Tambaqui ganha centro para melhoramento genético

Em: 9 de janeiro de 2009
O tambaqui, peixe amazônico de grande demanda no Estado do Amazonas, está ganhando atenção especial das pesquisas
https://www.jcam.com.br/ppart10012009.jpg
O tambaqui, peixe amazônico de grande demanda no Estado do Amazonas, está ganhando atenção especial das pesquisas

O tambaqui, peixe amazônico de grande demanda no Estado do Amazonas, está ganhando atenção especial das pesquisas. A espécie contará com a construção de um centro referência de melhoramento genético de peixes a ser construído na Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM). A estrutura será construída com verbas da Seap/PR (Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República), e deverá ter suas obras iniciadas em 2009. O alvo da pesquisa é produzir uma linhagem que ganhe maior peso em um ano de cultivo.
Atualmente cerca de cada cinco tambaquis consumidos no Amazonas, quatro são provenientes de cativeiro. A piscicultura garante o abastecimento e o preço baixo do tambaqui. Conforme os pesquisadores Roger Crescêncio e Cláudio Izel, da Embrapa Amazônia Ocidental, caso dependêssemos somente da pesca, o tambaqui seria escasso e seu preço, fora do alcance para a população em geral.
O maior projeto de pesquisa com piscicultura do Brasil o Aquabrasil, que conta com mais de 40 universidades e institutos envolvidos, elegeu o tambaqui como a espécie alvo para o Norte do Brasil. E dentre as metas desse projeto está o melhoramento genético do tambaqui. O melhoramento do tambaqui contará com a construção do centro referência de melhoramento genético de peixes.
Roger explicou que o desenvolvimento de uma linhagem de tambaqui melhorada é exige um esforço extremamente trabalhoso e caro, porém é um grande salto da piscicultura regional e brasileira, sendo o tambaqui a terceira espécie mais cultivada no Brasil e a mais cultivada na região amazônica.
Ele lembra que qualquer criação animal que conhecemos hoje como bovinos, ovinos, caprinos, suínos, aves e outros, se desenvolveu aliada ao melhoramento genético das espécies.
Por muito tempo se pensou não haver necessidade de cultivar peixes na Amazônia, visto a grande fartura da região. Porém, o tempo passou, a população cresceu e com ela o consumo de pescado. A natureza tem a capacidade de produzir uma quantia determinada de peixes, qualquer quantidade além desta, tem que ser produzida em cativeiro.
Com a crescente demanda de pescado a Embrapa Amazônia Ocidental, localizada em Manaus no quilômetro 29 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), começou a desenvolver pesquisas na área de aquicultura em meados da década de 1990. Na época vários produtores rurais se aventuraram na piscicultura, na grande maioria sem sucesso. Não havia um pacote tecnológico de criação para as espécies locais como tambaqui e matrinxã; não se sabia como criar o peixe e nem como alimentá-lo.
As primeiras pesquisas da Embrapa foram no sentido de disponibilizar aos produtores locais um sistema de criação de peixes a ser seguido, com viabilidade econômica assegurada. Tal sistema foi consolidado e disponibilizado à sociedade em 2001 com a publicação do trabalho “Criação de Tambaqui (Colossoma macropomum) em Viveiros de Argila/Barragens no Estado do Amazonas”. Após esse, foram gerados outros sistemas com tambaqui, matrinxã e tartaruga. Tais sistemas revitalizaram a aquicultura regional, principalmente por demonstrar às agências financiadoras que tal atividade agropecuária daria retorno aos empreendimentos fomentados.
Atualmente a equipe de pesquisa em piscicultura da Embrapa conta com cinco pesquisadores, dois doutores e três mestres, estudando doenças de peixes cultivados, possíveis tratamentos, utilização de princípios ativos da biodiversidade regional, nutrição, transporte e manejo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar