O hábito do manauense de se alimentar fora do lar está impulsionando o segmento de bares, restaurantes e similares de Manaus que deve fechar o ano com um crescimento de aproximadamente 13% ante os 6,5% registrado no ano passado. Apostando neste mercado promissor muitas empresas estão investindo em novas filiais ou ampliando os estabelecimentos.
É o caso da Picanha Mania que após três anos de funcionamento na capital irá abrir uma filial no centro da cidade, em janeiro. A matriz da Picanha Mania funciona hoje na avenida Constantino Nery com capacidade para 400 pessoas. O proprietário do restaurante, Roberto Lima, adiantou ainda que também pretende expandir suas atividade para fora do Estado. “Iremos oferecer muitas novidades para o cliente a partir de 2009 na nossa nova loja como área exclusiva para os clientes estacionarem e um cardápio totalmente variado”, disse.
O crescimento dos estabelecimentos que trabalham com a alimentação fora do lar (food service) é puxado pelo hábito cada vez maior adotado pelas famílias de fazerem suas refeições fora de casa. Segundo um levantamento realizado pela empresa de pesquisa de consumo da América Lantina, LatinPanel os gastos domiciliares aplicados na alimentação fora do lar passou de 4% em 2006 para 4,6% em 2007.
Outro exemplo de negócio que aposta no segmento de foodservice em Manaus é a Churrascaria Búfalo que tem hoje cinco lojas instaladas na cidade. As duas últimas foram inauguradas há aproximadamente um mês no bairro Vieiralves. A rede que é proprietária também da Galeteria Sarruca atende uma média de 700 pessoas por dia.
Faltam incentivos
De acordo com a gerente, Heliá Dalberto a rede pretende atingir primeiro o mercado manauense antes de partir para fora do Estado. “Ainda há muita oportunidade de expandir nossas atividades dentro do mercado de Manaus”, enfatizou. Ela reclamou que o setor poderia crescer ainda mais se tivesse incentivo do governo através da redução da carga tributária.
De acordo com dados da Abrasel/AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas), o setor alimentício emprega no Amazonas em torno de 108 mil pessoas distribuídas entre as 4.000 empresas. Dessas, apenas 200 estão filiadas à Abrasel/AM.
O presidente da entidade, José Felix de Aquino destacou que apesar da recessão, o segmento vem apresentando resultados positivos e até o momento já registra uma crescimento de 11% em termos de movimentação econômica. “Até o fim de dezembro, esperamos que este crescimento chegue a 13%. Com essa crise no mundo ainda não detectamos nenhuma quebra em Manaus e se tiver serão poucas, mas, sinceramente, não acredito que vá haver alguma porque os associados estão bastante sólidos”, acrescentou.
Entraves diários
Felix fez questão de frisar que o setor cresce apesar do excesso de leis que muitas vezes atrapalham e oneram o empresariado. “Hoje temos umas 13 leis que depõem contra os estabelecimentos”, ressaltou o representante.
Entre as regulamentações, o presidente da Abrasel cita a lei do obeso que obriga os restaurantes a ter cadeiras especiais para as pessoas obesas; a lei do fumo que proíbe a permanência de fumantes no estabelecimento; a lei das 23 horas que proíbe o funcionamento de bares até depois desse horário. “Ainda existe a lei Big Brother que obriga os estabelecimentos a colocarem câmeras na cozinha e telões à vista dos clientes, para que estes vejam como funciona a cozinha e a lei dos descartáveis, que obriga o uso de talheres, pratos e copos descartáveis”, reclamou.







