Ufam é palco de protestos contra agressão a professor universitário

Em: 18 de maio de 2009
Uma manifestação, que reuniu entidades sindicais, representantes de vários segmentos da sociedade acadêmica e professores, discutiu na manhã da última sexta-feira, no hall do ICHL -Ufam, a agressão física e verbal sofrida pelo professor Gilson Monteiro
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Uma manifestação, que reuniu entidades sindicais, representantes de vários segmentos da sociedade acadêmica e professores, discutiu na manhã da última sexta-feira, no hall do ICHL -Ufam, a agressão física e verbal sofrida pelo professor Gilson Monteiro

Uma manifestação, que reuniu entidades sindicais, representantes de vários segmentos da sociedade acadêmica e professores, discutiu na manhã da última sexta-feira, no hall do ICHL -Ufam (Instituto de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Amazonas), a agressão física e verbal sofrida pelo professor Gilson Monteiro, do Departamento de Comunicação Social.
Segundo um dos organizadores do evento e presidente da Adua (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas), Tomzé Costa, o protesto serviu como repúdio à violência sofrida pelo professor Gilson Monteiro em pleno exercício da profissão na tarde do dia 11 de maio.
Durante o evento, o representante dos professores fez questão de frisar que o roteiro das discussões na plenária seguiria para temas como ética profissional, atrelamento político da imprensa, além das relações de ideologia e poder. “Para além da questão física e moral a qual o professor foi vítima, entendemos que foi desferido um golpe contra o exercício livre da docência e o respeito da universidade junto à população”, asseverou.
O fato comentado pelo professor Tomzé se refere à agressão física sofrida pelo professor doutor Gilson Monteiro, do departamento de Jornalismo e coordenador dos cursos de mestrado e doutorado, quando este ministrava classe sobre a ética profissional das empresas jornalísticas.
Em sua enunciação, o professor ilustrou um fato ocorrido no Amazonas que ficou notório à época: o caso do vice-governador Omar Aziz, investigado pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), que levantou provas contra suspeitos de crimes de pedofilia, abuso sexual e prostituição de crianças e adolescentes.
Segundo o professor Gilson Monteiro, a imprensa manauense não abordou o fato com profundidade, conforme exigências éticas da profissão.
Em decorrência da ilustração, uma aluna, sobrinha do vice-governador, sentindo-se humilhada, levantou-se e saiu da sala. Passado vários minutos, dois homens entraram no recinto. Um deles perguntou quem era Gilson, que, após se identificar, acabou sendo agredido, segundo o professor por “socos e pontapés”.

Ato mostra aversão da sociedade amazonense

“Tratava-se do irmão do vice-governador, que depois de ser informado do ocorrido em sala de aula pela sobrinha, veio em ‘defesa’ da honra familiar, invadindo uma instituição pública federal e agindo de forma covarde”, lembrou Gilson.
Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas, César Wanderley, o ato serviu ainda para por em xeque a série de opiniões de vários políticos e autoridades locais divulgados em vários jornais, que revela o quanto eles desconhecem sobre o papel do docente em sala de aula. “Atuando dessa forma, eles deixam claro que a universidade não tem a importância que a ela se atribui.
Com esse ato queremos, entretanto, além de mostrar a indignação a todas as formas de violência, instigar os estudantes recém-ingressos à visão crítica da imprensa”, disse.

Discussão aberta

Segundo o advogado e estudante de jornalismo Roberto Tavares, a manifestação serviu de alerta tanto para a comunidade universitária como para os detentores do poder, de que foi lançado um viés de discussão sobre toda forma de ato agressivo ou ilegal que cerceie o exercício pleno da democracia na educação.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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