A história do movimento sindical e dos movimentos sociais reserva a seus Dirigentes grandes registros. Muitos terão seus nomes lembrados com especial destaque, na história das grandes lutas em suas categorias profissionais e no aperfeiçoamento democrático da sociedade brasileira.
Todas as conquistas pela melhoria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores em particular, e da sociedade, no geral, teve sindicatos e movimentos sociais atuando intensamente.
O século 20 foi marcado pelas grandes guerras, a de 1914-18 e 1935-45. Restou outra, de natureza essencialmente política, conhecida como Guerra Fria, que dividiu o mundo em dois blocos de países: capitalistas e comunistas. O marco simbólico do início do fim dessa era foi a queda do muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989. Na esteira desse símbolo, outros muros foram erigidos no coração e na mente da sociedade civil de todos os países, tendo como pano de fundo a desinformação, a deformação de realidades, manipulação de dados e informações.
E os movimentos sindical e popular funcionaram como aríetes derrubando esses muros, reais e imaginários, como são os muros da política. Isso endureceu o pescoço de lideranças, esfriou a mente e reduziu a visão do papel dessas organizações, numa sociedade de feroz disputa e competição, essência do sistema capitalista.
A conquista da estabilidade no serviço público e da liberdade e autonomia sindical e de organização, tão necessárias em tempos de ditadura, estão sendo utilizados de forma no
mínimo equivocada, nos tempos atuais. A Ditadura, antes de fora para dentro, agora é de dentro para dentro, onde Igualmente se pratica a desinformação, deturpam fatos, deformam- se realidades e manipulam-se igualmente dados e informações.
Esta situação acabou por eliminar a discussão de outros temas relevantes para os trabalhadores e a população em geral, além dos que se referem ao aumento das remunerações, das oportunidades de trabalho, do emprego e facilitar o acesso a programas de transferência de renda dos governos federal, estadual e, no caso de Manaus, municipal. Nesse aspecto, como o Brasil está em um bom momento, a paralisia sindical e popular se torna mais evidente, porque ela só aparece em momentos de situações de conflitos e confrontos. Fora disso, some.
Cá entre nós, há movimentos que têm aparecido na imprensa em disputas judiciais, principalmente em razão de resultados eleitorais, ou em ação da polícia federal, virando caso de justiça ou de polícia. Estas Entidades perderam a capacidade de resolver por si, seus problemas.
Os dirigentes parecem ter esquecido que a estrutura que administram é DOS e PARA os trabalhadores e a sociedade, portanto estão A SERVIÇO deles. Que os associados não são apenas e exclusivamente fonte de arrecadação. Que não são pessoas que estejam precisando somente de emprego e trabalho – salário e renda são conseqüências – ou de verem atendidas em suas necessidades imediatas. Uma vez resolvidas estas outras necessidades surgem, como educação, profissionalização, saúde, comercialização, transporte, energia, habitação, abastecimento de bens de consumo, finanças, assistência social, um leque de carências de qualquer cidadão que vive em sociedade.
A idéia de desenvolver a economia solidária, por exemplo, surgiu dentro dos movimentos sindical e popular. No entanto, os sindicatos em melhores condições de folga financeira e com maior capacidade de interferência para apoiar este movimento não se mexem. Alguns se contentam aos atos de carimbar e receber o pagamento. Há ainda os que, se aproveitando da ignorância dos associados, inventam e cobram taxas, estabelecidas sem respaldo legal.
As mudanças que estão acontecendo no arcabouço legal brasileiro, no entanto, está provocando terremotos e banzeiros na seara desse tipo de Dirigente. O respeito aos mandatos, o fim do nepotismo, a Lei da ficha limpa, a melhoria do funcionamento do Poder Judiciário e dos órgãos de fiscalização, tenderá a permear a estrutura de funcionamento dessas entidades por efeito dominó. Se o exemplo, que sempre vem da autoridade maior, ou mais antiga, anima e tem a força da quebra de barreiras antes inimagináveis, a tendência é a sua reprodução. Aos associados, acordados pelas novidades, cabe levantar-se, abrir os olhos, aguçar os ouvidos e se movimentar, não permitindo que sejam representados por lideranças pegas praticando atos considerados prejudiciais a sociedade.
Sindicalismo e movimentos sociais na berlinda
Em: 16 de fevereiro de 2011
A história do movimento sindical e dos movimentos sociais reserva a seus Dirigentes grandes registros
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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