O projeto MagLev Cobra, que compreende um sistema de trens flutuantes movidos a gás natural ou energia solar, é uma das soluções para baratear e agilizar o transporte coletivo das grandes cidades. O veículo dispensa rodas, trilhos, combustíveis fósseis e pode ser instalado e desinstalado em qualquer lugar que exija um grande fluxo de pessoas. Cada quilômetro do metrô comum (subterrâneo) consome R$ 300 milhões, contra R$ 1,5 milhão do trem flutuante, segundo o seu criador, o engenheiro civil Eduardo Gonçalves David.
David apresentou o MagLev Cobra durante as exposições da 61ª Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), quinta-feira, 16, em Manaus, como resultado de 11 anos de pesquisa que geraram o livro O Futuro das Estradas de Ferro no Brasil. O projeto recebeu R$ 11,4 milhões em investimentos da Faperj (Fundação de Amparo a Pesquisa do Rio de Janeiro), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
De acordo David, o sistema MagLev Cobra está em implantação no campus da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), como substituição das dez linhas de ônibus que atendem aos acadêmicos. Os ônibus custam R$ 50 mil por dia à UFRJ e quando o sistema de trens flutuantes estiver funcionando, a universidade terá a despesa com o serviço de transporte reduzida em 50% .
A prefeitura do Rio de Janeiro já estuda a possibilidade de instalar o MagLev Cobra na rota entre os aeroportos da cidade. Além de colocar 200 km experimentais unindo o centro da capital aos bairros mais distantes.
Projeto está na Seplan
“O trem flutuante é a solução mais barata, rápida e ecologicamente correta para solucionar os problemas do transporte coletivo das cidades que serão subsede da Copa de Futebol de 2014”, enfatizou David. Ele disse, ainda, que há cerca de um mês encaminhou cópias do projeto à Prefeitura de Manaus, através da Semosbh (Secretaria Municipal de Obras, Serviços Básicos e Habitação) e para o governo do Amazonas, por meio da Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico), sobre a instalação do sistema para preparar a cidade para receber o campeonato mundial de futebol, mas ainda não obteve retorno.
A assessoria de comunicação da Seplan informou que recebeu o documento e juntamente outros três projetos sobre transporte coletivo, o MagLev Cobra está sendo analisado e não há previsão para resposta. Porém, a Semosbh divulgou, pela assessoria de imprensa, que não houve qualquer pedido de verificação em nome do engenheiro, sobre projetos para trens flutuantes na capital amazonense.
“Nós apoiamos, na medida do nosso orçamento, todas as iniciativas inovadoras que possam gerar desenvolvimento para o Estado do Rio de Janeiro e acreditamos que esse projeto é a solução para grande parte das cidades brasileiras resolverem seus problemas com transporte urbano”, explicou o diretor-presidente da Faperj, Ruy Garcia Marques.
Universidade carioca
A UFRJ foi escolhida como o primeiro local para implantação do trem porque o pesquisador é professor do departamento de engenharia elétrica da universidade e verificou no projeto, a capacidade de melhorar a locomoção dos acadêmicos dentro do campus.
O trem flutuante possui a palavra cobra na denominação porque seu formato remete a uma serpente. Ele é formado por módulos removíveis, que permitem manobras com curvatura de 50 metros e acréscimo ou retirada de lugares para os passageiros, medida impossível para os trens ou sistemas de metrô existentes.
Levitação magnética
A flutuação ocorre pela tecnologia baseada em levitação magnética supercondutora. Os imãs (supercondutores) são resfriados com nitrogênio líquido e o trem começa a flutuar instantaneamente. Uma vez flutuando é necessária pouca energia para manter o veículo em movimento, pela ausência de atrito com a superfície. A força gerada pelos raios solares e o gás natural movimentam os módulos. A energia despendida no processo é apenas 13% do consumo médio dos ônibus.
Baseado em um sistema modular de construção civil, usando estruturas de concreto armado, o MagLev Cobra possibilita não somente uma rápida instalação, para atender demandas como Copa do Mundo, Olimpíada e eventos de grande porte, mas como a retirada da estrutura. “Quando não há mais a necessidade de usar o trem, ele pode ser facilmente retirado e instalado em outro bairro ou cidade”, disse David.







