O Brasil deverá retirar de circulação, pelos menos, 50 mil veículos de carga por ano para garantir a substituição, nos próximos 13 anos, de 270 mil caminhões com mais de três décadas de uso. Esses veículos representam atualmente 20% da frota existente no país. O alerta foi feito pelo diretor-executivo da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Bruno Batista, em apresentação sobre a renovação e reciclagem da frota brasileira de caminhões durante o IX Seminário Brasileiro do Transporte Rodoviário de Cargas.
Realizado na última quarta-feira, 6, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, o evento abriu espaço para o debate de temas como renovação de frota, preservação do meio ambiente e inclusão social do menor aprendiz e de portadores de necessidades especiais. O seminário foi promovido pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, pela Fenatac (Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas) e pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara, e contou com o apoio da CNT.
A participação dos veículos de carga nas estatísticas anuais de acidentes rodoviários – 26% do total, segundo dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal) -, o alto índice de emissões de poluentes, a contribuição para engarrafamentos no entorno das grandes cidades e o custo elevado de manutenção desses veículos foram citados por alguns dos participantes do seminário como justificativa para a adoção de um programa de substituição e reciclagem da frota mais consistente e efetivo que os programas de incentivo adotados pelo governo. “Existe relação entre a idade da frota e a ocorrência de acidentes”, afirmou Batista.
Na apresentação, o diretor da CNT mostrou que em 2007 o transporte de cargas foi responsável por 15% das mortes e 7% dos casos de invalidez permanente por acidente de trabalho registrados no Brasil. Considerado apenas o setor de transportes, esses números correspondem a 61% de mortes e a 39% de invalidez permanente de trabalhadores.
Plano de renovação
Bruno Batista apresentou aos participantes do seminário as constatações e sugestões de um grupo de trabalho criado pela CNT para analisar o tema e propor soluções. Esse grupo traçou as linhas gerais do que seria um plano de renovação de frota ao diagnosticar a necessidade de consolidação de mecanismos econômicos, financeiros e fiscais pelo governo, com foco na adoção de um programa especial de crédito e no recolhimento de veículos antigos para reciclagem.






