2014 no comecinho, novas perspectivas, desejos de mudanças e dias melhores. Mas tem gente que prefere voltar no tempo, às coisas boas do passado, aos momentos felizes vividos há dez, vinte, trinta anos, e uma das maneiras dessa volta é através da música.
“E não é só aqui em Manaus que isso está acontecendo. Trata-se de uma corrente forte que está ocorrendo no mundo todo”, disse o DJ Raidi Rebello, que este ano ganhou pela terceira vez, em quatro anos, o prêmio de melhor na categoria flash back, no DJ Sound Award, a maior premiação da Eletronic Dance Music da América Latina.
No Brasil, Raidi explicou que essa tendência da volta ao passado é mais forte porque DJs que fizeram parte da primeira e segunda geração de DJs têm uma vivência muito boa no mundo da EDM e continuam na ativa. “São profissionais que têm prestígio e nome”, completou.
E Raidi fala com conhecimento de causa. Atuando desde o final da década de 1970, quando teve início um grande movimento musical mundial denominado Discoteque, Discoteca no Brasil, depois reduzido para Disco, o DJ realiza festas com as músicas Disco, enveredando, também, pelas novas vertentes surgidas nas décadas seguintes. “A Disco teve início em 1974 e durou uns dez anos, com o boom entre 1978 e 1979. Depois veio o funk americano, na segunda metade da década de 1980 e o Italo House, a Euro Dance e o Techno Music, na década seguinte, ritmos que eu toco até hoje e o público gosta, tanto quem viveu o momento quanto quem nasceu depois, ouviu, gostou e passou a curtir as músicas de todos esses períodos”, explicou.
Dances o ano inteiro
Atualmente Raidi mantém onze festas fixas durante o ano: duas Flash Disco (década de 1970), duas Remember (década de 1980), três Revival Geração 90, e quatro Noite do Flash Back, “além de seis Studio Disco, que é uma festa onde atuo como DJ convidado, sem falar que praticamente todo final de semana estou em alguma cidade do interior no Amazonas e no Pará, realizando minhas festas com flash backs e sons de hoje”, disse. “E todas lotam com um público que vai do adolescente àqueles com mais de 50 anos de idade. Nas casas menores levo de 800 a 1.000 pessoas; nas maiores, de 2.500 a 3.000, e se a casa for maior, vai mais gente. O problema é que Manaus não possui casas tão grandes. Em algumas Noite do Flash Back chegava a colocar 5.000 pessoas, no Olímpico”, lembrou.
Até as iluminações das festas de Raidi são nostálgicas. “Não tenho aquele globo espelhado, que foi o símbolo da Discoteca, mas a bola maluca e o star light, surgidos na década de 1980 eu uso até hoje para dar um ar retrô”, falou.
Mas nem tudo é passado para o DJ. “Não tem mais como usar o vinil. É coisa do passado. Imagina chegar com um toca discos e 50 discos de vinil debaixo do braço numa festa? Isso eu fazia na época da Discoteca. Hoje eu levo um case de DVDs, tipo uma pasta, no qual são armazenados cerca de 150 DVDs com 15 vídeos cada. Minhas festas todas são com música e vídeo”. Entre os equipamentos, Raidi possui seis DVJ 1000, o toca disco a laser mais moderno em tecnologia multi-mídia, e três mixadores SVN 1000, o número um quando se trata de áudio e vídeo.
“Concordo que a qualidade do som do vinil é indiscutível, mas para trabalhar ele não é prático. Tenho um acervo de 6.500 vinis em casa, mas vinis de locais onde trabalhei. Tenho muito ciúme deles, pois fiz muitas festas com a maioria daqueles discos. Penso que uma volta ao passado é boa, se você se sente bem com isso, mas não devemos deixar de olhar adiante, pra frente. Veja que eu toco músicas do passado, mas venho acompanhando o desenvolvimento dos novos estilos, ao longo das décadas, procurando descobrir e atender aos gostos das novas gerações. Acho que é por aí”, ensinou.
Pra quem gosta
Os Long Plays (LPs) foram por décadas a forma popular de se ouvir música. Com o passar do tempo, surgiram diferentes maneiras de escutar música, colocando o disco em desuso. No entanto, nos últimos anos a vitrola voltou repaginada com novos dispositivos tecnológicos.
Os novos modelos têm design retrô, inspirado nos anos 50 e 60, e são equipados com vários recursos. Além de serem usados para os LPs, os toca discos mais modernos possuem leitores de CD, USB, docks para iPhone e ainda convertem as faixas para o formato digital.
Entre os mais curiosos estão o toca discos de parede e modelos inspirados pelo Gramofone e pelo Spinnerette, em formato de mala. A vitrola mais simples é equipada com saída RCA, entrada USB, conexão para fone de ouvido e conversor digital. Já as mais sofisticadas, além das funções anteriores, leem CD e fita cassete, sintonizam AM e FM e possuem controle remoto.
Artistas como Pitty e Vanguart, lançaram recentemente trabalhos em LPs, levando a tradição do toca discos para uma geração que cresceu ouvindo falar dos famosos “bolachões”. Mas como a tecnologia está sempre um passo à frente, a vitrola já pode ser encontrada até dentro do smartphone. O aplicativo Vinyl simula o som antigo do disco, proporcionando a sensação de nostalgia ao usuário, que pode matar a saudade dos velhos tempos de uma maneira bem moderna.







