Subsídios em países ricos encarecem preços

Em: 8 de fevereiro de 2011
O ministro ressaltou que há também um problema estrutural de queda de oferta e aumento de demanda por alimentos, que tem elevado as cotações agrícolas
O ministro ressaltou que há também um problema estrutural de queda de oferta e aumento de demanda por alimentos, que tem elevado as cotações agrícolas

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse em entrevista a jornalistas, depois da reunião do Cosag (Conselho Superior do Agronegócio), da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que os responsáveis pela alta dos preços dos alimentos no mundo são os países desenvolvidos, que concedem altos subsídios aos seus produtores.
O Brasil, segundo ele, vende seus produtos agrícolas a preços justos. “Com os subsídios que os países ricos concedem aos seus agricultores, as mercadorias ficam mais caras”, disse ele. “O Brasil não tem culpa nenhuma do aumento dos preços. Não foi o Brasil que estimulou a especulação financeira nos mercados de commodities agrícolas. Somos eficientes, produzimos com baixo custo e colocamos produtos no mercado a um preço justo”, acrescentou.
O ministro ressaltou que há também um problema estrutural de queda de oferta e aumento de demanda por alimentos, que tem elevado as cotações agrícolas. “Há uma demanda superaquecida, impulsionada pela melhora da qualidade de vida nos países emergentes. Isso é bom. O povo quer comer e, com isso, o Brasil, que é o maior fornecedor mundial de alimentos, pode ser recompensado por seu esforço produtivo”, afirmou.

Preços agrícolas

O ministro criticou a posição de alguns países, como a França, que tem defendido algum tipo de limite para os preços agrícolas no mercado internacional. “Enquanto os preços estavam em níveis historicamente baixos eu não vi nenhum presidente da França, ou de outro país desenvolvido, defendendo limites para os preços. Agora que os grandes produtores, como o Brasil, têm tido protagonismo no mercado, surge esse tipo de proposta. Eles (países ricos) têm uma agricultura subsidiada e querem limitar os ganhos modestos dos produtores brasileiros”, criticou.

Governo realizará mais leilões com maior volume de milho

O ministro Wagner Rossi, afirmou ontem durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o governo vai realizar mais leilões, com maiores volumes de milho, para amenizar os altos preços pagos pelo cereal pelos consumidores em algumas regiões do País. “Vamos fazer mais leilões e aumentar a quantidade”, afirmou o ministro após ser questionado por um representados de pequenos e médios produtores de frangos de São Paulo.
Segundo esse representante, o preço da saca do grão, posto em Campinas (SP), chegou a R$ 32,00. Esse valor, segundo ele, pode tirar parte dos pequenos e médios da atividade. Ele pediu que o governo acelerasse a liberação de estoques até que o preço cai pelo menos a R$ 25,00 ou R$ 26,00 a saca.
O ministro também questionado a respeito de cartas que estão sendo enviadas pelo Banco do Brasil (BB) aos produtores rurais, alertando sobre a necessidade da averbação da reserva legal nas propriedades. De acordo com a carta, a instituição não concederá novos créditos aos produtores que não estiverem enquadrados na lei.
O ministro afirmou que pedirá ao governo a prorrogação da data para a averbação da reserva legal, que vence em 11 de junho. Ele disse, ainda, que pedirá ao governo que desvincule a concessão de crédito da necessidade de averbação da reserva legal.
O vice-presidente de Agronegócios do BB, Luiz Carlos Guedes Pinto, que participou da reunião, informou que o banco é obrigado a cumprir a legislação. Segundo ele, o envio da circular provocou uma intensa movimentação entre os produtores rurais. “Foi positivo enviar a carta e agora os produtores estão se mobilizando para prorrogar a data”, comentou. De acordo com Guedes Pinto, é provável que grande parte dos produtores não conseguirá cumprir a lei até 11 de junho. “Fui procurado pela Contag e a entidade me disse que 95% dos pequenos e médios agricultores não conseguirá cumprir a legislação.” Ele ressaltou que já houve prorrogações anteriores e acredita que um novo adiamento poderá ser feito.
Pelo decreto número 7.029/2009, de 11 de dezembro de 2009, os produtores são obrigados a registrar em cartório a área de mata nativa existente na propriedade – 80% na Amazônia e 20% da propriedade para o resto do País. O prazo limite para esse registro foi adiado por vários vezes. O mais recente prazo é 11 junho. Esses adiamentos foram feitos enquanto se discutia o novo Código Florestal que, no entanto, ainda não foi aprovado pelo Congresso Nacional.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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