Com o baixo desempenho do comércio e da indústria amazonense, a atividade de serviços permanece sem sinais de estabilização e recuperação. O setor registrou, no mês de junho redução de 15,1% em relação com o mesmo período de 2015. Na comparação com maio, o volume do setor de serviços recuou 3,6%. O resultado indica que o Amazonas teve a maior queda de desempenho do país na comparação com o mês anterior e igual mês de 2015.
Os dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Serviços elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontaram ainda um índice negativo no primeiro trimestre de 15,2% na taxa acumulativa do setor de serviços. Em relação ao acumulado dos últimos 12 meses, a redução foi de 13,7%. Segundo especialistas, os índices negativos registrados pela atividade de serviços local são resultados do desiquilíbrio econômico e político do país.
De acordo com o Disseminador de informação do IBGE/AM, Adjalma Nogueira Jaques, o setor de serviços perde fôlego devido dar apoio a outras atividades econômicas, que não conseguem evoluir em meio à crise brasileira. “Com o desaquecimento da economia generalizada impactando atividades da indústria e comércio, consequentemente refletem na dura queda de demanda de serviços. Até aqueles serviços pessoais como de manicure e lavador de ar-condicionador estão em baixa porque o consumidor está segurando os gastos pelo momento econômico”, afirma. Segundo ele, somente após a recuperação no desempenho do comércio e da indústria local, a atividade de serviços dará sinais de estabilização.
Conforme os números divulgados pela pesquisa, o Amazonas registrou recuo de 15,1% quando se compara ao mesmo período do ano passado, e em junho caiu 3,6% em relação a maio. O resultado foi o mais expressivo entre os números contabilizados nos outros Estados brasileiros. No acumulado do ano, os serviços registraram perdas de 15,2%. No primeiro trimestre de 2016, o acumulativo do foi de -15,2%. Já nos últimos 12 meses, o acúmulo passou para -13,7%.
A pesquisa também mostra que no quinto mês do ano, a receita nominal dos serviços atingiu queda de 15,3% na comparação com junho de 2015. O índice registrado para o acumulado no ano foi de -12,5%. Nos últimos dozes o acumulado atingiu -10,7% em junho. Este é o 15° indicador consecutivo negativo para a receita nominal. Na comparação com o mês de maio, o recuo registrado foi de 4,6%.
Na avaliação do economista, Francisco Mourão Júnior, os índices negativos registrados pela atividade de serviços amazonense são resultados do desiquilíbrio econômico e político. Ele explica que, o cenário instável com juros e inflação em alta atingem duramente os consumidores. “Devido estarmos nesse impasse político e o ambiente da inflação em alta de 8,14% completada por juros de 14,25%, refletem no poder de compra da população e consumo no setor de serviços”, disse. Mourão Júnior comenta que com a queda de produção do PIM (Polo Industrial de Manaus) e aumento de demissões do setor, os que ainda são mantidos nas linhas de trabalho não tem fluxo de horas extras. “Infelizmente com esse consumidor sem renda extra e preocupada em manter o emprego vai impactar de forma negativa e retrair a movimentação dos números da economia”, avalia.
De acordo com o economista, os índices devem apresentar recuperação entre final deste ano e início de 2017. “Com a avaliação do real e o dólar em baixa incentivando a exportação aquecem a economia e acredito que o sinal de melhora deva acontecer no final de 2016 a início do próximo ano”, comenta Mourão Júnior. “Após a definição política será tomado medidas para tentar controlar os gastos da máquina do governo e teremos a volta da credibilidade da nossa economia”, sentencia.
Queda de serviços a famílias
Embora a desaceleração da queda ante 2015 no volume de serviços na passagem de maio para junho seja um sinal de melhora, o aumento do desemprego e a queda no poder aquisitivo da população estão prejudicando o segmento de serviços prestados a famílias. A avaliação é de Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A queda de 7,5% nesse segmento, em junho sobre junho de 2015, foi a maior nessa base de comparação desde agosto de 2015, quando o tombo foi de 8,2%. “Os serviços prestados a famílias continuam em queda, pois são sensíveis ao desemprego e (à queda no) poder aquisitivo das famílias”, afirmou Saldanha.
Apesar da queda mais intensa, o segmento dos serviços prestados exclusivamente a famílias pesa apenas 4% no total das atividades medidas pela PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) do IBGE, informou Saldanha. Aí estão incluídos serviços como hotelaria, bares e restaurantes. Os serviços de informação e comunicação (cerca de 35%) e transportes e correio (30%) são os mais relevantes para a PMS.
Embora destinem uma parcela de sua atividade para as famílias, esses segmentos respondem sobretudo à demanda de outras empresas, explicou Saldanha.
A desaceleração da queda ante 2015 no volume de serviços na passagem de maio para junho é sinal de melhora, afirmou Roberto Saldanha. Mais cedo, o órgão informou que o volume de serviços prestados recuou 3,4% em junho na comparação com junho de 2015. Em maio, a queda havia sido de 6,1% e, em abril, de 4,8%, sempre na mesma base de comparação.
“Houve melhora na indústria e isso reflete nos serviços”, disse Saldanha, lembrando que a produção industrial também viu sua queda desacelerar na passagem de maio (-7,8%) para junho (-6,0%), na comparação com iguais meses de 2015.
Saldanha destacou ainda que a queda de 3,4% em junho ante igual mês do ano passado é a menor, nas comparações de um mês contra igual mês do ano anterior, desde agosto de 2015, quando o recuo foi de 3,5%.
O IBGE também divulgou variações trimestrais e semestrais para o volume de serviços prestados. No segundo trimestre ante o primeiro, a queda foi de 1,2%. Já na comparação com o segundo trimestre de 2015, o recuo foi de 4,7%.






