Tributarista preso não consegue suspender ação

Em: 10 de novembro de 2007
Beline José Sales Ramos é acusado de liderar organização criminosa especializada em construir empresas fictícias para obter benefícios fiscais e promover fraudes.
Beline José Sales Ramos é acusado de liderar organização criminosa especializada em construir empresas fictícias para obter benefícios fiscais e promover fraudes.

Fracassou a tentativa do advogado Beline José Sales Ramos, preso na Operação Esfinge da Polícia Federal, de conseguir suspender ação pe­­nal que tramita contra ele nas instâncias inferiores. O seu pe­­­dido de liminar em habeas cor­­­pus foi negado pelo ministro­ Ar­­­­­nal­­­do Esteves Lima, do Supe­rior­­­­­­­­ Tribunal de Justiça.

Beline é acusado de liderar organização criminosa especializada em constituir empresas fictícias para obter benefícios fiscais e promover importações fraudulentas. Com a negativa do ministro, caberá, agora, à 5ª Turma do STJ a análise do mérito do caso.

A defesa do advogado recor­reu contra a decisão do Tribu­nal Regional Federal da 2ª Re­­­gião, que também negou o pe­­­dido de habeas corpus.

No Superior Tribunal de Jus­­­tiça, o advogado solicitou que sejam retiradas provas do pro­­cesso e o julgamento seja sus­­penso até o julgamento do mé­­rito. Alegou que a ações penais são nulas, porque foram fundadas em interceptações tele­­­fônicas declaradas ilícitas.

O relator, ministro Arnaldo Esteves Lima, ressaltou que não há ilegalidade na decisão recorrida. Assim, negou a liminar e solicitou informação ao TRF-2. Depois disso, o caso se­rá encaminhado ao MPF (Ministério Público Federal).

Beline responde a processo criminal juntamente com outros acusados, por formação de quadrilha, crimes contra a fé pública, contrabando e descaminho, corrupção ativa e falsidade ideológica em 67 documentos.

Ele é acusado de envolvimen­to na Operação Esfinge 1, 2 e 3, que investigou fraudes em im­­­portações em todo o país. O advogado também foi denun­ciado na Operação Cevada, es­­­cândalo de sonegação que levou à prisão diretores e funcionários do grupo Schincariol.

Segundo denúncia do MPF, as investigações da Operação Es finge revelaram haver provas e indícios da participação do advogado, mas ainda era neces­sário aprofundar as buscas para compreender a organização criminosa. Por isso, houve aproveitamento das interceptações telefônicas obtidas com autorização judicial na Operação Cevada nas investigações da Operação Esfinge.

Depois de cinco meses de prisão, em agosto de 2006, Beline conseguiu o benefício de prisão domiciliar, concedido pelo Supremo Tribunal Federal. Ele deveria ficar em uma Sala de Estado Maior. Como o Estado capixaba não tinha o espaço, a Justiça Federal determinou que ele ficasse em seu próprio apartamento.

Depois de ficar nove meses em prisão domiciliar, na Praia do Canto, em Vitória, o tributa­rista foi encaminhado ao quartel do Corpo de Bombeiros onde ficou por quase dois meses em uma sala improvisada e, só agora, conseguiu ficar em li­­­berdade novamente.

No dia 2 de junho, a Justiça Federal recebeu mais uma denúncia contra o advogado Beline Salles Ramos. Desta vez, ele é acusado de envolvimento em fraudes e falsificações em escrituras de terras na Bahia.

A denúncia foi acatada no dia 12 de junho. Na ocasião, a Justiça Federal também aceitou outras 23 denúncias contra 23 réus que atuaram como “laranjas” de Beline.

Redação

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