Entender o processo inicial que dá origem ao comércio informal e a formação de redes interativas entre pessoas que se articulam por meio dessa atividade, especificamente camelôs, ambulantes e invasores. Esse foi o objetivo da dissertação do pesquisador Márcio André Araujo de Oliveira, mestre em sociologia, defendida recentemente no Programa de Mestrado em Sociologia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
A dissertação intitulada “Trabalho informal e redes sociais: os camelôs da Praça da Matriz em Manaus” surgiu a partir da curiosidade do pesquisador em conhecer o cotidiano desses trabalhadores, o porquê dessa opção de vida e o que levava essas pessoas a permanecerem nessa atividade, entre outras questões, e foi realizada com financiamento da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) em parceria com a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) por meio do PosGrad (Programa Institucional de Apoio à Pós-Graduação Stricto Sensu).
A pesquisa foi desenvolvida tendo como marco a reestruturação produtiva na transição do século 20 para o 21, quando surgiram novos processos de relação de trabalhos atípicos, crescimento de atividades informais e aumento de camelôs, ambulantes e “invasores” em Manaus. A escolha do local observado, a Praça da Matriz, se deu pela localização no entorno da igreja Nossa Senhora da Conceição e próximo a uma área de grande fluxo de pessoas, o terminal central da cidade.
Numa abordagem sociológica, a pesquisa apresenta distinção entre camelôs, ambulantes e invasores; formação de redes sociais pela interatividade entre trabalhadores, além da estreita relação entre formalidade e informalidade.
Camelô é foco de rede social criada pela atividade
Segundo o pesquisador Márcio André, camelô é o vendedor que possui autorização da prefeitura para ocupar determinado local e desenvolver atividade comercial. Por sua vez, ambulante é o vendedor que possui autorização, mas é itinerante, ou seja, vive em constante movimento. Já o invasor não possui nenhuma autorização, todavia se aproveita da ocasião, para comercializar produtos em qualquer local.
Nesse contexto, várias atividades ou funções são criadas entre os trabalhadores, como a pessoa encarregada de dar segurança ao local, guardar produtos, transportar carrinhos de mercadorias e atrair compradores. Por meio da interação social surge uma densa rede social, complexa e, de certa forma, organizada pelo poder público. Para o pesquisador, o camelô é o foco da rede social decorrente do trabalho informal.
“Há uma hierarquia e uma distinção muito forte promovida por eles mesmos e organizada pela prefeitura. Diante disso, observo que o camelô é o foco, porém ele interage, formando uma rede com o ambulante e o vendedor de rua”, frisou o pesquisador.
Outra constatação feita por Márcio é o mito de que o vendedor informal inicia como camelô e com o tempo transforma-se em empresário. “Poucas pessoas conseguem ascensão. A maior parte continua sendo vendedor informal durante muito tempo”, finalizou.







