Uma vez roqueiro, sempre roqueiro, ainda que o passar da idade promova um controle de qualidade e o gosto pelo som se torne mais refinado. Assim o músico e advogado, Ehud Abensur, após muito tempo dedicado ao heavy metal, resolveu abraçar um estilo mais radiofônico e suave de tocar. Daí veio a ideia de formar a The Black Kaps, um nome que já entrega as influêcias da banda, os cariocas da Renato e Seus Blue Caps entre outros medalhões pop brasileiros. Além de Ehud a banda é composta por Carlos Neto (voz e guitarra), Rodrigo Nowak (baixo), Cris Garcia (voz) e Sérgio Henrique (voz e bateria).
O som e a ideia dos músicos da The Black Kaps é compor músicas retrô, uma forma de homenagear as décadas passadas, explica Ehud. “A The Black Kaps é um projeto meu motivado pela primeira composição minha que se chama ‘Mônica’ em homenagem a minha esposa. Antes disso, foram muitos anos tocando heavy metal. Até que resolvi enveredar por um outro estilo de música, bem mais suave, retrô mesmo, tipo baladas dos anos de 1960, 1970 e 1980, coisa de quem vai amadurecendo e vai passando a selecionar melhor o que faz na vida”, ensinou.
O guitarrista Carlos Neto faz coro com Ehud quanto ao estilo escolhido. “Em uma conversa Ehud havia falado em ‘aposentadoria’. Sabe aquela conversa de que ‘papagaio velho não aprende a falar’?. A coisa estava assim, então resolvemos tentar algo diferente, que atingisse um público maior. Ele topou e começamos a compor para a The Black Kaps”, disse Neto.
As composições
O CD de estreia da The Black, leva o nome da banda e vem sendo gravado desde 2014, pouco tempo depois da formação da banda, quando Ehud achou que era hora. Bancando os próprios custos, ele e os companheiros entraram no E.S.P. Studios, do Eddie Souza, líder de outra banda, a Jack Daniel’s, e também produtor musical. O CD é composto por dez músicas. “Uma das músicas, ‘Estar com você’ fala sobre autismo e, no ano passado, numa matéria que a Band fez sobre o assunto, tocou inteirinha”, lembrou.
Segundo Ehud, uma música é como um filho, não tem como gostar mais dessa ou daquela. “A primeira que fiz foi ‘Mônica’, para a minha esposa. A partir dessa foram vindo as outras, como ‘Linda flor’, que fiz para minha filha. Tem ainda a ‘Vai dançar’, lembrando a ex-presidente Dilma, composta naquele momento de efervescência política no país”, falou. E na hora de compor, o músico conta com a parceria de Carlos Neto.
“O Neto é o maior parceiro de composições que tenho, ele entende todas as minhas ideias e desenvolve-as como ninguém, ele é super criativo e versátil, é um dos maiores músicos que já lidei. Com simplicidade ele transforma as ideias em grandes sons, com arranjos e etc. Eu componho o esqueleto da música, a melodia vocal e as letras, o Neto arranja e me ajuda com toques tipo tons melhores pra cantar e timbres”, ressalta Ehud. Sobre a força de composições mais maduras, Neto tem algumas palavras. “Um casal amigo passava por grandes dificuldades e quando uma de nossas composições saíram do estúdio, eles tiveram o primeiro contato com a harmonia e as letras. Vimos a diferença que a música fez, sacamos que estávamos tocando o coração das pessoas e que a música tem o dom de mudar vidas”, comenta o compositor.
Dificuldades
Nenhum dos componentes da The Black é um adolescente empolgado por fazer algum tipo de som. Ao contrário. São ‘tiozões’ com gostos refinados tanto no som que fazem quanto na música que tocam. Carlos está cursando Administração, Cris já é administradora, Rodrigo é músico e Serjão é professor e diretor de uma escola. Completando a banda, Ehud, advogado, canta e toca violão e guitarra. E ainda compõe as músicas da banda.
Mas as dificuldades são as mesmas de qualquer banda iniciante e o veterano Ehud está lá para resolver. “Eu patrocino a banda desde o início, arco com os ensaios, gravações, transporto o pessoal para as gravações e deixo todos em casa.
Arrumo as aparelhagens para nossas apresentações e na contraprestação eles não me cobram os arranjos que fazem nas músicas. No final eu registro a música no nome de todos”, disse.
Um sinal de como é árduo o caminho de quem trabalha com música em Manaus, é esse lançamento tardio do primeiro CD de Ehud, já a frente da The Black Kaps e com 30 anos de carreira. “Na Anestesia, banda de thrash metal fundada em 1987, chegamos a gravar um demo com três músicas, em 1988.
Mas aí o dinheiro nunca dá para gravar um trabalho mais profissional, e o tempo vai passando, passando, quando damos conta já estamos casados, com filhos, e é isso”, contou. E acreditem, a Anestesia ainda está na ativa, tendo Sérgio Henrique, o baterista e fundador, entre seus integrantes.
Show de lançamento
O lançamento do CD está previsto para o primeiro dia de novembro no Rock’n’Burguer, conta Ehud. “Depois iremos fazer como toda banda local faz quando grava um trabalho: vende os CDs durante os shows e até isso é complicado porque somos uma banda autoral e os bares que tocam rock em Manaus só querem apresentar bandas covers”, reclamou. Empolgado como no dia em que tocou uma guitarra pela primeira vez na vida, enquanto divulga o primeiro CD, Ehud já trabalha o próximo. “Estamos indo ao estúdio gravar as primeiras músicas. Para o próximo, também temos dez músicas inéditas. Até o ano que vem ele será lançado”, garantiu. O Rock’n’Burguer fica na avenida Duque de Caxias, 1791 – Praça 14






