Tecnologia para alavancar produção

Em: 23 de outubro de 2013
Projetos voltados para desenvolvimento de tecnologia têm R$ 7 milhões de investimento
Projetos voltados para desenvolvimento de tecnologia têm R$ 7 milhões de investimento

Os municípios do Amazonas ganham reforço na produção de juta e malva com a introdução de novas tecnologias. A oportunidade está sendo oferecida por meio do Pró-Rural (Programa Estratégico de Transferência de Tecnologias para o Setor Rural).
A iniciativa é do governo do Estado, por meio da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), em parceria com a Secti-AM (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação) e a Sepror (Secretaria Estado da Produção Rural do Amazonas).
Cinco projetos voltados para a adoção de novas técnicas de produção sustentável no setor rural, além de aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos produtores de juta e malva, já estão em andamento e contam com um investimento superior a R$ 7 milhões para o desenvolvimento da pesquisa.
Entre os projetos contemplados está o da professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Albejamere Pereira de Castro. Com a pesquisa “Transferência de Tecnologia e Estratégias de Desenvolvimento para Dinamizar a Cadeia Produtiva de Malva e Juta no Estado do Amazonas”, Castro pretende dinamizar a cadeia produtiva de malva e juta por meio da difusão de inovações tecnológicas, adequadas à realidade regional para geração de trabalho e renda em nove municípios do Amazonas.

Dificuldades

Castro explica que, apesar da malva e juta serem cultivadas em solo produtivo, como o de várzea, as populações rurais possuem muitas dificuldades com a produção, verificadas, principalmente, pela ausência de tecnologias apropriadas, pela falta de estrutura que promova a dinamização dos arranjos produtivos locais e falta de assistência técnica especializada.
“Pretendemos com o projeto contemplar nove metas com o objetivo de proporcionar o desenvolvimento no aspecto social e econômico das comunidades rurais envolvidas, além do aprimoramento da assistência técnica e extensão rural no Estado. A organização e fortalecimento de associações e cooperativas, protagonismo dos agentes sociais locais, contribuirão para a formação de jovens lideranças”, disse.
Ainda segundo Castro, o projeto visa também formar recursos humanos na área de pesquisa e extensão rural, transferência e difusão de tecnologias para aumentar a produção, desenvolvimento da cadeia produtiva da cultura, implantação de unidades de produção de sementes.
“Assim podemos perceber que esses produtores rurais, uma vez detentores de inovação tecnológica e providos de capacitações e treinamentos e melhores condições de trabalho, poderão produzir com maior eficiência, quantidade e qualidade as fibras de malva e juta, aumentando a produção no Estado e facilitando seu acesso ao mercado que vem se tornando cada vez mais restrito”, finalizou.

Sobre o Pró-Rural

A ação é voltada para a difusão de novas técnicas de produção sustentável resultantes de pesquisas científicas e tecnológicas e que ajudarão a alavancar a produção rural, o crescimento econômico, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida da população dos municípios do interior do Estado do Amazonas.
O Pró-Rural configura-se como um programa de bolsas e auxílio financeiro que contribuirá para a disseminação e incorporação de novas tecnologias de produção sustentável junto às populações rurais do Estado do Amazonas por meio da transferência de tecnologias para o setor rural.

Juta e Malva

Juta é uma planta típica de região de várzea; a malva é uma planta inicialmente de terra firme, mas depois adaptada também à região de várzea. No Amazonas, a malva e a juta são cultivadas nos municípios de Anamã, Anori, Beruri, Codajás, Coari, Careiro da Várzea, Caapiranga, Itacoatiara, Iranduba, Manaquiri, Manacapuru, Parintins.
A área total de plantio é de aproximadamente 12.380 hectares, onde foram colhidas aproximadamente 14.700 toneladas de malva e juta entre 2010 e 2011.
Sendo culturas de várzea, os malvicultores e os juticultores trabalham durante boa parte do tempo de uma jornada de trabalho em ambiente inóspito, frequentemente dentro d’água, principalmente na época da colheita, quando o caule (haste) da planta é cortado, para depois permanecer imerso na água para facilitar a retirada da casca (envira), a qual depois de limpa revela as fibras de malva e juta.
Esse processo é secular e não têm sido criadas infraestruturas capazes de melhorar significativamente a qualidade de vida desses trabalhadores, assim como aumentar a produtividade e a eficiência de todo o processo, cujo resultado desejado seria o aumento da competitividade do produto no mercado nacional e internacional.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar