Quem diria que o Amazonas teria uma produção de café em expansão, cultura que prosperou no Brasil há mais de cem anos, com as exportações iniciando em 1830 e atingindo o seu auge entre 1850 e 1929. Até hoje o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por cerca de 38% da produção mundial, com mais de dois milhões de toneladas/ano e Minas Gerais sendo o principal estado produtor. Mas o Amazonas chega lá. Em 2024, com apoio do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas), o Estado chegou a colher 1,5 mil toneladas de grãos do fruto e, em 2025, ultrapassou as duas mil toneladas com plantações espalhadas por doze municípios, com destaque para Apuí, Humaitá (incluindo o distrito de Realidade), Lábrea, Rio Preto da Eva, Silves e Presidente Figueiredo. E tem empreendedor, no caso, empreendedora, criando marcas exclusivas. Débora Silva participa das feiras da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas) e, de tanto ver o potencial de vendas do café, resolveu lançar o Café Tapiruna.
“O Tapiruna nasceu no final de 2025. É produzido a partir de um cafezal cultivado por agricultores de Presidente Figueiredo, na região de Balbina. Não é uma produção da minha família, mas escolhi esse fornecedor por uma identificação profunda: são agricultores, assim como meus avós foram. No dia em que visitei o local, conheci a dona do terreno, e ela me lembrou muito a minha avó. Foi um daqueles sinais silenciosos que confirmam escolhas feitas com o coração”, revelou.

Homenagem à avó
Os avós de Débora, Edilce da Silva Costa e Francisco Ribeiro da Costa, eram os típicos ribeirinhos amazônicos, morando às margens do Purus, em uma casinha simples de madeira coberta de palha, o famoso tapiri.
“Cresci ouvindo as histórias da minha avó sobre esse tempo. Ela perdeu a mãe aos doze anos e, ainda criança, assumiu o cuidado dos irmãos. Não teve a oportunidade de estudar e foi para a agricultura muito nova. Junto com meu avô, cultivou a terra, criou os irmãos e depois os filhos com muito esforço e dignidade”, contou.
“Chegou a plantar alguns pés de café, mas não teve êxito por não conhecer o ramo. Mesmo assim, nunca deixou de oferecer um bom cafezinho para quem chegava à sua casa. Hoje, aos 90 anos, minha avó mantém a tradição: família reunida em torno da mesa, muita conversa e várias garrafas de café”, completou.
O nome Tapiruna surgiu da junção das palavras tapiri (casa) + una (negro), homenagem de Débora à simplicidade, ao acolhimento e às raízes de sua família.
Ela nunca se imaginou como empreendedora, apesar de ser casada com Gilmarcio Nunes, empreendedor do ramo do açaí.
“Um dia o Gil chegou para mim, com uma ideia inesperada, e disse: ‘tu amas café, então eu tenho algo para você: vamos vender café’. No começo foi surpresa, depois entusiasmo e hoje é só paixão. Abracei a ideia e descobri algo muito bonito: nasci para isso. Nós, mulheres, temos um potencial enorme de realizar coisas que nunca imaginamos. Admiro profundamente a força das mulheres, especialmente aquelas que vêm da agricultura, como as da minha família”, comemorou.
Débora escolheu trabalhar com os grãos do Robusta Amazônica, uma variedade de café desenvolvida pela Embrapa exclusivamente para a Região Norte. Por isso sua cultura tem dado tão certo no Amazonas.
“O sistema agroflorestal ainda não é valorizado como deveria aqui no Amazonas, mas eu acredito muito que vamos chegar lá”, afirmou.

Pode ser solicitado
Atualmente a produção do Café Tapiruna gira em torno de 250 kg de café/mês.
“Quatro famílias são beneficiadas diretamente com a produção, mas a tendência é que esse número cresça, porque o Tapiruna nasceu justamente para reunir famílias em torno da mesa, então, queremos agregar mais produtores familiares. Começamos recentemente a vender o café, em Manaus e, sinceramente, as vendas ultrapassaram minhas expectativas”, avisou.
“É um produto de excelente qualidade, que pode ser comprado em pó, moído na hora, ou adquirido em grãos, oferecendo uma experiência autêntica aos nossos consumidores”, garantiu Diego Augusto, gerente de Feiras da ADS.
Mostrando que realmente Débora ‘meteu a cara’ no empreendimento, o Café Tapiruna não possui uma fábrica, com parte da produção sendo artesanal, utilizando processos manuais, e outra parte ainda é orgânica.
“Estamos reunindo um grupo de produtores para formar uma associação e assim o negócio deslanchar”, disse Débora.
“O nosso café chegou para conquistar o coração dos clientes. É um grão especial e cuidadosamente selecionado com carinho, diretamente para a mesa dos consumidores”, concluiu.
O Café Tapiruna está disponível às terças-feiras nas feiras da ADS do Sumaúma Park Shopping; às quartas-feiras no Shopping Ponta Negra; aos sábados no Centro Estadual de Convivência da Família Padre Pedro Vignola, na Cidade Nova; e aos domingos no estacionamento no Complexo Turístico da Ponta Negra.
O produto pode ser encontrado na loja Açaí do Gil (rua Dr. Thomas – N. Sra. das Graças), ou solicitado pelo 9 9110-3368.
Informações: Instagram, @cafe_tapiruna






