Não existe comida melhor que a comida preparada por nossa mãe. Foi pensando dessa forma que os jovens empreendedores Rafel Queiroz e seu sócio Anderson Farias resolveram “contratar” a mãe do primeiro para trabalhar no restaurante que os dois inauguraram no centro de Manaus, há pouco mais de três meses.
“Eu e o Anderson queríamos abrir um negócio quando decidimos que seria um restaurante. Coincidentemente minha mãe estava concluindo a faculdade de gastronomia e já tinha uma boa experiência em trabalhar com comidas. Trabalhara como cozinheira em empresas de eventos e tivera uma empresa de delivery de marmitas, e estava ansiosa para por em evidência a sua criatividade”, riu.
Foi assim que surgiu o “Tempero Amazônico”, sob a acuidade gastronômica de Mercedes Queiroz. “No começo estávamos meio sem direção sobre que cardápio servir no restaurante, aí encontrei um amigo turismólogo e ele foi direto: o ‘Tempero Amazônico’ está próximo ao Teatro Amazonas, então, o conceito do cardápio deve ser regional e regional são, principalmente, os peixes”, concluiu Rafael.
Mercedes tratou de selecionar os peixes mais comuns nos cardápios de outras peixarias da cidade como o surubim, a pescada, o aruanã, a dourada, a douradinha, o pirarucu e o tambaqui. Este último, o mais nobre entre os nobres, admirado por todos, do caboclo ribeirinho a papas (o papa João Paulo 2° quando esteve em Manaus, em 1980, se deliciou com uma costela de tambaqui), foi o escolhido para ser o carro chefe.
Atualmente o prato mais solicitado entre os clientes do “Tempero Amazônico” é o picadinho de tambaqui, não só servido da forma tradicional, mas também compondo outras delícias.
A la carte, no jantar
O picadinho de tambaqui pode ser encontrado no hamburger (recheado com queijo coalho, pasta de tucumã ou banana frita), na linguiça e na kafta (com temperos especiais preparados por Mercedes), nas almôndegas e até em pastéis. “Mas é servido, também, na forma tradicional, a posta frita, a banda e a costela assadas e a caldeirada; ou em apresentações variadas, como o tambaqui no tucupi (de Manaus, que é meio azedinho, diferente do tucupi paraense, que é adocicado), o medalhão de tambaqui (assado, com bacon) e o medalhão amazônico (com banana frita).
“Para cada um desses pratos eu crio um tempero especial”, disse a chef Mercedes. Outra característica encontrada no cardápio do “Tempero” é a releitura de alguns pratos famosos. “Regionalizamos a yakisoba. Aqui, ela leva pirarucu empanado, com gergelim, tucupi, jambu e cebolinha. O risoto de tacacá, além do arroz, lógico, leva tucupi, jambu e cebolinha. Já o petit gateau, essa sobremesa francesa, aqui é feito com massa de macaxeira e recheio de picadinho de tambaqui com catupiry. No lugar do sorvete, purê de jerimum. Sobre o petit gateau, camarões com catupiry”, falou.
Até este final de semana o “Tempero Amazônico” funcionará apenas com buffet, para o almoço mas, a partir de segunda-feira (17), haverá serviço a la carte, para o jantar. “Como estamos localizados entre dois hotéis, aconteceu exatamente o que nosso amigo turismólogo previu. Os turistas começaram a vir porém, já estávamos com o cardápio regional que eles queriam, agora estão aparecendo clientes para o jantar, então resolvemos abrir o restaurante para atendê-los”, disse.
Para acompanhar cada um dos pratos citados acima, arroz branco e arroz especial do dia, vinagrete, baião de dois do dia, farinha branca e farinha amarela do dia, além de saladas e purê do dia. “Do dia porque diariamente eu dou um toque especial, faço um diferencial, em cada um desses acompanhamentos”, acrescentou Mercedes. No buffet, o preço do quilo é R$ 28,90.
O “Tempero Amazônico” disponibiliza suas paredes para exposições de quadros. Atualmente o artista Raymond de Sá apresenta alguns dos seus trabalhos.






