Terapia gênica é opção para combate ao câncer

Em: 14 de fevereiro de 2010
No Brasil, ainda não há protocolo clínico para o uso de terapia gênica. Mas, em países como EUA e China, a técnida já é aplicada
No Brasil, ainda não há protocolo clínico para o uso de terapia gênica. Mas, em países como EUA e China, a técnida já é aplicada

Um tratamento capaz de reduzir o avanço do câncer e combater as células tumorais é a esperança de milhares de brasileiros. A terapia gênica ainda está em desenvolvimento no país, mas em dez anos de pesquisa já apresenta resultados animadores. O Departamento de Biologia Celular e o ICB (Instituto de Ciências Biomédicas) da USP (Universidade de São Paulo) já pediram o registro de patente de dois vetores para o tratamento genético em células cancerígenas.

A terapia gênica é o uso de uma sequência de DNA capaz de consertar genes de células defeituosas. “Todas as células seguem um ciclo: nascem, se reproduzem e morrem. As células tumorais são as que ‘insistem’ em continuar se multiplicando e não morrem. A terapia gênica busca agir diretamente nas células defeituosas”, explicou a professora e pesquisadora da USP Eugênia Costanzi-Strauss.

Os vetores desenvolvidos pelos pesquisadores são vírus que infectam as células afetadas do paciente. Funcionam com um veículo para transferência de gene terapêutico que funciona como remédio. Ao chegar à célula-alvo, entrega a sequência de DNA que faz reparos na estrutura.

Além de Eugênia, mais seis professores de diferentes laboratórios atuam no grupo de pesquisa de Biologia Molecular da Célula. A USP é a primeira instituição brasileira a montar os vetores terapêuticos, tratar as células em cultura e trabalhar com modelos animais. “Nosso foco é levar o conhecimento do laboratório para as clínicas. Os resultados que atingimos são bastante animadores”, garantiu Eugênia.

Protocolo clínico

No Brasil, ainda não há protocolo clínico para o uso da terapia gênica. Mas, em países como EUA e China, a técnica já é aplicada. Os pesquisadores brasileiros fazem ensaios para associar o novo tratamento aos quimioterápicos. Segundo Eugênia, a velocidade de crescimento dos tumores tratados com os vetores terapêuticos é três vezes menor que os dos outros cânceres. “Isso permite que a dose de quimioterápicos seja menor e tenha os mesmos efeitos. O paciente fica forte e sofre menos com os efeitos adversos da quimioterapia”, avaliou.

Existem diversas técnicas para que os pacientes com câncer recebam o vetor viral que vai agir diretamente nas células tumorais. Os procedimentos mais comuns são aplicação direta sobre o tumor e aplicação dos vetores virais no organismo depois da retirada do câncer.

Os pedidos de patentes feitos pela USP colocam a instituição em destaque. “Há muitos desafios para o avanço do país nessa área. O Brasil está pelo menos dez anos atrás dos outros países”, ressaltou a professora.

Tumor no pulmão é o mais comum dos casos

A USP tem equipamentos e profissionais qualificados para produzir os vetores e montar protocolos capazes de aplicar o conhecimento do laboratório no paciente. “A terapia gênica é vista como remédio. É um mercado em que a indústria farmacêutica e as universidades precisam investir mais. Só assim podemos produzir vetores que atendam à especialidade da nossa população”, destacou.

O grupo de pesquisa do Departamento de Biologia Celular e do ICB desenvolve vetores virais para tratamento do câncer de próstata, pulmão e do sistema nervoso. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o tumor no pulmão é o mais comum dos os cânceres malignos. Este ano, a estimativa é a que 27,6 mil pessoas desenvolvam a doença. Já o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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