Setor de pétróleo precisa de mão de obra

Em: 28 de setembro de 2011
As prospecções de petróleo movimentaram pelo menos US$ 10 bilhões nos últimos dez anos no Amazonas e prometem injetar, no mínimo, mais US$ 8 bilhões durante o mesmo período, segundo projeções de especialistas do setor na região
As prospecções de petróleo movimentaram pelo menos US$ 10 bilhões nos últimos dez anos no Amazonas e prometem injetar, no mínimo, mais US$ 8 bilhões durante o mesmo período, segundo projeções de especialistas do setor na região

As prospecções de petróleo movimentaram pelo menos US$ 10 bilhões nos últimos dez anos no Amazonas e prometem injetar, no mínimo, mais US$ 8 bilhões durante o mesmo período, segundo projeções de especialistas do setor na região. Mas por trás de toda essa movimentação bilionária de recursos, a Petrobras e a HRT (as duas grandes companhias que fazem prospecção petrolífera no Estado) não conseguiram, porém, formar uma mão de obra local especializada que atenda às necessidades do mercado.
E o problema não é só no Amazonas quando o assunto envolve profissionais altamente qualificados para atuar na exploração de petróleo. Apesar de o Brasil possuir hoje uma das maiores empresas mundiais do setor, que é a multinacional Petrobras, expertises (o pessoal que domina o know how de última geração) são importados do Canadá, Estados Unidos, Venezuela e até da Bolívia para atender à crescente demanda de pessoal qualificado no País.
“Nos últimos anos, a procura por esses profissionais cresceu consideravelmente no Brasil. E os mercados, tanto o de prospecção de petróleo como o de gás, não se prepararam para suprir as necessidades das empresas, não só no Amazonas, como também no resto do país”, afirma o geólogo Jorge Garcez, considerado atualmente uma das maiores “autoridades” quando o assunto é a prospecção de petróleo.
Só a HRT (a companhia brasileira independente de prospecção de petróleo), respondeu por pelo menos US$ 2 bilhões dos investimentos destinados para o setor no Amazonas. “E os recursos injetados pela Petrobras são “incalculáveis” se levarmos em consideração a dimensão do montante de dinheiro que ela movimenta diariamente no Brasil e em todo o mundo”, afirma o geólogo Jorge Garcez.
Hoje, a HRT faz prospecções de petróleo principalmente nas regiões dos municípios de Carauari (a 1.441 quilômetros de Manaus, por via fluvial) e Tefé (a 575 quilômetros de Manaus, por via área). E a Petrobras centraliza as suas pesquisas e explorações na bacia do rio Urucu, em Coari (distante 421 quilômetros de barco) e em praticamente toda a região do Alto Rio Solimões.
O mercado de prospecções de petróleo vem crescendo substancialmente nos últimos anos. E a perspectiva é de que o setor experimente um incremento de aproximadamente 80% ainda nesta década, principalmente motivado pela entrada em operação do projeto do pré-sal no Brasil, cujas jazidas localizadas nas camadas mais profundas do subterrâneo que cortam vários estados brasileiros são incalculáveis e prometem movimentar bilhões de dólares, gerando grandes divisas, aumento da arrecadação.

Cursos tecnológicos para suprir demanda amazonense

De olho na expansão das prospecções de petróleo no Amazonas, as universidades, centros universitários e faculdades de Manaus passaram a investir na oferta de cursos tecnológicos (de curta e longa duração) como uma tentativa de atender às necessidades do mercado. Segundo especialistas, a falta de professores com formação na área representa hoje o grande gargalo para a formação de uma mão de obra especializada. E a alternativa foi “apelar” para alguns profissionais da Petrobras e da HRT que dispõem de tempo e possam ministrar aulas no estado.
Mesmo com duas universidades públicas (uma estadual e outra federal), uma universidade privada, mais de uma dezena de faculdades e cerca de cinco centros universitários, a mão de obra formada em Manaus não atende ao perfil do profissional exigido pelas empresas de prospecção. “Os recursos dessa formação são ainda muito incipientes”, afirma o geólogo Jorge Garcez.
Pelo menos 60% do pessoal que trabalha na parte operacional das prospecções no Amazonas são oriundos de outros estados do Brasil e do exterior. Com concepção na tecnologia norte-americana, o centro de pesquisa e formação de especialistas da Petrobras está sediado no Rio de Janeiro. E os professores têm praticamente formação em doutorado e pós-doutorado.

Necessidade das indústrias por mais profissionais

Ultimamente, o interesse por cursos tecnológicos e da área de engenharia vem crescendo consideravelmente no Amazonas (o incremento chegou a algo em torno de 50%). E esse aumento é motivado pelo aumento das necessidades das indústrias por novos profissionais e, em especial agora, com a expansão do setor de prospecções de petróleo na região.
“Observa-se hoje uma inversão do que acontecia na década de 80, por exemplo. Nesses anos, os estudantes se interessavam mais por cursos na área de humanas e saúde, mas agora esse interesse começa a ser focado em todos os ramos da área de engenharia. A indústria aumentou a sua demanda por esse novos profissionais formados em exatas”, afirma Niomar Pimenta, diretor da área educacional da Fucapi, uma das instituições mais conceituadas no Amazonas na formação de mão de obra para suprir as necessidades do mercado local.
O setor de prospecções de petróleo garante uma alta remuneração para os profissionais, além de gratificações e assistência médica e odontológica, extensiva também aos familiares. Um simples soldador especializado em perfuração de petróleo não ganha menos do que R$ 6 mil mensais. Em geral, os salários variam de R$ 4 mil a R$ 100 mil, em média, isso dependendo da qualificação e do cargo exercido.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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