‘Todos nós vamos ter que estar envolvidos’

Em: 27 de setembro de 2018
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Um cumpridor de missão. Assim se pode definir o coronel Walter Cruz que agora assumiu mais uma. A de reduzir os índices de violência no estado do Amazonas e trazer a deseja tranquilidade para a população. Para alcançar mais essa meta, o coronel vai contar com o Programa GuardiAM 24 que deverá ser implantado no Estado. O programa é o resultado na prática da consultoria do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. O coronel Walter Cruz vai ser o coordenador do Programa que ataca a violência em várias vertentes, inclusive na Educação.

Jornal do Commercio – Secretário, o que é o programa GuardiAm 24 horas?

Walter Cruz – o GuardiAM 24 horas é um programa de Governo que nasceu como resultado da consultoria feita pelo ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giulianni. O grande objetivo do programa é reduzir a criminalidade no Estado do Amazonas e trazer tranqüilidade para a população em geral. Ele já foi utilizado com sucesso em Nova York e em Medellin, na Colômbia. Ele se baseia em quatro ferramentas que são tecnologia, inteligência, treinamento e integração. É com essas ferramentas que nós vamos preparar nosso policial para enfrentar as mazelas causadas pela violência que tanto afeta a vida do nosso povo. A violência decorre hoje de alguns fatores, como por exemplo, o desemprego que faz com que muitos pais de família se tornem incapazes na hora de levar o sustento de sua casa, a desagregação familiar que está muito presente com a falta de respeito que muitas vezes marca o relacionamento dentro do seio familiar. Os filhos não respeitam os pais e vice-versa. Outra causa dessa violência vivida nos dias atuais é o nosso sistema educacional atual. É preciso repensar esse sistema. Lembro, como se fosse hoje, que nas escolas havia um patriotismo maior, um respeito pelos professores e uma valorização da escola pública. Sentíamos orgulho de estudar num IEA ou num Colégio Estadual ou ainda numa Escola Técnica. Temos que trabalhar os efeitos dessa violência, que é a criminalidade, as facções e o crime torpe, utilizando as quatro ferramentas.

JC – Como fazer isso?

Cruz – É preciso combater o crime com tecnologia. Não se pode mais se pensar somente no papel. Temos que usar outras ferramentas como as redes e mídias sociais, a internet e até o Skype. Outra forma de combate ao crime é usar a inteligência. Usar o informante disfarçado com boné e óculos escuros, dentro de uma comunidade para descobrir quem é criminoso é uma prática que precisa ser modernizada. Hoje tem que se utilizar os filtros de informação utilizando principalmente os grampos telefônicos. É preciso ter uma integração com outros órgãos que nos possam passar informações sobre movimentações financeiras e até o enriquecimento ilícito. E como terceira peça fundamental para o combate aos criminosos, elegemos o treinamento. O nosso policial precisa estar bem treinado e capacitado para operar todas as tecnologias que vão ficar á disposição dele. Do que adiante uma viatura super equipada com tecnologia de ponta se o policial não souber usar?. Por isso considero o treinamento como a alma da instituição. Como quarta ferramenta temos a integração. Não existe trabalho policial se não houver uma integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Técnica , Bombeiros, Detran, Secretaria de Educação, Exército e Polícia Federal. Precisamos também contar com o Poder Judiciário, Ministério Público, Imprensa e até as Igrejas. Se todos estiverem unidos fica mais fácil combater o crime.

JC – Secretário, qual a diferença para o Programa Ronda no Bairro?

Cruz – O Programa Ronda no Bairro começou comum grande investimento que tinha como foco as viaturas. O policial ficava dentro dos carros. Com o passar do tempo, os investimentos financeiros foram diminuindo, até por causa da grande crise que o país sofreu. Além disso, houve uma certa politização do programa quando foi estendido para o interior. Aconteceu de se deslocar, sem o devido planejamento, as equipes para o interior e com isso desguarnecer o programa na capital. Sem o aporte de recursos humanos faltou gente e o programa praticamente sucumbiu. Por isso, também se faz necessário concurso público para repor os mais de duzentos policiais que deixam a corporação todos os anos. O GuardiaAM 24 é diferente por que começa ouvindo os policiais. A primeira fase do programa que foi o diagnóstico já foi concretizada. Esse relatório já foi distribuído e lido por todos os entes que fazem parte do Sistema de Segurança Pública e agora entramos na segunda fase que é a criação de equipes multidisciplinares. Cada equipe tem um líder que vai para sua instituição o para ouvir os policiais e descobrir qual o projeto, dentro das quatro ferramentas, que é prioritário. Com essas informações vamos aguardar o retorno da consultoria, que deve acontecer dia 15 de novembro para formatar uma cronograma de implantação dos projetos.

JC – Secretário, como o GuardiaAM 24 horas vai se integrar com a comunidade?

Cruz – quando eu fui comandante do CPA Leste 2009/2010 nós desenvolvemos um trabalho visando obter o décimo quarto e décimo quinto salário que naquele momento foi instituído pelo governador da época como prêmio de produtividade. Uma das tarefas que nós tínhamos, era de fazer contato com os conselhos comunitários e ao escutar os conselhos comunitários fazer um trabalho em parceria, trabalhando na mancha criminal. Muitas vezes, alguns crimes não detectados de imediato pela mancha criminal. Quer ver um caso, o estupro. Nem todo mundo tem a coragem lá e ter a iniciativa de denunciar. O estupro é um crime terrível é um crime que traumatiza as pessoas. Muitas das vezes a família não vai lá registrar esse crime. Então, esse crime não é denunciado, mas se você ouve o conselho comunitário vai verificar que aconteceu o fato. Até por que as pessoas da comunidade sabem até quem cometeu. È comum alguém falar, olha na minha rua o Fulano que é temido lá ninguém quer denunciar é o estuprador. Esse trabalho de aproximação com os conselhos comunitários deu tão certo que nós conseguimos ser o primeiro em redução de crimes. Uma pena que extinguiram os conselhos. Era uma peça fundamental. Nós vamos reativar os conselhos comunitários.

JC- Como a educação pode ajudar nesse programa?

Cruz – Além do Brasil, a consultoria executou um trabalho na cidade de Medellin, na Colômbia. Lá, eles conseguiram reduzir a taxa de crimes que era de 300 homicídios por cem mil habitantes. Esse índice caiu para 29. Transformou a cidade num grande destino turístico. Grtaças às ações na parte educacional. Nós queremos também atuar nessa direção. Vamos ter como exemplo as escolas militares. Além disso, temos as iniciativas comunitárias. Uma com sucesso é aplicada por um militar na Zona Leste. A escola será um ponto de referência em respeito e disciplina. É assim que vamos trabalhar.

JC – O GuardiaAM 24 horas vai abordar outros problemas da segurança como presídio e fronteiras?

Cruz – Com relação aos presídios eu vou instituir uma comissão menor porque é um assunto só, para a gente trabalhar os projetos para os presídios. A ressocialização, a questão da audiência virtual, da questão de construção de novos presídios. Também vamos abordar na terceira fase do programa a questão das fronteiras. É um tema complexo. Quando eles voltarem, vão viajar para fazer o diagnóstico. Eles devem passar por Tabatinga por Tefé e eu estou sugerindo Santo Antônio do Içá. O que muita gente não sabe é que essas cidades é uma rota de passagem de drogas. Essa droga vem toda da Colômbia e aí você sabe nós temos mais ou menos 3.900 kms de fronteira, o que torna um trabalho muito duro a monitoramento de toda essa área. Por isso, precisamos unir forças nessa ação. Vamos buscar parcerias com o Exército, a Aeronáutica a Marinha, O Ministério Público, a magistratura, as prefeituras, as igrejas. Todos nós vamos ter que estar envolvidos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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