Terremotos

Em: 8 de fevereiro de 2018
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Nos últimos tempos a natureza vem assustando a humanidade com toda a sorte de mudanças climáticas e estruturais que se possa imaginar. São furacões que não se esperava, inundações ou secas de porte inimagináveis, até mesmo terremotos e vulcões voltando a rugir com suas lavas e cinzas mostrando que não se deve mexer com a estabilidade e o equilíbrio da natureza.

Da mesma forma com que brinca com este equilíbrio natural, os seres humanos ainda não conseguiram levar a sério o quanto é importante manter o equilíbrio econômico em cada sociedade e no mundo como um todo. E até mesmo o quanto é perigoso quando se provoca este desequilíbrio de forma irresponsável, levando a consequências difíceis de mensurar.

Os exemplos existem às rumas no mundo moderno, desde a grande depressão nos anos 30, quando a brincadeira monetária de um país que desde então foi o grande dominador das finanças mundiais, levou o mundo globalizado a um período de desgraças, sofrimento e obrigou a uma mudança na própria forma de fazer economia.

Não satisfeitos, os próprios norte americanos forçaram a barra em 2008 e com uma política insensata de estímulo ao mercado imobiliário passando dos limites do equilíbrio, levaram novamente a uma crise iniciada nos Estados Unidos e levada a todo o mundo globalizado. Provou-se que mesmo com o tempo não se aprendeu a respeitar o equilíbrio econômico, a velha teoria de Adam Smith com a ajuda de Keynes que sustentava que o estado deveria ser mero ajudante no equilíbrio, jamais o ator principal.

Esta semana acontece mais uma queda violenta na Bolsa de Nova York, levando mercados de todos os continentes a sofrerem abalos, alguns com menores sofrimentos outros um pouco mais, porém mais uma vez a máxima se mostrou: quem manda na economia ainda é o gigante Tio Sam. Devemos então nos perguntar por qual motivo, com todo o avanço tanto na área tecnológica quanto no conhecimento de todos os setores, principalmente em termos econômicos, ainda nos tornamos tão vulneráveis a situações deste porte?

Logicamente uma explicação para este fato não é algo tão simples, mas os números exibidos nas bolsas durante estes últimos dias mostra não apenas a insegurança humana quanto a sua voracidade quanto ao seu desejo insano de poder e riqueza. Nem mesmo os maiores teóricos do capitalismo ou socialismo que iniciaram os estudos da economia moderna poderiam vislumbrar as lutas travadas entre investidores de papeis, que visam resultados imediatos e cada vez maiores independente de consequências que tragam para o sistema como um todo.

A questão das bolsas e da essência do sistema econômico atual, que leva a desequilíbrios como este que presenciamos novamente, está neste descaso dos investidores com o custo benefício de suas decisões quando resolvem comprar ou vender papéis na bolsa, baseados em especulações boas ou não, que podem simplesmente levar um ou mais países a situações econômicas críticas. O produto então independe de qualidade, tempo ou capacidade técnica, passando a resultar pura e simplesmente da vontade de um grupo de querer ou não provocar PREÇO, mesmo que esta atitude ao sair do controle, leve ao desequilíbrio e por consequência à crise e até mesmo à quebra.

Trabalhar com um sistema econômico cada vez mais globalizado e cada vez mais dependente de vontades políticas e ideológicas, além de ficar mais complicado exige um grau cada vez maior de coerência e de capacidade intelectual e técnica, não apenas para entender o processo, mas de participar do mesmo no sentido de tentar evitar a quebra do equilíbrio e a inevitável onda de problemas que quebram empresas, empresários, países como se fosse um TERREMOTO.

Orígenes Martins

É professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio
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