O mercado de navios de cruzeiros é um dos segmentos atingidos pela epidemia do Coronavírus. A tentativa de atracar em portos fora do roteiro é um dos reflexos observados pelo mundo afora, causado pela doença, que tem ganhado os holofotes nas últimas semanas.
A exemplo, há duas semanas, o navio MS Westerdam, atracou no Camboja com 2 mil passageiros a bordo depois de ter sido rejeitado por cinco portos, com receio de que algum passageiro pudesse estar contaminado.
De acordo com a Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) responsável por 90% das viagens de lazer comercializadas no Brasil, com a atualização constante do status do Coronavírus no mundo, cresce a preocupação da população, de forma geral, quanto aos riscos da doença e, consequentemente, aqueles que têm viagens marcadas, buscam informações junto às operadoras de turismo.
Na capital, um cenário de perdas ainda é considerado prematuro. É o que observa o vice-presidente da Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas), Orlando Câmara. Ele garante que até o momento não há qualquer indício de diminuição no fluxo de turistas. Mas está descartado qualquer prognóstico nesse momento. E que a Amazonastur, junto com o governo estado, está acompanhando o desenvolvimento dessa situação em nível mundial.
“É uma situação que preocupa a todos. Porém, seria irresponsável de nossa parte apontar qualquer prognóstico. O que se sabe neste exato instante é que ela prejudicou as viagens à China e aos países limítrofes. Se as viagens serão replanejadas para outros destinos, ou se as pessoas viajarão menos nesse primeiro semestre, tudo ainda depende de como será o avanço ou não da epidemia, em termos quantitativos e geográficos”.
A temporada de cruzeiros na capital, registrou no domingo (1), a chegada do navio cruzeiro M/S Viking, com mais de 1,3 mil turistas (tripulantes e cruzeiristas). As temporadas obedecem um calendário. Geralmente vão de outubro a maio.
De acordo com levantamento do setor de estatística da Amazonastur, o turistas estrangeiro gasta média $ 75,74 dólares. A atual temporada 2019/2020 começou em novembro do ano passado e encerra em maio deste ano. São 16 navios com cerca de 20,5 mil turistas.
Cenário preocupa
O momento já causa preocupação para alguns comerciantes do Mercado Adolpho Lisboa, que estão atentos aos impactos negativos nas vendas e na diminuição do fluxo de turistas na capital.
O artesão Diego Costa, que possui uma loja de produtos artesanais, diz já sentir uma queda brusca desde que as notícias sobre o coronavírus começaram a ser divulgadas. Ele afirma que o impacto preocupa já que a grande maioria das vendas dos produtos estão ligadas ao fluxo de turistas estrangeiros na cidade.
“Algumas mercadorias têm validade, se não tem fluxo de turistas na cidade e principalmente aqui que é um ponto turístico, essas mercadorias vão se estragar e com isso nos trazer grande prejuízos”.
Ele diz que os comerciantes se preparam para uma possível queda nas vendas. E que pretendem buscar soluções internamente, ou seja, atingir o público local para que as mercadorias tenham giro ou até mesmo ir para vendas on line. “Uma queda neste início de ano representaria perda de aproximadamente de 45 a 50%”, diz ele.
Posicionamento
A Clia Abremar Brasil (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos), que seguem i trabalhando as demandas com o posicionamento oficial da CLIA Global, maior organização comercial da indústria de cruzeiros do mundo, emitiu uma declaração informando sobre o novo surto de coronavírus de 2019 e seu impacto na indústria de cruzeiros no mundo.
“A saúde e a segurança dos passageiros e tripulantes de cruzeiros são a prioridade número um da CLIA e de suas associadas, que representam mais de 90% da capacidade de cruzeiros em todo o mundo”, diz o texto.
Em resposta a mudança de itinerário devido ao coronavírus, “as companhias de cruzeiros associadas à CLIA estão continuamente avaliando e modificando políticas e procedimentos à medida da necessidade. Isso inclui a modificação de itinerários, quando necessário, à luz da evolução das circunstâncias em alguns casos. Recomenda-se aos passageiros de cruzeiros que consultem as companhias através de seus sites para serem informados sobre as orientações mais recentes disponíveis”, continua o texto.
Sobre restrições de rota a CLIA e suas associadas mantêm contato próximo com as principais autoridades globais de saúde, incluindo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, a Organização Mundial de Saúde e outros. Além disso, a CLIA e suas associadas também permanecem em contato com as autoridades portuárias e destinos em todo o mundo para garantir o alinhamento às orientações e procedimentos.
As medidas em vigor a bordo de navios de cruzeiro em caso de doença dos passageiros ou da tripulação a empresa ressalta que a indústria de cruzeiros é uma das mais bem equipadas e experientes no gerenciamento e monitoramento das condições de saúde de passageiros e tripulantes.
As companhias de cruzeiros tomam precauções para realizar a triagem passiva e ativa dos passageiros e da tripulação quanto a doenças antes do embarque, quando as circunstâncias exigirem. Além disso, os membros do CLIA implementam medidas de prevenção e resposta a surtos e seus navios devem estar equipados com instalações médicas, médicos a bordo e em terra disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, para fornecer atendimento médico inicial e impedir a transmissão de doenças.
Alguns procedimentos devem ser adotados para proteger a saúde dos passageiros e tripulantes, pessoal de solo e do público em geral nos portos. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, lembra que “todos os profissionais estão preparados para lidar com a avaliação de casos, seja na área de entrada ou nas unidades de saúde”.







