O setor de serviços do Amazonas acelerou em dezembro, mas o impulso não foi suficiente para fugir do saldo negativo em 2018. O Estado, que desde 2014 não registra crescimento na atividade, foi apenas uma das 23 unidades federativas a fechar o ano no vermelho, conforme a pesquisa mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quinta (14).
Em termos de volume, houve aumento de 1,4% na passagem de novembro para dezembro de 2018, o nono melhor resultado em todo o país e acima da média nacional (+0,2%). Em relação a dezembro de 2017, contudo, a atividade encolheu 3,8%, deixando um saldo negativo de 1% no acumulado do ano. Em nível nacional, o setor recuou 0,2% e 0,1%, respectivamente.
Esse foi o quarto ano consecutivo em que os serviços perdem força no Amazonas – e também no Brasil. O ciclo negativo do Estado começou em 2015 (-9,8%), prolongando-se em 2016 (-13,8%), 2017 (-1,6%) e 2018 (-1%), embora com quedas gradualmente menos acentuadas. O último crescimento ocorrido em nível estadual foi em 2014 (+3,2%).
Vale notar que o baixo desempenho do Amazonas acompanhou a tendência nacional. Apenas quatro Estados registraram crescimento anual, segundo a pesquisa mensal do IBGE. São Paulo liderou o ranking, seguido por Santa Catarina (+1,7%) e Distrito Federal (+1,3%).
Os números foram melhores para a receita nominal do setor – que não leva em conta a inflação do período. O Amazonas avançou 2,6% entre novembro e dezembro, alcançando o sétimo melhor desempenho no ranking, e patamar acima da variação nacional (+0,8%).
Mas, a comparação com dezembro de 2017 apresentou retração de 1,9% para o Estado, em contraste com o restante do Brasil, que avançou 3,1%. No acumulado, houve alta de 1,5%, abaixo da média brasileira (+2,7%), no segundo ano consecutivo de crescimento da variável.
“Estamos passando por uma metamorfose positiva, em que alguns setores já apresentam crescimento consolidado, outros não. O Amazonas foi um dos últimos Estados a entrar na crise pós 2014, quando o Sul do país já patinava. Certamente, seremos um dos últimos a sair dela”, declarou o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.
Fora da curva
Não há detalhamento das divisões de serviços que alcançaram altas e baixas no Amazonas, mas as fontes ouvidas pelo Jornal do Commercio apontam que o Estado foi um ponto fora da curva, em alguns casos. No Brasil, a retração anual veio principalmente dos serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,9%), puxados pelas atividades de cobranças e informações cadastrais, de soluções de pagamentos eletrônicos, de serviços de engenharia e de vigilância e segurança privada.
“Não houve crescimento, mas uma certa estabilidade em nosso segmento. As empresas de vigilância não crescem a reboque do crime, mas da economia, que ainda passa por uma crise. A clientela cortou custos, substituindo vigilantes por agentes de portaria, o que gerou perdas para nossa atividade. Esperamos que 2019 seja melhor”, lamentou o presidente do Sindesp-AM (Sindicato das Empresas de Vigilância e Segurança do Estado do Amazonas), José Pacheco.
Em contrapartida, três segmentos tiveram alta nacional na sondagem do IBGE: transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (+1,2%), outros serviços (+1,9%) e serviços prestados às famílias (+0,2%). Foram impulsionados, respectiva e principalmente, pelo translado rodoviário de carga, transações de títulos e valores mobiliários, e da atividade hoteleira.
De acordo com o 1º secretário do Setcam (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado do Amazonas), Raimundo Augusto de Araújo Nonato, o Estado também não seguiu a tendência nacional no segmento representado pela entidade. A atividade encolheu entre 6% e 7% na comparação em 2018 e, conforme o dirigente, sofre os efeitos da “desconfiança do consumidor”, da pirataria nos rios amazônicos e do abandono das obras da rodovia BR-319 (Manaus – Porto Velho).
“Ninguém esperava crescimento, mas também não acreditávamos que seria uma queda tão acentuada. Tivemos um rendimento sofrível, mesmo quando comparado a 2017, que também foi muito ruim. Mas, acreditamos que 2019 será melhor e o ano já se mostra atípico. A procura por carretas costuma acontecer só depois do Carnaval, mas começou mais cedo desta vez”, encerrou.







