A alternativa encontrada pela fabricante de artigos eletroeletrônicos Flex para fugir da retração de mercado, que atingiu fortemente o PIM (Pólo Industrial de Manaus) a partir do quarto trimestre de 2008, é aproveitar o novo cenário desenhado pela valorização do dólar para buscar novos clientes fora da capital amazonense.
A terceirizadora de manufatura argumenta que, se por um lado a mudança de sinal do câmbio trouxe incremento de custos para a indústria, graças ao encarecimento os insumos importados, por outro inibiu a importação de produtos eletroeletrônicos acabados pelos portos do Centro-sul brasileiro, como São Paulo, Bahia e Espírito Santo.
Números do Banco Central informam que, de 1o de agosto de 2008 a 1o de fevereiro, a moeda americana saltou 50% – de R$ 1,56 para R$ 2,34 –, tendo oscilado em torno de R$ 2,20 ao longo do mês. Interessante para marcas internacionais com plantas na China, a importação de produtos prontos, principalmente na linha de áudio, foi desfavorável para as fábricas da ZFM (Zona Franca de Manaus) em 2008.
“Tudo na vida tem um lado bom. Com o dólar mais caro, muitas empresas de outros Estados passam a cogitar a possibilidade de começar suas operações na ZFM. Estamos trabalhando para trazer quem não está no pólo, ou pelo menos para que passem a utilizar nossos conjuntos e subconjuntos”, declarou o sócio-proprietário da Flex, José Renato Alves.
A firma informa que, desde meados de 2008, se encontra em conversações com pelo menos 12 fabricantes de eletroeletrônicos que não estão na ZFM (Zona Franca de Manaus). Nos últimos meses, os efeitos da crise congelaram as negociações, mas o empresário disse que espera colher frutos da transação comercial a partir do segundo semestre. A expectativa para 2009, no entanto, é que os números se mantenham iguais aos do ano passado.
Recuo
A empresa não revela os dados de 2008, mas informa que o desempenho foi de queda. A Flex destaca, contudo, que, de outubro a fevereiro, os níveis de produção caíram 40% em virtude da retração da clientela. Por conta da crise, a companhia foi obrigada a demitir metade de seus funcionários. O contingente recuou de 1.600 para 800 empregados, sendo 50% de temporários.
A fábrica, que hoje atende 40 organizações do pólo, também perdeu clientes, embora não mencione quantos. Segundo o empresário, a retração no fluxo de negócios foi menos sentida em produtos com menor custo e valor agregado, a exemplo de aparelhos de som, itens que no ano passado sofreram concorrência acirrada dos importados.
“As empresas que atuam com terceirização de manufatura sofreram muito com a crise. Muitas tiveram de continuar recebendo insumos do exterior, mesmo quando havia sinalização da clientela de parar a produção. O problema é que contratos para a compra de componentes são semestrais e não podem ser cancelados de uma hora para outra”, finalizou.
Fábrica é pioneira em seu ramo de negócios na capital amazonense
Pioneira em serviços de terceirização de montagem de manufatura, a Flex está instalada no PIM há 24 anos e conta com ISO 9002 desde 1998. A companhia participa da terceirização de diversas empresas da ZFM no segmento eletroeletrônico para montagem de placas, além de atuar também na indústria de informática.
Possui parque para a industrialização automatizada de placas de circuitos impressos montadas e seus produtos, tanto na tecnologia convencional, quanto em SMD. A manufatura está distribuída em duas unidades, de 4.048 metros quadrados (placas) e 8.500 metros quadrados (sub-conjuntos, produtos finais e almoxarifado), que contam com investimento de US$ 30,97 milhões, segundo a Suframa.
A firma também possui inscrições de comércio importador e Corredor de Importação. Segundo José Renato Alves, na época de elaboração do projeto e inicio de operações da fábrica, a idéia era trabalhar com usinagem e retífica. A escolha pelo segmento eletroeletrônico veio mais tarde, quando a empresa detectou demanda por serviços praticamente inexistentes no pólo na época.






