Setor patina em 2012, diz IBGE

Em: 4 de fevereiro de 2013
Produção encolhe 2,7% no Brasil, o que representa o pior resultado da atividade desde a crise global de 2009
Produção encolhe 2,7% no Brasil, o que representa o pior resultado da atividade desde a crise global de 2009

A indústria viveu, em 2012, seu pior ano desde a crise global de 2009, num cenário de famílias mais endividadas, países em crise comprando menos do Brasil -e ávidos para vender seus produtos aqui a preços reduzidos- e empresários receosos em investir.
Nem mesmo medidas de estímulo do governo como redução de impostos (de R$ 6,2 bilhões) e crédito do BNDES com juros subsidiados pelo Tesouro (em alguns casos, inferiores à inflação) foram capazes de evitar uma queda de 2,7% da produção industrial em 2012, medida pelo IBGE.
Em dezembro, a produção ficou estável e o indicador negativo -recuo de 0,4%- veio “menos pior” do que o previsto por analistas.
Para André Macedo, técnico do IBGE, a retração teve um perfil bastante generalizado, atingindo todas as categorias e 17 dos 27 setores.
Termômetro do investimento, a fabricação de bens de capital (máquinas e equipamentos usados para fabricação de outros produtos, na agricultura e em infraestrutura) caiu 11,8%, mais fraco desempenho desde 2009.
Desde setembro de 2011, a produção da categoria cai, num sinal de que a a capacidade produtiva do país não se amplia, um limitador para o crescimento do PIB. O resultado ruim é reflexo também do recuo das exportações para países em crise e grandes mercados para a indústria, como a Argentina.
Em 2012, mesmo em bens duráveis (eletrodomésticos e veículos), foco da redução de IPI, houve perda de produção de 3,4%. “Seria pior sem o benefício tributário”, pondera Fábio Ramos, economista da Quest Investimentos. Com parte da renda das famílias comprometida para pagar dívidas, diz Macedo, o desconto do IPI teve efeito limitado para estimular vendas e produção. Outro entrave ao aumento da produção em 2012 foram os estoques altos, sobretudo no primeiro semestre. Para 2013, empresários relatam menos produtos armazenados, o que abre espaço para novas encomendas e aumento de produção, diz Ramos. A expectativa é de crescimento de cerca 3%.
Rafael Bascciotti, da Tendências Consultoria, diz que, passada a fase mais aguda crise externa, 2013 tende a crescimento, embora modesto. Indicador do HSBC baseado em relatos de executivos sobre estoques, encomendas e contratações aponta que a indústria pode ter iniciado uma retomada em janeiro, quando teve o maior crescimento em 23 meses.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar