e cartão de crédito. “As taxas de juros e o sistema financeiro brasileiro são o câncer do Brasil”, afirmou Silva. Os lucros dos bancos brasileiros são exorbitantes e o governo não enfrenta a questão. Se as padarias venderem menos pão, o setor não tem como chegar ao governo para pedir socorro, como fazem as grandes empresas, observou o representante do segmento. “A gente vai aos fundos de inovação tecnológica, pede R$ 100 mil e não consegue, mas as grandes empresas conseguem. A questão do fomento de crédito no Brasil ainda está muito no discurso”, criticou. (Agência Sebrae)
Setor de panificação abocanha R$ 44 bilhões no país
Em: 25 de janeiro de 2009
Os negócios das 63 mil padarias e confeitarias do país foram bons em 2008, apesar do enfrentamento da crise no abastecimento de trigo argentino. As perspectivas para 2009 continuam boas e estáveis
Redação
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