Ufam recebe produção familiar de base solidária

Em: 3 de janeiro de 2017
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Que tal começar o ano adquirindo produtos regionais tipo hortifruti, plantas ornamentais e medicinais e artesanato? Então se prepare, porque nos próximos dias 6 e 7 (sexta-feira e sábado), das 6h às 18h, acontece a 33ª edição da AgroUfam (Feira da Produção Familiar), nas dependências da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), no hall da Faculdade de Ciências Agrárias, com a presença de 120 produtores do interior vendendo seus produtos.

“A Feira é mensal e fazia parte de uma das metas do ProRural, programa do governo do Estado que visava atender aos municípios amazonenses fomentando a produção familiar. A Feira era realizada em parceria com a Ufam. Em junho passado o ProRural foi extinto, porém a Ufam continuou a mantê-la agora transformada em programa da instituição”, explicou Manoel Neto, da assessoria de Comunicação da Universidade.

Os 120 produtores vêm de Manacapuru, Caapiranga, Anamã, Anori, Autazes, Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Urucurituba, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, comunidade do Brasileirinho, comunidade Uberê (Água Branca) e ramal da Cachoeira (Tarumã). “Como o nome já diz, a Feira da Produção Familiar é um espaço de comercialização e valorização de produtos regionais provenientes da agricultura familiar amazonense, com um porém, privilegia produtores que praticam a produção familiar, com base solidária, sustentável e de inclusão social”, explicou.

A AgroUfam é uma realização do Nusec (Núcleo de Socioeconomia) da Ufam coordenado pela professora doutora Therezinha de Jesus Pinto Fraxe e pela professora Josane Lima Santiago. Há 14 anos o Nusec trabalha juntamente com organizações de famílias nas comunidades rurais para desenvolver tecnologias inovadoras que possam agregar valor à produção.

De 15 em 15 dias

Maria Soares e o marido Mario Jorge participam da AgroUfam desde a primeira edição da Feira, há três anos. Eles são do Careiro da Várzea (19,85 km distante de Manaus em linha reta) onde possuem um terreno de 52 x 600 m. “Eu trabalhava em uma escola e lá criamos uma pequena horta de onde retirávamos hortaliças para a merenda dos alunos. Quando me aposentei, em 2012, eu e meu marido fizemos a mesma coisa no nosso terreno, onde já moramos há 40 anos. Criamos uma horta”, contou.
Atualmente do terreno do casal Soares saem quiabos, chicórias, couve, espinafre, tomate cereja, bertália (um tipo de couve de ramo), jambu, pimenta murupi, entre várias outras hortaliças para abastecer o mercado manauara. “Nossa produção é toda sem agrotóxicos. Dá mais trabalho, mas é livre de venenos”, explicou. Maria gostaria que a AgroUfam fosse quinzenal, pois as suas hortaliças produzem bem e rapidamente. “Só eu e meu marido trabalhamos na plantação e colheita. Trazemos as hortaliças para Manaus e as vendemos na Feira. Por sinal vendemos bem”, acrescentou.

Apesar de ser realizada na área da Ufam, a AgroUfam é aberta a todas as pessoas, disse o assessor. “Nós a realizamos nesses primeiros dias do mês porque é exatamente quando sai o salário. Em cada edição da Feira temos recebido uma média de três mil a sete mil pessoas, mas queremos mais visitantes”, informou. “E temos um objetivo: transformar todos os 120 produtores em agricultores ecológicos para que possamos abastecer a população de Manaus com uma alimentação mais saudável”, acrescentou Neto.

O quê? 33ª edição da AgroUfam (Feira da Produção Familiar)
Onde? Hall da Faculdade de Ciências Agrárias – Setor Sul do campus
Quando? Dias 05 e 06 de janeiro, de 6h às 18h
Informações: (92) 99219-6825

Produzindo muita comida

De acordo com o Greenpeace, o modelo global de produção, distribuição e consumo de alimentos precisa ser revisto urgência. No mundo, quase 800 milhões de pessoas passam fome, enquanto a obesidade e o sobrepeso atingem 1,9 bilhão de pessoas. Nunca produzimos tanta comida, ao passo que o futuro dessa produção nunca foi tão incerto – o uso intensivo de agrotóxicos e de recursos naturais (solo e água, por exemplo), a expansão da fronteira sobre matas nativas e a enorme contribuição da agropecuária para as mudanças do clima colocam em xeque esse modelo insustentável e desigual.

No Brasil, a produção convencional cresceu exponencialmente ao longo das últimas décadas, via de regra esgotando recursos naturais que garantem a própria sustentação das lavouras. A agropecuária brasileira é a campeã mundial em uso de agrotóxicos, representa mais de um terço das emissões nacionais de gases de efeito estufa e é a principal responsável pelo desmatamento da Amazônia e do Cerrado.

Por outro lado, houve grandes avanços na solução agroecológica. A despeito deste modelo historicamente receber uma parcela ínfima dos investimentos públicos e privados, estabeleceu-se uma rede ampla de produtores ecológicos que se integram às paisagens, conservam o solo e os mananciais, se adaptam à seca e produzem muita comida.

Além disso, a sociedade civil organizada ampliou a pauta agroecológica no Brasil, seja nas políticas para a produção, na oferta de alimentos saudáveis para consumo ou nas compras públicas de alimentos orgânicos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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