Ao observar as ruas e avenidas de Manaus é fácil concluir que a capital do Amazonas não se preparou fisicamente para receber a quantidade de veículos que nela circulam. Sua infraestrutura viária não é adequada à frota existente, o que explica o trânsito caótico, que piora dia a dia – sem solução à vista.
Na edição do Jornal do Commercio da última sexta-feira (11/02), um artigo do doutor em engenharia de transportes, professor da Ufam e coordenador da Comissão de Logística do Cieam-Fieam, empresário Augusto Barreto Rocha, analisou com maestria a questão do trânsito nas principais cidades brasileiras, particularmente em Manaus.
Com o título “Engarrafamento não é Sinônimo de Desenvolvimento”, o referido texto fez uma abordagem lúcida desse importante tema. O trânsito congestionado que há em Manaus resulta da falta de planejamento consistente da maioria dos governos que dirigiram o Estado e o Município nos últimos 44 anos. Acima de tudo faltou visão de médio e longo prazo.
Nesse extenso período – mais de duas gerações – o erário, nos três níveis de governo foi irrigado com dezenas de bilhões de reais transferidos pelas empresas da ZFM sob a forma de tributos e contribuições compulsórias, de modo que não pode ser alegado que houve falta de recursos. Aliás, vale aqui lembrar, os críticos da ZFM sempre esquecem o papel das empresas no provimento de recursos financeiros para a União, Estado e Município.
Na realidade, os problemas sociais que a capital do Amazonas apresenta, especialmente no que diz respeito ao planejamento físico da cidade e à construção de uma infraestrutura viária compatível com a explosão urbana que experimentou, derivam da ineficiência administrativa desses governos. O déficit social hoje acumulado, responsável pela má qualidade de vida que os manauaras desfrutam, reflete a carência de competência desses governos.
O déficit social que Manaus apresenta, acumulado desde a criação da ZFM em 1967, é de tal dimensão que não poderá ser resolvido no curto prazo. Para solucioná-lo é imprescindível o trabalho determinado e competente de vários governos. Como é sabido pelos que vivem na cidade, são extremamente deficientes os seguintes setores da infraestrutura social: educação, saúde pública, saneamento básico, segurança, transporte coletivo, rede viária, aparelhamento urbano, coleta e deposição de lixo e outros serviços essenciais.
Nordeste dá exemplo
O futuro Instituto de Estudos Avançados do Cérebro Alberto Santos Dumont é a maior aposta do complexo científico que está sendo instalado no Rio Grande do Norte pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis, pesquisador da Duke University, nos EUA. “O objetivo é fazer no Nordeste as pesquisas de ponta que nós já fazemos nos Estados Unidos e na Europa e ainda ir além”, diz o neurocientista Miguel Nicolelis, idealizador do projeto. O local foi concebido para permitir análises em tempo real de grandes dados da atividade do cérebro. Algo que demanda investimentos altíssimos em equipamentos. Embora o instituto ainda esteja no papel, o seu supercomputador já está garantido. A Escola Politécnica Federal de Lausanne, Suíça, doou um computador com capacidade de processar 46 trilhões de operações por segundo. O equipamento, que custou US$ 20 milhões (cerca de R$ 34 milhões) e pesa oito toneladas, já está no Rio Grande do Norte, à espera do início das atividades. A região Nordeste, considerada a mais pobre do país, dá um grande exemplo para outras regiões brasileiras. Na Amazônia, com todo o seu potencial científico, falta alguém com a visão estratégica e a determinação de Miguel Nicolelis.
Ciência é essencial
O físico brasileiro Marcelo Gleiser, professor do Dartmouth College (EUA), autor de vários livros, entre eles “Criação Imperfeita”, lamentando a ignorância científica que grassa no Brasil, fez, em sua coluna semanal na Folha de S. Paulo, ardorosa defesa da ciência, da qual transcrevemos dois trechos: “Um país que não sabe o que é ciência está condenado a retornar ao obscurantismo medieval. Enquanto outros países estão trabalhando para educar seus jovens sobre a importância da ciência, aqui vemos uma corrente contrária, que parece não perceber que a ciência e as suas aplicações tecnológicas determinam, em grande parte, o sucesso de uma nação. Muitos dirão que são contra a ciência apenas quando ela vai de encontro à fé. Tomam antibióticos, mas rejeitam a teoria da evolução. Se soubessem que o uso de antibióticos, que aumenta as chances de que os germes criem imunidade por mutações genéticas, é uma ilustração concreta da teoria da evolução, talvez mudassem de ideia. Ou não. Nem o melhor professor pode ensinar quem não quer aprender. Os cientistas precisam se engajar mais e em maior número na causa da educação do público em geral. Mas devemos ter cuidado em como apresentar a ciência, sem fazê-la dona da verdade. Devemos celebrar os seus feitos, mas ser francos sobre suas limitações e desafios (a teoria da evolução não é um deles!). Não devemos usar a ciência como arma contra a religião, pois estaríamos transformando-a numa religião também… Bem melhor é explicar que a ciência cria conhecimento por meio de um processo de tentativa e erro, baseado na verificação constante por grupos distintos que realizam experimentos para comprovar ou não as várias hipóteses propostas. Teorias surgem quando as existentes não explicam novas descobertas. Existem drama e beleza nessa empreitada, na luta para compreender o mundo em que vivemos. Ignorar o que já sabemos é denegrir a história da civilização. O problema não é não saber. O problema é não querer saber. É aí que ignorância vira tragédia.” Ou pensar que sabe e não saber que não sabe.
Lâmpadas incandescentes
As lâmpadas incandescentes comuns serão retiradas do mercado progressivamente, até 2016. Portaria interministerial dos ministérios de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio regulamentando a retirada já foi publicada no Diário Oficial da União. O objetivo é que sejam substituídas por versões mais econômicas. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a medida é fruto de longo processo de negociação com setores da sociedade, por meio de consultas públicas via internet e de audiências públicas. Técnicos estimam que a medida, aliada a outra portaria que trata do Programa de Metas das Lâmpadas Fluorescentes Compactas, trará ao país economia, até 2030, de cerca de 10 terawatts-hora (TWh/ano), o que equivale a mais do que o dobro conseguido com o Selo Procel, utilizado atualmente. Conforme detalhado na portaria, fazem parte da regulamentação as lâmpadas incandescentes de uso geral, exceto as incandescentes com potência igual ou inferior a 40 watts; incandescentes específicas para estufas – de secagem e de pintura – equipamentos hospitalares e outros; incandescentes refletoras/defletoras ou espelhadas, entre outras. De 30 de junho de 2012 até 30 de junho de 2016 – a não ser que surja nova tecnologia que permita às lâmpadas incandescentes se tornarem mais eficientes – esse tipo de produto será banido do mercado, segundo técnicos do Ministério de Minas e Energia. No Brasil existem 147 modelos de lâmpadas incandescentes etiquetadas, de quatro fabricantes diferentes. Estima-se que a lâmpada incandescente seja responsável por aproximadamente 80% da iluminação residencial no país. O mercado brasileiro consome cerca de 300 milhões de lâmpadas incandescentes e 100 milhões de lâmpadas fluorescentes compactas, anualmente.






