Setor produtivo elogia crescimento do PIB, mas pede menos juros

Em: 12 de setembro de 2008
Trabalhadores e entidades ligadas ao setor produtivo expressaram satisfação quanto ao crescimento do PIB, mas apontaram a alta dos juros e a carga tributária como fatores que poderão limitar o desempenho da economia no futuro.
Trabalhadores e entidades ligadas ao setor produtivo expressaram satisfação quanto ao crescimento do PIB, mas apontaram a alta dos juros e a carga tributária como fatores que poderão limitar o desempenho da economia no futuro.

Trabalhadores e entidades ligadas ao setor produtivo expressaram satisfação quanto ao crescimento do PIB, mas apontaram a alta dos juros e a carga tributária como fatores que poderão limitar o desempenho da economia no futuro.
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, manteve tom crítico em relação ao peso dos impostos. “O PIB cresceu 6,1%, o que é positivo. Mas a arrecadação cresceu 8,5%, mais do que o PIB, o que é negativo”.Após o anúncio da alta na taxa básica de juros, a Fiesp emitiu nota na qual qualifica como “grave erro” a decisão do Copom. “O Banco Central persiste no erro de comprometer o futuro do Brasil”.
Já a CNI (Confederação Nacional da Indústria), que classificara como “muito positivo” o desempenho da economia no segundo trimestre, divulgou nova nota à noite para afirmar que o aumento na taxa Selic “é excessivo, impõe custos desnecessários à sociedade”.
Para Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo, o segundo trimestre não sofreu o impacto do aperto monetário iniciado em abril. Mas ele prevê desaceleração nos próximos meses. “Esperamos um resultado favorável, mas menos exuberante do que vimos agora”.

Aperto monetário

As centrais sindicais comemoraram o crescimento do PIB, mas também manifestaram receio quanto ao desempenho futuro da economia diante do aperto monetário.
Para o presidente da CUT, Artur Henrique, ao elevar os juros, o BC pretende “frear o ritmo” do crescimento.
Já o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou, também por meio de nota, que o aumento da Selic é “desproporcional às expectativas de disparada da taxa inflacionária”. Segundo ele, a alta dos preços ocorreu em razão da redução da oferta, e não de demanda excessiva.
“Para os trabalhadores, o crescimento da economia é primordial para a geração de empregos, para conquistar reajuste salariais maiores”, disse João Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força Sindical. “Mas fico até com receio de externar minha satisfação, porque toda vez que o PIB sobe o Banco Central se apressa em aumentar a taxa Selic para conter a demanda”.
Heleno Bezerra, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, diz que “o crescimento de 6% do PIB no semestre derruba o argumento dos empresários de que a produção está começando a decrescer e comprova que a economia continua se fortalecendo. A riqueza que está sendo gerada no país precisa ser repartida com os trabalhadores, que também são responsáveis por ela”.
A UGT (União Geral dos Trabalhadores) mostrou-se satisfeita com a alta do PIB, especialmente porque ela acarretará melhora na educação e na saúde. Apesar disso, não vê motivos para comemorações. Segundo Ricardo Patah, presidente da UGT, existe uma preocupação com a taxa de juros, que reduz a atividade econômica e o consumo.
Para Armando Monteiro Neto (CNI), “o aumento é excessivo, impõe custos desnecessários ao conjunto da sociedade e confirma que o governo precisa aprofundar o ajuste fiscal”.
“Um corte vigoroso nos gastos públicos reduziria a pressão sobre a demanda e recolocaria a inflação dentro da meta fixada pelo governo”, afirmou Monteiro Neto. “O Brasil precisa ter uma política fiscal de melhor qualidade para aliviar o aperto monetário”. Ele lembrou que a queda nas cotações internacionais das commodities e a conseqüente redução dos preços dos alimentos mostram que as pressões inflacionárias dos últimos meses foram provocadas por fatores externos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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