Em meio à crise internacional de crédito, os juros cobrados pelos bancos subiram nas principais modalidades para pessoa física no mês de outubro.
A taxa média, que engloba cheque especial, empréstimo pessoal e aquisições de veículos, entre outros, subiu de 53,1% em setembro para 54,8% ao ano no mês passado. Segundo pesquisa mensal de juros do Banco Central, essa é a maior taxa desde junho de 2006, quando os juros estavam em 55,8%. A inadimplência ficou praticamente estável -de 7,3% para 7,4%.
No cheque especial, a taxa de juros subiu de 170,2% para 170,8%. É maior taxa desde julho de 2003, quando estava em 173,9% ao ano. O recorde é de 294% ao ano, registrado em julho de 1994. No empréstimo pessoal, a taxa subiu de 56,3% para 57,4% ao ano. Na aquisição de veículos, passou de 33,1% para 34,1% ao ano. Esse aumento se deve ao “spread” bancário (a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes). O “spread” para pessoa física subiu 1,1 ponto percentual, para 39,7 pp.
Os juros das empresas também apresentaram alta no mês de agosto, de 28,3% ao ano para 31,6%. A taxa geral (pessoa física + jurídica) passou de 40,4% para 42,9% ao ano. Houve alta do “spread” bancário para pessoa jurídica, de 2,8 pontos percentuais, para 17,5 pontos. O “spread” geral (considerando também o crédito pessoa física) passou de 26,4 pontos percentuais para 28,4 pp.
Concessão de empréstimos cai 7%
A crise financeira internacional reduziu a liberação de novos empréstimos para pessoas físicas e empresas. Mesmo assim, o estoque de crédito na economia manteve a tendência de crescimento no mês de outubro.
Segundo a pesquisa houve uma queda na média diária das novas concessões de crédito, de 7,1% para empresas e 7,7% para pessoa física. Nesse último caso, o volume diário liberado (R$ 2,187 bilhões) voltou ao nível de agosto do ano passado. No trimestre, as operações de crédito para pessoa física caíram 4,8%. No ano, 11,5%. No mês passado, houve redução de 39,9% nas operações de crédito para veículos, 13,7% no crédito pessoal e 7,9% na aquisição de bens. Apenas o cheque especial continuou subindo, mesmo assim, apenas 1%.
No caso das empresas, houve redução de 38,7% nos repasses externos, de 24,3% no desconto de promissórias e de 23,7% nas linhas de crédito para exportação (ACC).






