Trabalhadores rejeitam proposta para suspender greve nos Correios

Em: 6 de outubro de 2011
Pelo menos 24 dos 35 sindicatos da categoria, incluindo o do Amazonas, descartaram proposta acordada no TST
Pelo menos 24 dos 35 sindicatos da categoria, incluindo o do Amazonas, descartaram proposta acordada no TST

A greve dos trabalhadores dos Correios vai persistir pelo menos por mais esta semana. A proposta discutida em audiência no TST (Tribunal Superior do Trabalho) foi rejeitada, ontem, por 24 sindicatos dos trabalhadores dos Correios, inclusive pelos trabalhadores amazonenses. Para a greve terminar, pelo menos 18 dos 35 sindicatos em todo o Brasil deveriam ter aceitado a proposta.
Segundo informações do secretário-geral da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios), José Rivaldo da Silva, os 24 sindicatos que negaram a proposta são do Acre, Amazonas, Bahia, Campinas (SP), Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Santa Maria (RS), Santos (SP), São José do Rio Preto (SP), São Paulo, Sergipe, Uberaba (MG) e Vale do Paraíba (SP).
O presidente do Sintect-AM (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Amazonas), Afonso Rufino, informou que seria muito difícil os sindicatos aceitarem. “Essa proposta é pior que aquela que deflagrou a greve, não tem condições para nós aceitarmos uma proposta dessas”, avaliou.
Um dos grandes impasses para os trabalhadores conseguirem firmar acordo, está no desconto dos seis dias de greve. Na proposta dos Correios feita em audiência no TST, os seis dias que foram descontados seriam devolvidos aos trabalhadores já na próxima segunda-feira, dia 10, e passariam a ser descontados em doze parcelas, a partir de janeiro de 2012. Os outros dias de paralisação seriam compensados com trabalho em finais de semana e feriados. A proposta de conciliação previa ainda a reposição da inflação de 6,87%, retroativo a agosto, e um reajuste linear de R$ 80 a partir de outubro.
Até segunda-feira, dia 10, trabalhadores e Correios deverão tentar nova conciliação. “Se não houve aprovação da proposta de conciliação, o passo seguinte é o encaminhamento imediato do processo ao Ministério Público do Trabalho para emissão de um parecer. Em seguida, o sorteio de um relator e o julgamento que poderá ocorrer na próxima semana ainda”, declarou o presidente do TST, ministro João Oreste Dalazen, segundo reportagem do G1.

Correspondências paradas

Em todo o Brasil, 136 milhões de correspondências estão paradas desde o início da greve, dia 14 de setembro. No Amazonas, pelo menos 15 milhões devem estar nessa situação. Segundo o Sintect-AM, a paralisação atinge principalmente os operadores de triagem e os carteiros.

Sem novas propostas, greve segue por tempo
indeterminado

A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) não apresenta mais propostas aos bancários há 13 dias.
Para o presidente do Seebam (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Amazonas), Nindberg Barbosa, “este ano a Fenaban está mesmo demorando a apresentar novas propostas pra gente”. Segundo o presidente, o tempo médio de recebimento de novas propostas era de três dias nos anos anteriores.
Dentre os bancos que ainda estão funcionando estão quatro do Banco Itaú (da Av. Djalma Batista, do Manauara Shopping, e dos bairros Compensa e Parque Dez) duas agências do Banco do Brasil (das Avenidas Djalma Batista e Tefé). Todas as agências do Bradesco estão funcionando normalmente.

Servidores da Justiça do Trabalho também paralisam

Desde o dia 4 de outubro, servidores do TRT 11 (Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, que tem jurisdição nos Estados do Amazonas e Roraima) começaram a paralisar seus trabalhos.
A portaria do TRT autoriza que até 60% dos servidores paralisem as suas atividades. Em Manaus, há 1,2 mil servidores. “Estamos trabalhando para que todos os 700 servidores, correspondentes aos 60%, entrem na greve”, informou o presidente do Sitra – AM/RR, Luís Corrêa.
Os servidores da justiça trabalhista reivindicam aumento salarial, que depende da aprovação do Projeto de Lei 6613/09 na Câmara dos Deputados. Também estão em defesa da democracia, pela autonomia dos Poderes do Estado. “Este ano houve o corte do orçamento do Judiciário. Isso é inconstitucional, pois o Executivo está querendo se sobrepor ao Judiciário”, finalizou o presidente do Sitra – AM/RR.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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