Em Manaus, o setor da construção civil passou um período desafiador com as novas políticas de redução do crédito imobiliário impetradas pela Caixa, em 2017. Segundo representantes do setor, as novas políticas lançam dúvidas sobre o ritmo de recuperação de uma área que ainda sente os efeitos da mais severa recessão econômica já registrada no país. No entanto, o otimismo volta com a expectativa de um ano atípico com a realização de eleições gerais no país e o aumento na procura por imóveis para locação. Para 2018 não há expectativa de lançamentos imobiliários no mercado local.
Na visão do presidente da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas) Romero Reis, o consumidor vem mudando o perfil imobiliário através de planejamento a longo prazo. “Depois de muito tempo, os imóveis de padrão econômico deixaram de ser os mais escolhidos pelos novos proprietários. Isso mostra que a população está retomando o poder de compra gradativamente. E isso é muito bom para a economia brasileira”, afirmou.
Para o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas) Frank Souza, o momento da retomada do setor acontecerá a partir do segundo semestre. “O ano de 2017 foi extremamente desafiador. As perspectivas para 2018 nos animam, em especial para o segundo semestre, quando o crescimento econômico deve atingir níveis mais interessantes, refletindo na retomada da construção civil, voltando a gerar emprego e renda”, afirma.
Na avaliação da presidente do Sindimóveis-AM (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Amazonas) Márcia Cohen, apesar da oscilação do mercado imobiliário o balanço 2017 foi positivo. “Foi um ano razoavelmente bom. Com a redução dos valores, principalmente, em imóveis para locação houve um equilíbrio. Já no setor de vendas acabou impactando mesmo por conta dos financiamentos imobiliários. O ano de 2017 registrou um bom fechamento. Não foi exatamente aquilo que nós gostaríamos, mas ficou dentro do que foi possível tendo em vista o cenário político-econômico do país ele fecha de maneira positiva”, disse.
Segundo Márcia, a expectativa para 2018 é positiva pois existe oferta e demanda em Manaus. No entanto, para o sonho da casa própria virar realidade depende da liberação de financiamento imobiliário. “Nós temos uma boa oferta de imóveis e a demanda também continua muito grande. O número de pessoas que precisam comprar o primeiro imóvel ou migrarem para um imóvel maior é grande, mas a instabilidade política em ano eleitoral pode reprimir algumas vendas”, pondera. Ainda segundo Márcia a locação de imóveis está em alta e poderá garantir um saldo positivo em 2018. “O primeiro trimestre do ano promete uma grande procura de pessoas em busca de imóveis para locação”, completa.
A Caixa anunciou que voltaria a reduzir o limite de financiamento para imóveis usados a 50% do valor do bem, a partir de 25 de setembro de 2017. Esta foi mais uma na série de medidas que restringem a concessão de crédito imobiliário pelo banco, abalando o setor da construção civil.
A Pesquisa do Mercado Imobiliário realizada pela Ademi-AM em parceria com o Sinduscon-AM, aponta que o VGV (Valor Geral de Vendas) de todos os imóveis comercializados em Manaus durante o mês de novembro de 2017 foi de R$ 61 milhões. Os compradores tem preferido empreendimentos de até dois quartos que contabilizaram 88 unidades vendidas no período, seguidos pelos imóveis de três dormitórios com 42 vendas.
Já o crescimento da cidade vai em direção ao bairro Tarumã, zona Oeste, segundo a pesquisa.
Aproximadamente 20% das vendas realizadas em novembro foram realizadas naquela região. Os bairros da Paz, Gilberto Mestrinho e Ponta Negra também aparecem entre os mais procurados por novos proprietários.







