Sob ameaça de MP, PIM ainda disputa fábrica da Foxconn

Em: 17 de maio de 2011
A luta pela produção de tablets no PIM (Polo Industrial de Manaus) continua. No caso dos aparelhos da Apple, embora os rumores sejam de que Jundiaí é o município escolhido para implantação da fábrica, a capital amazonense permanece na lista de candidatos
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A luta pela produção de tablets no PIM (Polo Industrial de Manaus) continua. No caso dos aparelhos da Apple, embora os rumores sejam de que Jundiaí é o município escolhido para implantação da fábrica, a capital amazonense permanece na lista de candidatos

A luta pela produção de tablets no PIM (Polo Industrial de Manaus) continua. No caso dos aparelhos da Apple, embora os rumores sejam de que Jundiaí (SP) é o município escolhido para implantação da fábrica, a capital amazonense permanece na lista de candidatas ao investimento da Foxconn, empresa responsável pela montagem dos produtos. De acordo com a assessoria da fabricante taiwanesa em São Paulo, ainda não houve confirmação da diretoria sobre o lugar selecionado e Manaus não foi descartada como opção.
O resultado favorável seria animador, principalmente quando, de acordo com o site ITWeb, o gerente de marketing Rodrigo Vidigal, da Motorola Mobility, que pretende produzir o item da marca no país, afirmou que o mercado de tablets deve passar de 20 milhões de unidades vendidas, em 2010, para 240 milhões, em 2015.
No entanto, como nem tudo são flores, esta provável inclusão dos tablets na MP (Medida Provisória) de Bens de Informática, a Lei do Bem, pode pôr tudo a perder para Manaus e reduzir a VTC (Vantagem Tributária Comparativa) da região em relação aos outros Estados.
Segundo informação recente do secretário de Política de Informática do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia), Virgílio Augusto Fernandes Almeida, a medida foi elaborada após negociações entre técnicos do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e do MF (Ministério da Fazenda), e submetida à consulta pública.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, declara que as fábricas do setor em Manaus não deixaram de gerar bens de informática em virtude da MP, por isso, nada impede as futuras indústrias de tablets de produzirem o portátil no PIM.
No primeiro trimestre de 2011, apesar de apresentarem algarismos inferiores aos de 2008 (US$ 880.99 milhões), as indústrias do segmento já apresentaram valores próximos aos registrados antes da crise, com uma diferença de 0,86% (US$ 873.51 milhões), de acordo com os indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).

Competição difícil

“As empresas da ZFM [Zona Franca de Manaus] têm condições de manter a competitividade. Além disso, o IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] já vem caindo ao longo do tempo. O que conta mesmo é o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços] e o IR (Imposto de Renda)”, avaliou Loureiro.
Se for assim, pode ser difícil competir com os outros Estados. Além de reduzir o IPI de 15% para 0,75%, a medida prevê uma isenção de 9,25% de PIS/Confins (Programa de Integração Social) e o ICMS pode cair de 18% para 7% em alguns Estados.
O economista e consultor empresarial, José Laredo, afirma que, enquanto alguns setores da indústria no PIM possuem, em média, uma VTC de 57%, a vantagem do setor de informática é de 19% para bem final e 29% para componentes. Sendo que em Manaus residem apenas 5% das empresas instaladas no país (595), de acordo com o economista.
“Para se ter uma ideia, o setor de duas rodas é responsável por 100% da fatia do mercado, com 12 empresas na região. Mesmo assim, tem uma vantagem de 64%”, analisou.
Laredo comenta que uma vantagem abaixo dos 30% pode impossibilitar a vinda de outras empresas à região. Uma delas podendo ser a Samsung, cujos diretores, segundo informações do site Folha.com, confirmaram o interesse ao Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
“É claro que nós também temos a questão de redução de 75% no IR. Mas, se aumenta a vantagem nacionalmente, o risco é deste proveito ser anulado, principalmente com a deficiência logística”, finalizou Laredo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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