UFAM 105 ANOS

Em: 16 de janeiro de 2014
Sempre inovando
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Sempre inovando

Os 105 anos da Ufam comemorados nesta sexta feira (17), também representam a implantação do ensino superior no Amazonas e criação da primeira universidade brasileira. A data foi escolhida durante a realização da 18ª reunião do Conselho Diretor da Fundação Universidade do Amazonas, em 3 de julho de 1964, por representar o surgimento da Escola Universitária Livre de Manáos, idealizada pelo tenente coronel Joaquim Eulálio Gomes da Silva Chaves (homenageado com um auditório que leva seu nome), em 1909.
Dirigida em seu primeiro ano pelo doutor Pedro Botelho (1909-1910) e, posteriormente, pelo doutor Astrolábio Passos, (1910/1926) a Escola Universitária instalou seus cursos em 15 de março de 1910, em sessão solene presidida pelo governador do Estado Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt. Em 13 de julho de 1913, a Escola Universitária muda de nome, passando a chamar-se Universidade de Manaus.
A experiência bem sucedida da primeira universidade brasileira durou somente 17 anos, sendo ela desativada em 1926. A partir daí, passaram a funcionar como unidades isoladas de ensino superior, mantidas pelo Estado, as Faculdades de Direito, Odontologia e Agronomia. Com a extinção das duas últimas, poucos anos depois, restou apenas a Faculdade de Direito, que formou os primeiros bacharéis em 1914, e foi incorporada pela Universidade Federal do Amazonas. Esse elo histórico entre as duas instituições testemunha e revalida a atual Ufam como a mais antiga universidade brasileira.

ENTREVISTA COM MARCIA PERALES
Esperamos sempe inovar…

Artur Mamede
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Iniciando o sexto ano de seu segundo mandato como reitora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), a professora doutora Márcia Perales conversou com o Jornal do Commercio sobre os 105 anos da mais antiga universidade do Brasil. A reitora afirmou que a Ufam é uma academia com ideal de não recuar jamais, por isso busca enfrentar as dificuldades do Estado do Amazonas, levando educação superior aos mais longínquos municípios. “A extensão é um dos tripés de toda universidade, e em 2013 tivemos mais de 1.100 programas de extensão”, afirmou. Leia a entrevista completa:

Jornal Commercio – Nestes 105 anos de atividades, quais os desafios e conquistas da Ufam e o que vem sendo feito para manter a instituição como um dos marcos da educação amazonense e brasileira?
Márcia Perales – Em 17 de janeiro completamos 105 anos fazendo o que é crucial para o ensino superior no Amazonas, como a interiorização de nossas ações. Um exemplo é a futura implantação de uma unidade acadêmica em São Gabriel da Cachoeira, gerando oportunidades e suprindo a demanda reprimida de estudantes de origem indígena. Os desafios são enormes, de longas distâncias à necessidade de estrutura e contratação de professores titulados. Ainda em planos, está a abertura do curso de medicina na cidade de Coari.

JC – A Ufam dispõe de profissionais capacitados para estas novas unidades?
MP – A capacitação é um entrave para a universidade, sabemos das dificuldades na capital e estas se elevam à décima potência, quando pensamos no interior do Estado. Mas uma característica da Ufam é a de não recuar, mostrar competência para fazer.

JC – Como a instituição tem renovado e reforçado seus laços com a comunidade?
MP – A extensão é um dos tripés de toda universidade, e em 2013 tivemos mais de 1.100 programas de extensão, um deles é o Pace (Programa Atividade Curricular de Extensão) que trabalha a articulação, criando mecanismos de integração e estabelecendo diálogos entre as áreas.

JC – Que planos a Ufam tem para o futuro, visando a economia da região?
MP – Temos parcerias e bons diálogos com o setor privado, como na área de CT&I, mas sem perder as características da instituição, identificando objetivos em comum. Estas parcerias, até um tempo atrás, eram impossíveis devido a vários fatores, inclusive ideológicos. Podemos contar com estas parcerias, mas sem precisar abrir mão de princípios, em nenhum momento. Mas recebemos bem todas as críticas, não existem atos secretos na gestão e se estas parcerias estão sendo firmadas, é porque houve aceitação. Tudo passa por um conselho superior.

JC – Críticas e oposições ao modelo de gestão são frequentes?
MP – Como em toda e qualquer instituição. Tivemos oposição com relação à adoção dos critérios de ingresso na universidade pelo Sisu, sistema de cotas e outras polêmicas. Isto está sendo superado pelo melhor para a Ufam e sabemos que sempre se pode fazer melhor, se aprimorando constantemente.

JC – A Ufam tem especificidades e características típicas da região, os alunos e corpo discente estão aptos a essas especificidades?
MP – A Ufam é única e assumiu a responsabilidade de formar com excelência, ter uma visão voltada aos problemas da região e ainda conseguir inserir nossos alunos e professores em instituições de outras regiões, sem prejuízos ou deficits.

JC – A instituição sempre foi celeiro de grandes idéias e de cabeças pensantes, como a Ufam vê os futuros egressos?
MP – Esperamos sempre inovar e formar com excelência, os antigos estão se afastando, seja pela idade ou aposentadoria compulsória, o que é uma pena. Nos últimos dois anos, tivemos uma renovação de 2/3 do pessoal. Uma forma de ainda poder contar com estes profissionais é através dos programas de professores visitantes.

JC – A Edua (Editora da Universidade do Amazonas) é uma grande difusora de conhecimento e outras publicações voltadas à cultura e arte, unindo ainda mais a comunidade da universidade, há alguma dificuldade em se manter aberta a editora?
MP – Em 2013 publicamos 90 livros em várias áreas, com maior ênfase em dissertações e teses, pode parecer muito mais precisamos dobrar as publicações de tudo que é produzido aqui, uma produção muito grande e qualificada. A editora espera crescer para democratizar o acesso à Ufam e ao conhecimento.

JC – O Jornal do Commercio e a Ufam são contemporâneos, como a instituição pretende estreitar ainda mais os laços com a imprensa para a difusão de conhecimento?
MP – Temos uma parceria antiga e benéfica com o Jornal do Commercio. Penso que boas ou más ações devem ser divulgadas, mas sem alarmismo como costuma acontecer quando se fala em falhas na Ufam. Divulgamos nossas pesquisas através de nosso site e publicações próprias, mas o conhecimento deve sempre ser divulgado. Para isso contamos com a imprensa e agradecemos ao Jornal do Commercio.

Lei Federal cria a UA
Em 12 de junho de 1962 a Universidade do Amazonas é criada pela Lei Federal 4.069-A, assinada pelo presidente João Goulart, sucedendo a Escola Universitária Livre de Manáos. O Projeto de Lei teve autoria do então deputado federal Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho, sendo instalada apenas três anos depois, em 17 de janeiro de 1965. A UA consolidou-se e ampliou sua estrutura por meio da criação de novos cursos e absorção de outros já existentes. A partir de 1968, a estrutura da instituição passa a ser a seguinte: Faculdade de Direito do Amazonas, Faculdade de Estudos Sociais, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Faculdade de Engenharia, Faculdade de Medicina e Faculdade de Farmácia e Odontologia.

Ufam desde 2002
Em 20 de julho de 2002, a instituição recebeu a denominação de Ufam (Universidade Federal do Amazonas) por disposição da lei nº 10.468, promulgada nesta data. Criada como fundação de direito público e mantida pela União Federal, a instituição tem o objetivo de ministrar o ensino superior, desenvolver o estudo e a pesquisa em todos os ramos do saber e da divulgação científica, técnica e cultural.

Na história
A Ufam (em suas antigas denominações) atravessou vários períodos de nossa história, da Primeira República, Nova, Era Vargas e do golpe militar de 1964 e como toda instituição de ensino voltada ao bem da coletividade, tornou-se foco de resistência contra a opressão, até eleger o primeiro reitor no início da redemocratização em 1985. No centenário de sua criação, a comunidade acadêmica elegeu Márcia Perales como a primeira reitora da Ufam, que foi reconduzida a reitoria em 2013, ao conseguir 60,7% dos votos do colegiado, o que a manterá no cargo até o ano de 2016.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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