Setor ensaia reação em setembro

Em: 4 de novembro de 2013
Dados do IBGE apontam crescimento de 0,7%, mostrando a oscilação dos resultados neste ano
Dados do IBGE apontam crescimento de 0,7%, mostrando a oscilação dos resultados neste ano

Apesar de um cenário de juros mais altos, crédito mais restrito e consumo enfraquecido, a indústria esboçou uma reação e voltou a crescer após dois meses de estagnação. Em setembro, a produção do setor avançou 0,7% na comparação com agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE na sexta-feira.
Em agosto, a indústria havia ficado estável, após uma forte queda de 2,4% em julho.
O setor vive um ano de comportamento errático, com altos e baixos da produção muito intensos, dizem analistas.
Dois são os motivos: a grande oscilação do número de dias úteis entre os meses e principalmente as idas e vindas das medidas de estímulo do governo, com a redução do IPI (cujo desconto da alíquota foi prorrogado no início do ano, antes de reduzido ou eliminado) e de desoneração da folha de pagamento.
Muitos setores anteciparam a produção e fizeram estoques na expectativa do fim do incentivo principalmente no segundo trimestre, reduzindo o ritmo de produção principalmente a partir de junho.
Além disso, o aumento dos juros e a perspectiva de um fraco crescimento da economia abalou a confiança de empresários, que pisaram no freio e replanejaram a velocidade de suas linhas de produção diante da expectativa de um consumo mais fraco.
Abaixo das expectativas do mercado, a indústria encerrou o terceiro trimestre com alta de 0,8% na comparação com o mesmo período de 2012, após mostrar uma alta expressiva de 4,4% no segundo trimestre.
Na comparação com os nove primeiro meses de 2012 o setor registra ainda uma pequena melhora e acumula alta de 1,6% em relação ao período de janeiro a setembro de 2012.
Em setembro, a indústria registrou crescimento de 2% em relação ao mesmo mês do ano passado, mantendo a trajetória desse indicador em agosto (-1,2%). No índice acumulado em 12 meses encerrados em setembro, a produção mostrou ligeiro avanço de 1,1%.

Setores

A expansão no ritmo da atividade industrial entre agosto e setembro alcançou duas das quatro categorias de uso e 13 dos 27 ramos pesquisados. Entre os setores, a principal influência positiva foi registrada por veículos automotores (6,2%). Outras contribuições positivas relevantes sobre o total da indústria vieram de outros equipamentos de transporte (8,6%), outros produtos químicos (2,7%), perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (8,4%), farmacêutica (2,5%), produtos de metal (1,4%) e indústrias extrativas (0,8%). Por outro lado, entre as 13 atividades que reduziram a produção, os desempenhos de maior importância para a média global foram verificados em edição, impressão e reprodução de gravações (-12,2%) e refino de petróleo e produção de álcool (-4,5%). Vale citar também as quedas observadas nos setores de vestuário e acessórios (-10,5%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,5%), alimentos (-0,4%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-2,0%) e máquinas e equipamentos (-0,5%).
Entre as categorias de uso, ainda na comparação com o mês imediatamente anterior, bens de capital, ao avançar 4%, assinalou a expansão mais acentuada. O segmento de bens de consumo duráveis (2,3%) também apontou taxa positiva em setembro e aumentou a intensidade de crescimento frente ao resultado de agosto (0,6%). O setor produtor de bens intermediários (0%) repetiu o patamar do mês imediatamente anterior, após avançar 0,6% em agosto último. A produção de bens de consumo semi e não duráveis (-1,4%) foi a única que registrou recuo em setembro de 2013 e assinalou o terceiro mês seguido de queda, acumulando nesse período perda de 3,7%.

Média móvel trimestral recua 0,6%

Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral para o total da indústria mostrou queda de 0,6% no trimestre encerrado em setembro frente ao nível do mês anterior, após também apontar taxas negativas em julho (-0,8%) e agosto (-0,1%). Entre as categorias de uso, ainda em relação ao movimento deste índice na margem, bens de consumo duráveis (-1,8%) assinalaram o recuo mais acentuado, mantendo a sequência de resultados negativos presente desde julho último. O segmento de bens de consumo semi e não duráveis (-1,2%) também apontou taxa negativa nesse mês e interrompeu a trajetória ascendente iniciada em abril último. A produção de bens intermediários (0%) repetiu em setembro o patamar registrado no mês anterior e permaneceu com o comportamento predominantemente negativo presente desde novembro do ano passado.
O setor produtor de bens capital (0,6%) assinalou o único resultado positivo nesse mês, mas em ritmo menor que o verificado em agosto (1,4%). Na comparação com setembro de 2012, produção cresce 2%
Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial cresceu 2% em setembro de 2013, com predomínio de resultados positivos, já que três das quatro categorias de uso e 19 das 27 atividades apontaram expansão na produção.
Entre as atividades, a de máquinas e equipamentos (17,9%) e a de veículos automotores (11,6%) exerceram as maiores influências positivas na formação da média da indústria.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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