O aquecimento do mercado doméstico impulsionado pela nova classe média brasileira, formada em grande parte por microempresários, pode funcionar como uma proteção ao Brasil contra a crise financeira internacional.
Essa é uma das conclusões da pesquisa Microcrédito, Dinâmica Empresarial e a Nova Classe Média: Impactos do CrediAmigo, divulgada pelo economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Néri.
Segundo a pesquisa, 67% dessa nova classe média estão concentrados nas classes sociais A, B e C, de acordo com números disponíveis até outubro deste ano. Em 1992, esse número era de 45%. O setor informal sempre foi um bom colchão contra essas quedas (de crédito), disse o economista Néri.
As conclusões do estudo vêm da análise da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Néri destacou que a mobilidade social, ou seja, a capacidade de passar para uma classe de melhor poder aquisitivo, entre os microempresários, é maior do que entre a população em geral. A concentração do restante da população nas classes A, B e C, por exemplo, é de 56,9%, de acordo com a pesquisa.
E as projeções para até o final de 2008 indicam que 72% dos microempresários estarão nessas mesmas classes, de onde se deduz que a mobilidade social do grupo é maior. De 2007 para 2008, por exemplo, 48% dos microempresários passaram da classe E para classes de maior renda.
Segundo Néri, ao analisar os dados desde 2002, percebe-se que a probabilidade de ascensão é maior no período recente. Antes, só 42% dos microempresários tinham como mudar de classe. Isso reforça a avaliação da pesquisa de que, até agora, os indicadores são de uma economia aquecida. Então, você desaquecer a partir desse momento não é tão dramático, avaliou o economista da Fundação.
A pesquisa da FGV usou também os dados da Pnad referentes a emprego para avaliar a importância do mercado informal na economia. Em 2007, por exemplo, foram gerados no país 1,8 milhão de postos de trabalho com carteira assinada, enquanto se extinguiam 400 mil postos de trabalho informais no mesmo ano.
Ou seja, o setor formal estava aspirando tudo. Só que agora, em época de crise, o setor informal pode ajudar a amenizar os traumas de um desaquecimento. Então, a gente tem de fato alguns amortecedores (contra a crise). E um deles é o mercado informal, quer dizer, o mercado consumidor interno brasileiro, que vem crescendo bastante nos últimos anos, afirmou Néri.
Atualmente, existem no país cerca de 22,1 milhões de micro empresários, englobando desde ambulantes até profissionais liberais, cuja renda média por habitante, alcançou R$ 761 no ano passado. A renda média per capita do total da população foi de R$ 526 em igual período.
O estudo aponta, ainda, que a renda per capita dos microempresários subiu 44% desde 1992, enquanto a da população total subiu 29%.
O aumento da renda dos microempresários é impulsionada, em especial, pelos programas de transferência de renda do governo, com destaque para o Bolsa Família e a aposentadoria rural, diz o estudo da FGV.
Setor informal pode amortecer efeitos da crise
Em: 26 de novembro de 2008
O aquecimento do mercado doméstico impulsionado pela nova classe média brasileira, formada em grande parte por microempresários, pode funcionar como uma proteção ao Brasil contra a crise financeira internacional
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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