Televisor pode ser o próximo item da lista, alerta Sinaees

Em: 25 de maio de 2011
A novela dos tablets inicia mais um capítulo. Quase como o ditado, há mais mistérios entre a MP (Medida Provisória) e a ZFM (Zona Franca de Manaus) ‘do que sonha nossa vã filosofia’
A novela dos tablets inicia mais um capítulo. Quase como o ditado, há mais mistérios entre a MP (Medida Provisória) e a ZFM (Zona Franca de Manaus) ‘do que sonha nossa vã filosofia’

A novela dos tablets inicia mais um capítulo. Quase como o ditado, há mais mistérios entre a MP (Medida Provisória) e a ZFM (Zona Franca de Manaus) ‘do que sonha nossa vã filosofia’. Depois de ter sido editada no início da semana, os representantes da indústria comentam que os interesses da medida vão muito além da produção do dispositivo pessoal em formato de prancheta.
De acordo com o presidente do Sinaees/AM (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a verdadeira intenção por trás da MP foi dar possibilidade para que as empresas nacionais usassem o benefício para fabricar televisores.
Na alteração da Lei 11.196/2005, os tablets foram especificados com uma área superior a 140 cm², assim, para o dirigente, sem limite de tamanho de tela é provável que comecem a produzir televisão como se fosse o dispositivo. Périco avalia que já existem televisões de tecnologia parecida, com o recurso do touch screen.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, confirma a preocupação e ressalta que o Polo pode perder a ‘galinha dos ovos de ouro’ do segmento de eletroeletrônicos, como fizeram com o celular. Segundo ele, por conta da classificação do item de telefonia portátil como bem de informática, a região perdeu de quatro a cinco fabricantes para os Estados de São Paulo e Minas Gerais.
Isso causaria uma ‘parada cardíaca’ na ZFM. Afinal, o segmento eletroeletrônico respondeu por 31,45% do faturamento do PIM (Polo Industrial de Manaus) até março (US$ 2.95 bilhões), do qual, somente o televisor de tela LCD abocanhou 42,96% da fatia, uma quantia de US$ 1.27 bilhão, de acordo com os indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
Outra preocupação é se a medida não deve afetar os planos de empresas, como a Greenworld, Digibrás e Gradiente, que irão investir no Estado para fabricar o tão comentado dispositivo. Conforme e-mail das assessorias, tanto a Digibrás quanto a Gradiente, por hora, não irão se manifestar sobre o assunto.
A reportagem do Jornal do Commercio não conseguiu entrar em contato com a direção da Greenworld. O consultor da empresa, Ozias Santiago, não pode informar a posição da companhia. Entretanto, afirmou que ela já deve iniciar os preparativos para a produção.

Efeito dominó também pode afetar o comércio de Manaus

Embora as indústrias amazonenses sejam as principais cotadas para saírem ‘queimadas’ nesta polêmica, o comércio também pode ficar ‘chamuscado’ na discussão. Périco explica que a saída das empresas do Amazonas impulsiona a perda de empregos e, consequentemente, a queda no nível de renda. Desta forma, acaba impactando no comércio local, que não terá demanda suficiente para se manter.
O vice-presidente da Fecomércio/AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, confirma o temor e avalia que tudo é uma reação em cadeia. Se houver perda de alguns itens, diminuirá o mercado de produção, favorecendo o desemprego e, de uma forma ou de outra, o comércio. “Sem dinheiro, não há como o consumidor comprar”, destacou.
Segundo o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, há necessidades de trabalhar em cima disso, para que o Estado não perca a competitividade com o restante do país, devido a sua deficiência logística.

Determinação política

O dirigente do Sinaees/AM assevera que os representantes da indústria não podem fazer muita coisa, já que a determinação é política. Contudo, eles têm procurado apoiar o governo estadual para encontrar uma solução que favoreça a região amazonense.
O presidente da Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas), Antônio Silva, declara que a entidade, junto a todos os setores produtivos, está tomando as providências cabíveis, neste caso, enviando um manifesto a todos os jornais do Amazonas para alertar sobre o perigo eminente.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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