A costa brasileira está em festa. Este ano está ocorrendo a maior temporada de cruzeiros marítimos de cabotagem da história do país –com início e fim no Brasil. Aberta em 31 de outubro e estendendo-se até 6 de abril de 2008, o circuito abrange 23 destinos entre Santa Catarina e Amazonas. Quatrocentos e trinta mil cruzeiristas chegam aos portos em 14 navios de bandeiras estrangeiras. O número representa 29% a mais do que a temporada passada (2006/2007), segundo a Abremar (Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas).
No ano passado, foram pagos mais de US$ 20 milhões em comissões aos agentes de viagens brasileiros e 330 mil hóspedes embarcaram em cruzeiros marítimos na costa brasileira, representando um acréscimo de 56% de passageiros, em relação à temporada anterior. Entre novembro de 2006 e março deste ano, a venda desse tipo de viagem gerou uma receita bruta de cerca de US$ 202 milhões e mais de 3.700 empregos diretos foram criados.
Esses números animam, especialmente, o segmento de agentes de viagens, em que o assunto recorrente é a perda de receitas. Na temporada 2006/2007, o incremento nos comércios locais onde aportam os transatlânticos de cruzeiros de cabotagem foi da ordem de 40%, segundo a Abremar.
Os 8.000 quilômetros da costa brasileira são a bola da vez no segmento de cabotagem marítima internacional. Além da beleza das praias, do jeito afetuoso do brasileiro de receber e entreter os turistas com atrações que vão desde a gastronomia até a música e danças populares, há um motivo contextual externo que está trazendo navios internacionais e cruzeiristas ao país: os mares do Caribe e do Mediterrâneo estão com sua capacidade saturada, devido ao aumento do fluxo de navios europeus e norte-americanos nos últimos anos.
Agenda dos transatlânticos
O movimento crescente de navios de cruzeiro de cabotagem no Brasil, nos últimos anos, gerou a criação da Abremar em janeiro de 2006. “Estamos trabalhando junto aos órgãos competentes para melhorar a infra-estrutura portuária nas áreas de embarque”, disse Adrian Ursilli, vice-presidente da entidade. Outro trabalho que a Abremar está fazendo é avisar, com antecedência, às autoridades locais sobre a agenda de chegada dos transatlânticos lotados de turistas.
Eles transportam entre 700 e 2.800 passageiros cada um..
Segundo a primeira pesquisa sobre o segmento, encomendada pela Abremar e desenvolvida pela Fipe/USP (fundação de Pesquisas Econômicas/Universidade de São Paulo), o turista de cruzeiro está na faixa etária entre 41 a 50 anos, possui nível superior e renda familiar de R$ 5.000 a R$ 10 mil por mês. Essas pessoas consomem em restaurantes, farmácias, lojas de artesanato e quiosques durante os passeios turísticos. Cerca de metade dos passageiros desembarca nos destinos onde atracam os transatlânticos. Geralmente, ficam em terra por períodos entre nove e 17 horas, tempo suficiente para consumir, curtir praias e visitar atrativos locais.
Infra-estrutura é fundamental para o êxito
“O turista que chega de navio tem a experiência de ‘degustar’ o destino de uma forma exclusiva, o que o estimula a retornar em outra ocasião”, explicou Ursilli. Para receber bem e conquistar os milhares de cruzeiristas que desembarcam nos destinos selecionados pelas companhias e agentes de viagem, é necessário contar com donos ou profissionais de táxis, vans, ônibus, restaurantes, bares, hospitais, guias turísticos que falam inglês, espanhol, alemão e italiano. “Esse mercado é novo e, consequentemente, com o amadurecimento, os destinos crescerão junto com a atividade”, projetou o vice-presidente da Abremar.
Na temporada 2007/2008, os 14 transatlânticos internacionais vão aportar em Angra dos Reis (RJ); Búzios (RJ); Cabedelo (PB); Cabo Frio (RJ); Fernando de Noronha (PE); Florianópolis (SC); Fortaleza (CE); Ilha Grande (RJ); Ilhabela (SP); Ilhéus (BA); Imbituba (SC); Itajaí (SC); Maceió (AL); Manaus (AM); Natal (RN); Paraty (RJ); Porto Seguro







