Por conta do 1° de Maio, Dia do Trabalho; Dia Internacional dos Trabalhadores, ou Festa dos Trabalhadores, um feriado ou descanso remunerado, bem cabem reflexões sobre a significativa data, uma aguda passagem da humanidade quando acata os clamores dos trabalhadores, não sem lutas de toda a sorte, mortes acontecidas, como se aqui se remarca, mas, por oportuno, abordando-se principalmente o que figura como inovações em curso face ao que seria nocivo à atividade dos trabalhadores, a ser alcançada pela popularização dos robôs e da inteligência artificial, impulso que ganha força e causa impactos inegáveis na distribuição do trabalho pelo mundo.
A propósito, apura-se que já na terceira revolução industrial tinha-se o esboço de que a tecnologia aprimorada em uso mostrava as máquinas cada vez mais substituindo os homens. Sobressai que nas multinacionais os inventos dessa ordem são diretamente ligados aos interesses destas, resultando que o trabalhador cada vez mais vem perdendo seus postos nesse processo, tudo bem mais acentuado nos dias que correm, episódio que já se rotula, com propriedade, o que seria a quarta revolução industrial.
Em derredor do tema em questão, na edição de 13/15/04, deste jornal, este articulista assinou matéria intitulada “Solesmãe gentil…”, onde trata da ameaça do desemprego em geral, verbis: “As estatísticas atuais são de apavorar quem depende de sobreviver com o seu trabalho. Olha só: assegura-se que quase 60% dos empregos em curso nos países desenvolvidos estão sob risco de sumir em médio prazo…Mais, invoque-se agora, por exemplo, o que ocorre na China, país tão reverenciado. Pois bem, lá os empregos ameaçados aproximam-se de 80% …Em todo o mundo, esse quadro aponta que cerca de 200 milhões de pessoas em idade de trabalhar, começaram 2019 sem ter uma colocação remunerada.”
Como se vê, a incerteza é manifesta. Disso, colhe-se de fontes renomadas que alguns economistas e sociólogos dão a robotização como inegável ameaça, eis em que, asseguram, haverá a diminuição de vagas para profissões de pouca especialização, na medida em que brotará uma casta de excluídos incapazes de servirem nessa nova economia. Assim será ampliada dolorosamente a distância entre a elite intelectual e os trabalhadores pouco qualificados.
Sucede, entretanto, outros analistas enxergam o progresso tecnológico com otimismo. Para eles, ao contrário, enquanto inúmeras atividades serão superadas, outras se mostrarão para os humanos, posto que crescerá a busca por técnicos capazes de manejar tais recursos satisfatoriamente e profissionais hábeis na interpretação de dados. Por exemplo, se um agente de viagens perde o emprego, contudo o site de viagens contrata um especialista em mídia digitais, e assim por diante, augura-se.
Ainda sobre a efeméride, relate-se que em vários lugares do mundo, inclusive o Brasil, tem-se cerimônias alusivas, sobretudo para relembrar a greve deflagrada em Chicago (EUA), em 1886. E dias depois ali uma outra, em 4 de maio de 1886, resultando na morte de policiais e ativistas, onde mais de 1 milhão de trabalhadores foram às ruas.
Sucede, para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, promoveu-se a Segunda Internacional Socialista, acontecida na capital francesa, em 20 de junho de 1889, criando-se, então, o Dia Internacional dos Trabalhadores, a ser comemorado em 1° de Maio de cada ano. Já em relação ao Brasil, listam-se relatos de que a celebração data desde o ano de 1895. (Continua).
*Bosco Jackmonth é advogado de empresas (OAB/AM 436). Contato: [email protected]






