Tour revela bastidores do Jornal do Commercio

Em: 16 de outubro de 2025
Projeto abre as portas do jornal mais antigo da Amazônia, permitindo que o público conheça sua história e o processo de impressão.

No próximo dia 2 de janeiro de 2026 o Jornal do Commercio completará 122 anos de existência consolidado como o jornal impresso mais antigo da Amazônia, em circulação. Nesses mais de um século, o JC nunca deixou de estar na casa dos manauaras publicando fatos sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia e a cada ano trazendo novidades para seus leitores.

Este ano, como parte das comemorações dos 356 anos de Manaus, o Jornal do Commercio abre as portas para seus leitores inaugurando o projeto ‘Tour pelo JC’, uma viagem no tempo na qual o visitante poderá conhecer as dependências do jornal, o acervo com edições antigas e as máquinas rotativas, que imprimem o JC de segunda a sexta-feira.

“Tínhamos esse rico acervo guardado em nossas dependências há décadas. Desde que o CEO Sócrates Bomfim assumiu a direção do jornal, em 2019, ele decidiu que o JC tinha que estar cada vez mais próximo da população manauara e de seus leitores”, falou Simone Medeiros, coordenadora do projeto.  

“O Jornal do Commercio é um patrimônio de Manaus, do Amazonas e da Amazônia e precisa ser conhecido pelas pessoas que aqui vivem. Daí surgiu a ideia de criar o ‘Tour pelo JC’, que interessa não só aos historiadores, mas a qualquer pessoa que queira saber como o jornal sai do computador para o papel”, completou.

 

Duas impressoras

Desde que começou a trabalhar no JC, em 2019, Simone iniciou o trabalho de pesquisa, busca em arquivos e nos depósitos da empresa encontrando preciosidades que estavam esquecidas, como uma edição de novembro de 1905, e caixas cheias de fotos antigas constando datas e autores, profissionais que trabalharam no jornal ao longo das décadas.

“Como essa edição, de 1905, não pode ser manuseada devido à idade, pretendo mandar reproduzir as páginas e emoldurar em vidro, para que as pessoas possam vê-la em sua plenitude”, adiantou.  

O tour começa pela redação. Antes da internet, as redações dos jornais de Manaus chegavam a reunir mais de 100 profissionais, entre jornalistas, fotógrafos, diagramadores, revisores, colunistas, articulistas e motoristas, trabalhando desde as primeiras horas da manhã até à noite, muitas vezes até de madrugada. Há alguns anos quase todo mundo trabalha em home office e o número de profissionais reduziu bastante.

Quando o jornal foi fundado, em 1904, pelo comerciante e major português Joaquim Rocha dos Santos (1851/1905), a impressora era considerada uma das mais modernas da época, apesar de não se saber de sua marca ou procedência. Naquele mesmo ano o litógrafo americano Ira Washington Rubel havia desenvolvido a tecnologia de impressão offset (sistema modernizado e usado até hoje) em substituição à impressão litográfica, bem mais trabalhosa. Naquele período Manaus vivia o ápice da economia com o comércio da borracha e não é difícil que Rocha dos Santos tenha trazido uma impressora offset dos Estados Unidos.

Atualmente o JC possui duas impressoras: uma americana Goss Community, de 1988, e uma NBG, de 2011, de fabricação indiana, adquirida em 2022, cuja principal diferença em relação à Goss Community é a velocidade.

“Enquanto a Goss imprime 18 mil páginas por hora, a NBG roda 35 mil páginas”, informou Odercley Carvalho, impressor e chefe da oficina.

O que poucas pessoas sabem é que o primeiro jornal a imprimir colorido, em Manaus, foi o Jornal do Commercio.

“Em 1990, exatamente para testar essa capacidade da Goss Community, foi feito um teste. Era ano de Copa do Mundo e demos o destaque para esse evento, na capa. Ocorre que imprimir colorido era, e é, um processo muito caro, então, naquele momento, a impressão colorida ficou apenas no teste”, explicou.

O que poucas pessoas sabem é que o primeiro jornal a imprimir colorido, em Manaus, foi o Jornal do Commercio.
O que poucas pessoas sabem é que o primeiro jornal a imprimir colorido, em Manaus, foi o Jornal do Commercio.

Homenagem aos fotógrafos 

Outro momento do ‘Tour pelo JC’ é uma visita ao acervo onde estantes guardam edições encadernadas desde 1905.

“Temos essas edições encadernadas até 2017. Em 2019 todo o acervo foi digitalizado e está disponibilizado, para os assinantes, no Portal JC”, lembrou Simone.

Sobre as fotos encontradas dentro de caixas, todas estão passando por processo de higienização para posterior catalogação e exibição.

“Pretendo montar um grande painel com essas fotos, as mais significativas, constando a data e seu autor, informações que várias delas possuem no verso. Muitos desses fotógrafos ainda devem estar vivos, ou mesmo seus familiares, e acho que se emocionarão ao ver seu trabalho reconhecido, mesmo depois de anos”, disse.  

“Hoje estamos convidando pesquisadores e historiadores para virem fazer o tour, mas a partir de novembro, qualquer pessoa que desejar poderá fazê-lo. Basta agendar visita pelo 2101-5500, às terças e quintas-feiras, em horário comercial. O tour é gratuito”, avisou.

O Jornal do Commercio ocupou dois prédios na av. Eduardo Ribeiro, um (de 1904 a 1916) onde hoje funciona a Casas Bahia, e outro, onde está atualmente a Lojas Renner (1916 a 1942 e depois, com um andar a mais, de 1943 a 1982) num casarão (posteriormente demolido) ao lado do Manaus Shopping Center. Desde 1984 o JC está localizado na av. Tefé, 3025 – Japiim. 

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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