Tribuna para defesa regional

Em: 5 de junho de 2014
Movimento social apartidário busca marcar território em favor de causas ambientais
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Movimento social apartidário busca marcar território em favor de causas ambientais

“Se no passado lutávamos pela democratização do país, hoje nos posicionamos contra a corrupção, os políticos ficha suja, o descaso e desmando operante contra a nossa Amazônia, a se manifestar pela cobiça do capital quanto à exploração dos recursos ambientais e seus serviços, na perspectiva da insustentabilidade, empobrecendo o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas no planeta”.
Esse é um dos trechos da Carta de Princípios do Projeto Jaraqui, um movimento social surgido no final da década de 1970, durou até 1982 e parou por 30 anos até surgir com a mesma força de antes no dia 28 de abril de 2012.
O professor universitário Ademir Ramos é o atual coordenador do Projeto, no qual está desde os seus primórdios. “Em 1978 era estudante de teologia no Cenesc (Centro de Estudos de Comportamento Humano), quando me envolvi com a criação do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) que, entre outras coisas discutia a política indigenista no Brasil. Começamos e editar o jornal ‘O Porantim’, existente até hoje e, da problemática indígena, passamos a discutir a defesa da Amazônia contra os grandes projetos que aqui queriam se instalar, entre estes, a hidrelétrica de Balbina. Dali fomos para a praça da Polícia, no bar do Pina, berço do Clube da Madrugada e ali, junto com alguns remanescentes do Clube, ampliamos nosso leque de reclamações passando a clamar por democracia”, lembrou Ademir.
Foi então que o professor Frederico Arruda teve ideia de criar o Projeto Jaraqui, porque o jaraqui é um peixe popular, junto com Mário Frota, Arthur Neto, Evandro Carrera, João Renor de Carvalho, Roberto Vieira, José Maria Pinto, Henrique Melo, Margarida Campos, entre outros. Cada um que tomava a vez para falar, abria a discussão e o debate sobre um assunto, sempre aos sábados pela manhã, na praça da Polícia. “O Moan (Movimento Alma Negra), do Nestor Nascimento, ganhou força através do Jaraqui”, recordou Ademir.

O encontro das águas
Em 1982, porém, apesar de ativo, o Projeto Jaraqui parou. “Desde o início a ideia era se criar um movimento suprapartidário, sem vínculos políticos, uma tribuna popular, mas já tinha muita gente envolvida que pertencia a partidos políticos e outros que pretendiam entrar na política através do Projeto. Os objetivos estavam sendo distorcidos e começou a haver divergências. Resolvemos parar”, disse.
Da mesma forma como parou, 30 anos depois o Jaraqui voltou. “Liguei para o Frederico Arruda e disse que queria ‘acordar’ o Projeto Jaraqui porque desde que parara, nunca mais se fizera nada nos mesmos moldes. O Frederico disse que o Projeto não era dele, era de quem quisesse levá-lo adiante. E assim o fiz, junto com a Margarida Campos, o Henrique Melo, o Amecy Souza e muitos outros, novos e antigos amigos de luta, na mesma praça da Polícia, todos os sábados, das dez ao meio dia”, falou. “Nosso propósito é promover as discussões para garantir os direitos coletivos de nossa população, seja do interior ou da capital, dos rios ou das florestas, das pessoas e da biodiversidade que nos cerca”, completou.
Ademir comemora o retorno do projeto. “Antes precisávamos convidar pessoas para debater, agora essas pessoas aparecem de todos os lados. Somos a borduna do povo sustentados num tripé: política, cultura e sociedade. Nosso objetivo continua sendo politizar e conscientizar a população, seja lutando pela causa indígena, ao lado dos professores, junto dos movimentos sociais da Igreja, além de sermos propositivos. Sugestões nossas se transformaram em projetos políticos, como a criminalização dos partidos políticos e a luta pela conclusão da BR-319. Nossa maior luta, agora, é pela intocabilidade do encontro das águas. Conseguimos o tombamento daquela área, mas falta a homologação. Existem pessoas poderosas, políticos aqui do Amazonas, mas que nem nasceram aqui, tentando transformar aquele cartão postal de Manaus num imenso porto, abarrotado de navios cargueiros”, lamentou.
“Para dar um basta a estas políticas de exploração e dominação se faz necessário mobilizar forças representativas dos diversos segmentos sociais para juntos enfrentarmos os desmandos políticos e governamentais que tem contrariado a vontade do povo do Amazonas e da nação brasileira”, concluiu Ademir.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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