Muito em voga atualmente, desenvolvimento sustentável e sustentabilidade são conceitos que acabam caindo no lugar-comum, passam a ser vistos pelos incautos como apenas mais um jargão político ou algo que soa bem nas palavras dos gestores do mundo corporativo.
Afinal de contas, isso refere-se a que? Um produto inovador? Um enfoque justo na divisão das riquezas geradas? Uma forma de educar as gerações futuras? Uma tecnologia que não agride o meio ambiente?
É tudo isso. E muito mais.
O conceito de sustentabilidade é a própria extrapolação de instintos humanos primitivos, como o de sobrevivência e de auto-preservação. É a sua aplicação em questões econômicas, sociais, culturais e ambientais. É desenvolver atividades que atendam as necessidades e anseios das gerações atuais, sem comprometer a capacidade das gerações futuras em atender suas necessidades.
O fator econômico
O foco da gestão de empresas evoluiu ao longo de gerações.
Se olharmos para os primórdios da revolução industrial, veremos como alvo principal a busca pela obtenção eficiente de lucros. Se isso significasse caldeiras lançando uma preta nuvem de fuligem sobre as cidades, enquanto operários mutilavam-se em jornadas de trabalho que atingiam 14 horas diárias por seis dias todas as semanas, tudo bem. Não haviam regras porque este era um jogo novo, e as peças envolvidas começavam a ajustar-se. Era óbvio que não tratava-se de uma situação sustentável a longo prazo: Logo revoltas e greves tornaram mais humanas as condições de trabalho, evolução permanente que até hoje encontra espaço para melhorias, com as condições variando conforme a região e o segmento econômico analisados.
O fato é que os trabalhadores reagiram logo, buscando condições mais adequadas. Já a natureza reage mais lentamente, e as agressões ao meio ambiente continuaram por muito tempo.
A busca por lucratividade que perenize o negócio, sem agredir o mundo que nos cerca, é ainda hoje um grande desafio aos gestores.
Fatores sócio-culturais
Empresas e empreendimentos não existem sem pessoas. São pessoas, fazendo para pessoas. É importante nesta relação haver equilíbrio, para que as relações sejam interessantes para todos: Quem investe, quem administra, quem produz e quem consome. Desequilíbrios não são sustentáveis a longo prazo e um dos elos da cadeia aproveitar-se de um momento pontual de desequilíbrio, pode deixar seqüelas na relação que comprometam a sustentabilidade do negócio: Seja um trabalhador que muda de empresa e leva consigo importante capital intelectual, sejam clientes que buscam ávidos por alternativas quando submetidos a qualquer espécie de monopólio.
Distribuição de renda justa, oportunidades de educação e capacitação, além de condições satisfatórias de moradia e consumo, são fatores que levam a equilíbrio de relações, mitigam insatisfação e revolta, e consequentemente levam a uma situação de equilíbrio que garante a sustentabilidade de instituições.
O mundo que nos cerca
Por vezes tendemos a reagir apenas quando induzidos por algum desconforto. Dificilmente nos antecipamos aos fatos e agimos preventivamente. É como citado no exemplo anterior da revolução industrial: Os operários revoltaram-se, ações corretivas foram tomadas; As chaminés não faziam barulho, portanto permaneceram por décadas entupindo nossa atmosfera de poluentes. A natureza demora para cobrar o seu preço, porém quando o faz, é em uma escala gigantesca, e em condições de difícil reversão.
Ainda hoje, em diversos segmentos, prevalece a cultura da revolução industrial do século 19: Otimizar lucros, sem olhar ao redor. Apenas a força da legislação faz com que certas empresas ou segmentos movimentem-se. E quando o fazem, não é por consciência, mas por coação. Empresas que posam de boazinhas, protetoras do meio ambiente e das condições de trabalho, quando o fazem apenas porque a lei assim o determina e não há forma de burlá-la.
São poucos e louváveis os exemplos de instituições que vão al






