Tecnologia torna viável cultivo

Em: 8 de maio de 2013
Embrapa Amazônia Ocidental está desenvolvendo combinação de enxertias de seringueiras para fortalecer espécie
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Embrapa Amazônia Ocidental está desenvolvendo combinação de enxertias de seringueiras para fortalecer espécie

Tecnologia desenvolvida pela Embrapa Amazônia Ocidental, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), permite viabilizar o cultivo de seringueira na Amazônia, a partir de uma combinação de enxertias de seringueira altamente produtivas em látex com clones de seringueira com a copa resistente ao mal das folhas. O resultado são as chamadas “árvores tricompostas”, que têm o potencial de contribuir para tornar competitiva a produtividade de cultivos de borracha natural tanto na Amazônia como em outras áreas do Brasil onde ocorre o fungo causador do mal das folhas.
São chamadas de árvores tricompostas, porque são formadas a partir da composição de três plantas: o plantio inicial é feito a partir de sementes de uma seringueira comum, que depois recebe a enxertia de outra planta de seringueira selecionada pelas suas características de boa produção e qualidade de látex, que irá formar o tronco ou painel; quando a planta atinge o tamanho adequado recebe a enxertia de um clone de seringueira que possui copa resistente ao fungo causador do mal das folhas. A árvore resultante da combinação dessas enxertias consegue sobreviver e manter produção nas áreas onde há a presença do fungo Microcyclus ulei, que até então é o principal limitador para o cultivo racional de seringueiras na região amazônica.
As informações sobre essa tecnologia foram apresentadas pelo pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Everton Cordeiro, e fazem parte de resultados de pesquisas da Embrapa Amazônia Ocidental. As informações foram discutidas com representantes de instituições do setor agropecuário no Amazonas durante o seminário Cultivo e Produção Racional da Borracha no Estado do Amazonas, na segunda-feira (6), na Embrapa Amazônia Ocidental em Manaus.
O objetivo do evento, realizado em parceria pela Embrapa Amazônia Ocidental e Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), foi apresentar esses resultados a representantes de instituições fomentadoras da cadeia da borracha natural no Amazonas, a fim de elaborar uma proposta, em parceria com os diversos setores interessados em alavancar a produção de borracha natural no Estado. A base dessa proposta, inicialmente, é implantar unidades demonstrativas com o plantio racional das seringueiras utilizando a tecnologia das árvores tricompostas, para validação da tecnologia em diferentes regiões do Estado do Amazonas. A Embrapa Amazônia Ocidental está buscando parcerias para a produção de mudas e implantação dessas unidades demonstrativas. O plantio das seringueiras é recomendado para aproveitamento de áreas já desmatadas e também pode ser consorciado com outros cultivos agrícolas de ciclo curto.

Cultivo de seringueira

Durante a abertura do evento, o chefe geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Marcelo Brum Rossi , definiu o momento importante para estabelecer propostas e encaminhamentos à produção de borracha no Amazonas. “Que este seja o início de uma nova jornada relacionada à cultura da seringueira e à produção de borracha no Estado. Este é o momento de avançarmos nesta cultura. A produção racional está sendo feita em outros países e outros Estados, como Mato Grosso, e isso gera uma renda fantástica aos produtores”, disse.
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas, Muni Lourenço , a tecnologia gerada pela Embrapa abre uma perspectiva positiva em relação à produção de borracha no Amazonas, especialmente no que diz respeito à geração de renda e de empregos, além de abastecer indústrias que necessitam deste insumo. “Neste momento empreendimentos industriais estão importando de outros Estados e de outros países um produto que nós poderíamos estar produzindo no Amazonas. Nós estamos engajados no sentido de difundir isso para produtores de todos os portes, pequeno, médio e grande, sobre a oportunidade de negócio com a produção de borracha através do cultivo da seringueira com esta tecnologia”, disse.
O pesquisador Everton Cordeiro ressaltou que o cenário mundial é promissor para a produção de borracha natural, que é matéria prima integrante de mais de 40 mil produtos. “Quando se requer segurança, confiança e qualidade, só a borracha natural confere estas características para o material que se quer produzir. Com o crescimento da indústria no mundo, se requer cada vez mais produtos oriundos de borracha natural. Então a gente não vislumbra a curto, médio e a longo prazo nenhuma alternativa tão interessante quanto a borracha natural para atender a demanda da indústria no mundo”, afirmou.

Plantios devem ser localizados mais próximos das comunidades

O bispo do Alto Solimões, Alcimar Magalhães , presente ao evento, deu um depoimento em relação aos resultados apresentados: “Eu sei a importância que estas árvores representam para a mudança de hábitos e fixação do homem na região. O seringueiro que ainda vai para a mata percorre uma longa distância, ainda tem um resultado muito incerto e está exposto a muitos perigos, razão pela qual ele não quer que o filho dele se dedique a esta atividade. Eu fui seringueiro quando criança e assisti o drama dos seringueiros, em que uns perderam a vida e outros perderam a saúde. Então, juntando os sonhos –a ideia dos pesquisadores de criar seringais mais próximos às comunidades e dar emprego e renda para nossos seringueiros e às novas gerações– nós nos dedicamos a isso e hoje vejo muito mais próxima a realização deste sonho”.
Dom Alcimar cedeu uma área, no município de Tabatinga (AM) para um experimento de cultivo de seringueiras realizado pela Embrapa , durante os últimos doze anos. “O que me motivou a isso é a ideia de contribuir para uma mudança real nas condições de vida dos seringueiros”
No seminário, o pesquisador da Embrapa, Ronaldo Morais, destacou ainda a contribuição da seringueira como alternativa eficiente para fixação de carbono e o pesquisador José Olenilson Pinheiro apresentou os custos de produção para o cultivo de seringueira com essa tecnologia.
A tecnologia para o cultivo racional da seringueira é resultado de mais de 30 anos de pesquisa da Embrapa e tiveram início com o pesquisador Vicente Moraes (já falecido). A seringueira é uma planta perene, que demora 7 anos para começar a produzir, por isso o longo tempo de pesquisa com a experimentação das diversas combinações de clones.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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