Taxa cai com maior inatividade

Em: 20 de dezembro de 2013
Pesquisa IBGE mostra alta na parcela daqueles que não procuram trabalho nem estão ocupados
Pesquisa IBGE mostra alta na parcela daqueles que não procuram trabalho nem estão ocupados

A taxa de desemprego em novembro igualou a menor marca da série histórica do IBGE, mas, ao esmiuçar os números, nota-se que o recuo não se deu diante de um cenário de expansão dos postos de trabalho. O motivo da queda é a saída de pessoas do mercado de trabalho.
O que determinou a redução da taxa de desemprego para 4,6% em novembro foi a migração de um contingente expressivo de trabalhadores para a chamada inatividade. Ou seja, cresceu a parcela daqueles que não procuram trabalho nem estão ocupados.
O total de inativos subiu 0,8% de outubro para novembro, com um acréscimo de 148 mil pessoas. Já na comparação com novembro de 2012, a alta de 4,5% correspondeu a 801 mil pessoas a mais sem trabalhar ou buscar uma vaga.
“Não é um cenário favorável. O melhor seria se a taxa de desemprego caísse por conta do crescimento do emprego, o que não ocorreu”, disse Cimar Azeredo Pereira, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE.
O número de empregados subiu apenas 0,1% de outubro para novembro (ou 14 mil pessoas), mas registrou queda de 0,7% (170 mil pessoas) na comparação com novembro de 2012. A migração para a inatividade, diz, pode ter várias razões. Uma delas, vista em outros meses de novembro, é que empregados temporários já acertaram suas contratações, mas não começaram efetivamente a trabalhar. Desse modo, são considerados fora do mercado de trabalho, ainda que já tenham conseguido uma ocupação.
Outros motivos, afirma, são o desalento (desestímulo para procurar emprego diante de um cenário econômico difícil) ou a saída temporária do mercado de trabalho por conta do final de ano.
Para Pereira, a alta da renda em novembro -2% ante outubro e 3% em relação a novembro de 2012 -não sinaliza uma melhora do rendimento familiar a ponto de permitir que alguns membros deixem de procurar trabalho.
O gerente do IBGE ressalta que a renda melhorou em novembro, mas registra um desempenho pior neste ano do que em 2012. Na média de janeiro a novembro, o rendimento cresceu 1,7%, num ritmo inferior ao de anos anteriores. Nesse período, a taxa de desemprego média ficou em 5,5%, pouco abaixo dos 5,6% de janeiro a novembro de 2012.

Prenúncio

A consultoria Rosenberg & Associados diz, em relatório, que “chama a atenção” o fato de as taxas de crescimento do emprego e da força de trabalho (composta por ocupados e por aqueles que procuram emprego) “estarem muito próximas já há alguns meses”. “Isso poderia ser um prenúncio de taxas de desemprego mais elevadas.”
Tal aproximação, afirma a consultoria, não “era observado desde 2005 [ano de crise]”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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