Taxa de desemprego sobe para 9,5%

Em: 28 de março de 2016
https://www.jcam.com.br/tx_desempreg (1).jpg

A taxa de desemprego do país cresceu para 9,5% no trimestre encerrado em janeiro deste ano, a maior já medida pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), iniciada em 2012. O indicador foi divulgado nesta quinta (24), pelo IBGE.
O resultado ficou 2,7 pontos percentuais acima do registrado do mesmo período um ano atrás (6,8%) e 0,5 ponto percentual acima da coleta anterior (9%), que compreendeu os meses de outubro a novembro de 2015.

No trimestre encerrado em janeiro de 2016, havia 9,6 milhões de pessoas desocupadas no país, informou o IBGE. O número é 6% superior ao registrado no trimestre anterior, o que representa 545 mil pessoas a mais. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, houve alta de 42,4%, ou 2,9 milhões de pessoas. Foi a maior variação já apontada pela pesquisa.
O rendimento médio real (descontada a inflação) foi de R$ 1.939 no trimestre encerrado em janeiro, queda de 2,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior (R$ 1.988) e estável em relação ao trimestre anterior.

De acordo com os dados do IBGE, o cenário adverso do mercado de trabalho é resultado de uma combinação de demissões e do aumento do número de pessoas em busca de emprego. O número de ocupados no país foi estimado em 91,7 milhões, queda de 1,1% com relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Na comparação com o trimestre anterior, a queda foi de 0,7%.

Já o total de pessoas em idade ativa (14 anos ou mais) e disposta a trabalhar -a chamada força de trabalho- era de 101,2 milhões no trimestre encerrado em janeiro de 2016, estável em relação ao mesmo período do ano anterior e aumento de 1,8 milhão de pessoas a mais do que em igual período do ano anterior.

Assim como nos últimos trimestres, a indústria e o segmento de informação, comunicação e atividades financeiras puxaram o desemprego no país, com quedas de 8,5% e 7,7%, respectivamente, no estoque de empregos, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Nos dados divulgados hoje, porém, a agricultura também aparece na lista dos setores que desempregaram, com queda de 2,7%.

Para fazer essa pesquisa, os entrevistadores do IBGE visitam cerca de 210 mil domicílios a cada trimestre com perguntas sobre emprego e renda. Os dados são coletados em cerca de 3.500 municípios do país.

Com o fim da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE, marcado para março (quando serão conhecidos dados de fevereiro), a Pnad Contínua se tonará a principal pesquisa de emprego e renda do instituto.

A última divulgação da PME, feita na quarta-feira (23) mostrou que a taxa de desemprego nas regiões metropolitanas, em fevereiro, foi de 8,6%, ante 7,6% em janeiro.

Crise econômica amplia precarização do mercado de trabalho, diz IBGE

Mais de 1,3 milhão de trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego no último ano, de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (24). É o maior número desde o início da série, em 2012, e representa a precarização do mercado de trabalho no país, de acordo com o coordenador da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), Cimar Azeredo.
“O aumento do número de trabalhadores com carteira assinada nos últimos anos foi uma das grandes conquistas do país. E uma grande parte da crise atual (no mercado de trabalho) é a perda da estabilidade”, afirmou ele.

A estatística considera o trimestre entre novembro de 2015 e janeiro de 2016, quando a taxa de desemprego no país chegou a 9,5%, também a maior da série da Pnad Contínua.
Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a queda do número de trabalhadores com carteira assinada foi de 3,6%. O contingente de empregados sem carteira também caiu: 5,9%, ou 614 mil pessoas.

Como consequência, houve aumento de 6,1% do contingente de trabalhadores por conta própria, que chegou a 23 milhões de pessoas. Estes foram os únicos a apresentar queda expressiva no rendimento, de 4,1%, para R$ 1.495.

“O mercado de trabalho apresentou um quadro de redução generalizada”, disse Azeredo. “Se o cenário econômico não está favorável, isso vai se refletir no mercado de trabalho, podendo levar a um círculo vicioso: menos trabalhadores com carteira, menos rendimento e menos massa salarial”, completou.
Outra consequência da queda do emprego formal é o aumento do número de empregados domésticos no país. No trimestre terminado em janeiro, 6,3 milhões de pessoas trabalhavam em serviços domésticos, alta de 5,2% com relação ao mesmo período do ano anterior.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar