Setor de serviços registra queda pelo quarto ano seguido no Amazonas

Em: 15 de fevereiro de 2019
Ciclo negativo do Estado começou em 2015 (-9,8%), prolongando-se em 2016 (-13,8%), 2017 (-1,6%) e 2018 (-1%)
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Ciclo negativo do Estado começou em 2015 (-9,8%), prolongando-se em 2016 (-13,8%), 2017 (-1,6%) e 2018 (-1%)

O setor de serviços do Amazonas acelerou em dezembro, mas o impulso não foi suficiente para fugir do saldo negativo em 2018. O Estado, que desde 2014 não registra crescimento na atividade, foi apenas uma das 23 unidades federativas a fechar o ano no vermelho, conforme a pesquisa mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quinta (14).

Em termos de volume, houve aumento de 1,4% na passagem de novembro para dezembro de 2018, o nono melhor resultado em todo o país e acima da média nacional (+0,2%). Em relação a dezembro de 2017, contudo, a atividade encolheu 3,8%, deixando um saldo negativo de 1% no acumulado do ano. Em nível nacional, o setor recuou 0,2% e 0,1%, respectivamente.

Esse foi o quarto ano consecutivo em que os serviços perdem força no Amazonas – e também no Brasil. O ciclo negativo do Estado começou em 2015 (-9,8%), prolongando-se em 2016 (-13,8%), 2017 (-1,6%) e 2018 (-1%), embora com quedas gradualmente menos acentuadas. O último crescimento ocorrido em nível estadual foi em 2014 (+3,2%).

Vale notar que o baixo desempenho do Amazonas acompanhou a tendência nacional. Apenas quatro Estados registraram crescimento anual, segundo a pesquisa mensal do IBGE. São Paulo liderou o ranking, seguido por Santa Catarina (+1,7%) e Distrito Federal (+1,3%).

Os números foram melhores para a receita nominal do setor – que não leva em conta a inflação do período. O Amazonas avançou 2,6% entre novembro e dezembro, alcançando o sétimo melhor desempenho no ranking, e patamar acima da variação nacional (+0,8%).

Mas, a comparação com dezembro de 2017 apresentou retração de 1,9% para o Estado, em contraste com o restante do Brasil, que avançou 3,1%. No acumulado, houve alta de 1,5%, abaixo da média brasileira (+2,7%), no segundo ano consecutivo de crescimento da variável.

“Estamos passando por uma metamorfose positiva, em que alguns setores já apresentam crescimento consolidado, outros não. O Amazonas foi um dos últimos Estados a entrar na crise pós 2014, quando o Sul do país já patinava. Certamente, seremos um dos últimos a sair dela”, declarou o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.

Fora da curva

Não há detalhamento das divisões de serviços que alcançaram altas e baixas no Amazonas, mas as fontes ouvidas pelo Jornal do Commercio apontam que o Estado foi um ponto fora da curva, em alguns casos. No Brasil, a retração anual veio principalmente dos serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,9%), puxados pelas atividades de cobranças e informações cadastrais, de soluções de pagamentos eletrônicos, de serviços de engenharia e de vigilância e segurança privada.

“Não houve crescimento, mas uma certa estabilidade em nosso segmento. As empresas de vigilância não crescem a reboque do crime, mas da economia, que ainda passa por uma crise. A clientela cortou custos, substituindo vigilantes por agentes de portaria, o que gerou perdas para nossa atividade. Esperamos que 2019 seja melhor”, lamentou o presidente do Sindesp-AM (Sindicato das Empresas de Vigilância e Segurança do Estado do Amazonas), José Pacheco.

Em contrapartida, três segmentos tiveram alta nacional na sondagem do IBGE: transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (+1,2%), outros serviços (+1,9%) e serviços prestados às famílias (+0,2%). Foram impulsionados, respectiva e principalmente, pelo translado rodoviário de carga, transações de títulos e valores mobiliários, e da atividade hoteleira.

De acordo com o 1º secretário do Setcam (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado do Amazonas), Raimundo Augusto de Araújo Nonato, o Estado também não seguiu a tendência nacional no segmento representado pela entidade. A atividade encolheu entre 6% e 7% na comparação em 2018 e, conforme o dirigente, sofre os efeitos da “desconfiança do consumidor”, da pirataria nos rios amazônicos e do abandono das obras da rodovia BR-319 (Manaus – Porto Velho).

“Ninguém esperava crescimento, mas também não acreditávamos que seria uma queda tão acentuada. Tivemos um rendimento sofrível, mesmo quando comparado a 2017, que também foi muito ruim. Mas, acreditamos que 2019 será melhor e o ano já se mostra atípico. A procura por carretas costuma acontecer só depois do Carnaval, mas começou mais cedo desta vez”, encerrou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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