Piscicultores comemoram a possibilidade de triplicar a produção de peixes em tanques escavados. A experiência foi feita no município de Rio Preto da Eva e, de acordo com o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Claudio Izel, os lucros superaram a marca de 54% em um ano de pesquisa, com receita de R$ 107.475,28 por hectare. O tambaqui, segundo os produtores, tem a mesma qualidade daqueles criados em tanques com menos peixes.
Nos padrões da piscicultura estabelecidos pela entidade, o total de peixes por hectare não deve ultrapassar três mil. Nesse novo sistema intensivo, a densidade adotada é de sete mil peixes para a mesma área. O especialista conta que, para viabilizar o aumento da densidade dos peixes nos tanques, foram utilizados aeradores para melhorar a qualidade da água e reduzir o estresse dos peixes. “O sistema foi direcionado para o tambaqui, mas pode ser adaptado também para o matrinxã”, destaca Izel.
A pesquisadora Fernanda Loureiro de Almeida ressalta que a proposta do trabalho é contribuir para aumentar a produção do alimento e gerar renda, com mínimo impacto ambiental e contenção de gastos, uma vez que não precisa ampliar a extensão de áreas ocupadas por tanques.
Almeida argumenta também sobre a maior produtividade e rentabilidade por hectare. “O produtor terá a possibilidade de produzir até três vezes mais sem causar desmatamento ou gerar efluentes”, aponta. Como as estruturas de produção ficam fora de APP (área de preservação permanente) e por serem um sistema sem renovação de água, o consumo que se tem é somente para reposição do que evapora.
O secretário executivo adjunto de políticas agropecuárias e florestais da Sepror (Secretaria de Produção Rural), Airton Schneider, destaca que a entidade pretende levar essas informações a outros municípios e estimular a adoção da tecnologia. “Esse sistema vem potencializar a piscicultura no estado e contribuir para a meta de 100 mil toneladas de pescado em 2013”, diz.
Hoje a produção de pescado em piscicultura no Amazonas está em 15 mil toneladas por ano.
A implantação
Sobre o investimento par
a adoção do sistema intensivo, são necessários aquisição de equipamentos e investimento em rede elétrica. Para os produtores que já têm o sistema de tanque escavado, o custo da modernização no sistema é de R$ 18.972,73 por hectare, incluindo os custos com rede elétrica, acessórios para rede elétrica, grupo gerador, aeradores e medidor de oxigênio.
Ao considerar todos os gastos como: mão de obra, ração, produção de juvenis, energia elétrica, combustível, insumos e amortização do investimento em 10 anos, o custo do quilograma (kg) de peixe produzido fica em R$ 3,76.
Mais sobre o experimento
O sistema foi colocado em prática na propriedade do casal de piscicultores Luis e Franci Bonfá, no município de Rio Preto da Eva durante o período de um ano e acompanhado por uma equipe de pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental, que atuam em aquicultura.






