Os serviços reduziram o ritmo, mas ainda se mantêm em alta e como os maiores empregadores do Amazonas. Embora fevereiro tenha marcado o quarto aumento consecutivo na variação mensal, o resultado foi apenas 0,2% superior ao registrado em janeiro, que teve cinco dias úteis a mais. O avanço foi de 5,5% no confronto com o mesmo mês do ano passado – período da terceira onda da pandemia. O crescimento do setor, que responde pela maioria dos empregos e empresas, foi puxado principalmente pelas divisões de transportes e de tecnologia de informação. É o que revelam os dados mais recentes da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), apurados pelo IBGE.
Com isso, o desempenho do Amazonas caiu para um patamar abaixo da média nacional, nas variações mensal e anual (+1,1% e +5,4%, respectivamente). Mas, o oposto ocorreu nos acumulados. O incremento no bimestre (+7%) já se aproxima ao percentual alcançado de janeiro a dezembro do ano passado (+8,9%), quando os serviços registraram a melhor performance entre os setores econômicos do Estado. O destaque nesse tipo de comparação veio dos serviços de alojamento e alimentação. Em 12 meses, a expansão foi de 8,4%. No restante do país, as respectivas elevações foram de 5,7% e 7,8%.
A despeito da redução do ritmo do IPCA, o comportamento da receita nominal se manteve descolado do volume de serviços. A variação mensal foi de 0,5%. Já a comparação com fevereiro de 2023 indicou uma nova alta de dois dígitos (+10,3%), ajudando a consolidar os acumulados do ano (+11,2%) e dos 12 meses (+14,8%) no azul. O Estado também ficou atrás das médias nacionais (+2%, +11,8%, +12,2% e +15,2%), nesse quesito.
Ainda assim, os serviços vêm mantendo o saldo do mercado de trabalho do Amazonas no azul, em paralelo com cortes de vagas em outras atividades. Os dados do Novo Caged informam que o setor criou 1.908 vagas com carteira assinada, em fevereiro – para uma oferta estadual de 1.563 ocupações formais. Os destaques vieram de educação (+515); alimentação (+407); e atividades administrativas e serviços complementares (+473). No bimestre, foram abertos 3.286 postos de trabalho, quase três vezes mais do que o total apurado no Estado (+1.211). Segundo o Sebrae, as micro e pequenas empresas (+1.857 e +3.456, na ordem) responderam pela quase totalidade das contratações.
Estados e atividades
Com o aquecimento de 0,2% entre janeiro para fevereiro de 2023, o Amazonas despencou da décima para a 16ª posição do ranking. A lista foi encabeçada por Tocantins (+10,2%), enquanto o Piauí (-3,2%) ficou no rodapé de um rol com seis performances negativas e uma estagnação. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o Estado (+5,5%), desabou da oitava para a 20ª colocação, com Mato Grosso (+13,1%) e Mato Grosso do Sul (-0,3%) nos extremos. O Amazonas (+7%) teve o 12º melhor dado do bimestre, em um rol iniciado pela Paraíba (+11,7%) e encerrado pelo Mato Grosso do Sul (-3,5%).
O IBGE-AM reforça que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos. Segundo o órgão de pesquisa, a progressão mensal de 1,1% para os serviços de todo o país se disseminou em três das cinco atividades investigadas. As exceções vieram dos serviços profissionais, administrativos e complementares (-1%) – especialmente em aluguéis não imobiliários e sérvios de apoio a atividades empresariais – e dos serviços prestados às famílias (-0,7%) – embora o recuo não tenha vindo dos segmentos de alojamento e alimentação.
Em contraste, a maior influência positiva para os serviços em âmbito nacional veio do segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (+2,3%), que foi puxado para cima pelo transporte rodoviário de cargas. Os subsetores de informação e comunicação (+1,6%) e de “outros serviços” (+0,7%) também desempenharam bem. Correndo por fora, o indicador de atividades turísticas caiu 0,7%.
“Circunstâncias econômicas”
Em entrevistas anteriores concedidas à reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, informou que o setor de serviços cresceu quase que de forma ininterrupta desde janeiro do ano passado. Na análise do pesquisador, embora os dados locais disponíveis não possibilitem apontar as oscilações da atividade desagregada por segmentos no Amazonas, há uma sinalização de que a pandemia levou os empresários em questão a trilhar “um caminho próprio”. Em nova entrevista, o pesquisador avalia que esse cenário ainda é favorável.
“Embora os serviços venham reduzindo seu ritmo nos três últimos meses, colocando o Amazonas nas últimas posições no ranking, o leve crescimento de fevereiro não deixa de ser importante para a economia local. E o faturamento das empresas segue superior a 2022. A receita nominal é outro indicador importante e sinaliza que, se não fosse a inflação, o aumento global seria mais elevado. A média móvel trimestral do volume de vendas está em alta, indicando boas perspectivas para março. Mas, não podemos descartar a hipótese de alterações, devido às circunstâncias econômicas de momento”, avaliou.
Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da PMS, Rodrigo Lobo, salientou que tecnologia da informação e transportes continuam ditando o ritmo dos serviços no país. Segundo o pesquisador, o transporte rodoviário de carga é beneficiado pela demanda crescente do comércio eletrônico e do agronegócio, mas também da indústria.
“Os segmentos mais dinâmicos seguem apresentando bom desempenho, enquanto os mais afetados pela pandemia, principalmente as atividades presenciais, já superaram o longo distanciamento que tinham do período anterior à crise sanitária. Em fevereiro, houve uma recuperação de parte da perda verificada em janeiro. A configuração do setor de serviços, portanto, não se altera significativamente nos primeiros dois meses de 2023”, analisou.
“Área essencial”
A presidente do Sindicato dos Salões de Barbeiros, Cabelereiros, Institutos de Beleza e Similares de Manaus, Antonia Moura de Souza, informa que o segmento de beleza é um dos vêm apresentando melhor desempenho entre os serviços do Amazonas, tendo crescido 5% no acumulado do ano. “As dificuldades sempre vão aparecer, por causa da economia. Mas, nossa área é essencial e estamos superando para crescer cada vez mais. Nossas expectativas são muitos boas, porque chegou o mês das mães e das noivas”, comemorou.
O presidente da Fecomercio-AM, Aderson Frota, ressaltou que os serviços foram menos afetados pelo câmbio e aumentos de custos logísticos – embora também estejam sofram com a inflação e dos juros. O dirigente considera que o setor já é o mais importante da economia, a despeito de “problemas pontuais”, como o vivido pelo segmento de transportes durante a seca. E aponta o fator sazonal para explicar o aquecimento do bimestre.
“Os serviços demoraram para retomar, mas já são os mais expressivos, inclusive na contratação de pessoas e na movimentação da economia. O retorno das atividades do Distrito após as férias, por exemplo, impactou nas atividades das empresas que atuam em segurança, conservação, alimentação, etc. Tudo isso agrega. A medida que avançamos no ano, a tendência é de crescimento mais expressivo”, concluiu.







