Sul do Estado deve receber mais atenção

Em: 13 de janeiro de 2009
De acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), o Estado registrou queda em sua taxa de desmatamento em 2008, indo na contramão da tendência de alta da região amazônica no mesmo período
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De acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), o Estado registrou queda em sua taxa de desmatamento em 2008, indo na contramão da tendência de alta da região amazônica no mesmo período

As políticas da SDS (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) para 2009 devem girar em torno de dois eixos principais: intensificar o combate ao desmatamento no sul do Amazonas e estreitar laços com as secretarias de Meio Ambiente com atuação na região metropolitana de Manaus.
De acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), o Estado registrou queda em sua taxa de desmatamento em 2008, indo na contramão da tendência de alta da região amazônica no mesmo período.
Já na porção sul do Estado, a questão é mais preocupante, em virtude do avanço da fronteira agrícola.
Por conta disso, o Ceclima (Centro Estadual de Mudanças Climáticas) já está desenvolvendo uma metodologia de projetos de redução de emissões para a região. O órgão foi criado no ano passado como o objetivo de implementar a “Lei de Mudanças Climáticas, Conservação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável”.
A sustentabilidade pelas políticas de manejo deve continuar sendo perseguida pelo executivo por meio do Programa Zona Franca Verde. A principal meta pra este ano é a implementação do Plano Estratégico das Unidades de Conservação do Estado e iniciar o ZEE (zoneamento ecológico econômico) em 32 municípios.
Para a titular da SDS, Nádia Ferreira, embora traga incertezas, a crise mundial deve ser vista como uma “janela de oportunidade” para que todos reflitam sobre a necessidade de mudança de comportamento e preparação para transição rumo a uma sociedade sustentável.
“Não vamos nos deixar perturbar por uma crise concreta, mas que vai passar. Pode demorar um ou dois anos, mas o mundo vai crescer de novo e o Amazonas continuará mantendo sua política ambiental que valoriza os produtos e serviços da natureza e tem no homem amazônico sua maior riqueza”, amenizou.

Implantação de projetos

Sem revelar números, Nádia Ferreira informou que, neste ano, o órgão contará com orçamento maior para implantação de projetos de desenvolvimento sustentável no Amazonas. Em 2008, a secretaria trabalhou com um volume de recursos 7,55% maior ao de 2007: R$ 36,03 milhões (2008) contra R$ 33,50 milhões (2007). Até o início da primeira quinzena de dezembro, a secretaria havia executado em torno de 92% do orçamento.

Região tem potencial para mitigar mudanças climáticas

Embora ainda não se tenha notícia de empresas do Amazonas com projetos concretos para a exploração do mercado de crédito carbono, a secretária considera que a região tem grande potencial para mitigar as mudanças climáticas, tanto no caso do carbono florestal quanto no decorrente de mudança da matriz energética.
Acordos internacionais como o Protocolo de Kyoto determinam uma cota máxima de gases de efeito estufa que as nações desenvolvidas podem emitir. Países ou indústrias que não conseguem atingir as metas de reduções tornam-se compradores de créditos de carbono. Por outro lado, empresas com emissões abaixo da cota, podem vender o excedente de “redução de emissão” ou “permissão de emissão” no mercado nacional ou internacional.
No Amazonas, por enquanto a iniciativa cabe ao poder público. No ano passado, o governador Eduardo Braga, celebrou parceria com Estados dos EUA para projetos de carbono florestal e transferência de tecnologia entre o Amazonas e a Califórnia.
“Estima-se que, com a chegada do gasoduto, reduziremos em 30% as emissões do Estado, o que pode gerar uma potencial transação de créditos de carbono. O Amazonas está preparado tanto do ponto de vista técnico quanto legal para este novo mercado. Há muitas oportunidades para 2009”, garantiu.

Trabalho faz desmatamento cair 21% no ano passado

A principal conquista da SDS em 2008 foi a redução em 21% (479 km2) no índice de desmatamento. “O resultado deve ser visto não somente pelo aspecto ambiental, mas também pelo econômico e social, pois é fruto de uma política de governo que fomenta as atividades produtivas sustentáveis, incorpora pesquisa, tecnologia e educação”, comemorou.
Outro avanço elencado pela secretária foi o lançamento do “Plano Estadual de Prevenção e Combate ao Desmatamento”, culminado pela abertura de parceria com a ONG (organização não governamental) Greenpeace para desenvolvimento de metodologia científica de emissões no setor florestal, industrial e de energia.
É destacado ainda a conclusão do Macrozoneamento do Amazonas. Iniciado há 16 anos, o trabalho vai ser objeto de lei a ser encaminhada à ALE (Assembléia Legislativa do Estado) logo após o recesso parlamentar. “Trata-se de um instrumento que vai nos permitir conhecer a forma como o espaço amazônico vem sendo utilizado e se está de acordo com as potencialidades naturais de determinada localidade”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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