O contrabaixo acústico chama a atenção pelo tamanho. Numa orquestra é o maior dos instrumentos de corda e o de registro mais grave, e doze deles podem ser usados numa grande apresentação, ou apenas um, quando se trata de música de câmera, jazz ou popular. Foi Bethoven (1770 a 1827) quem começou a dar destaque ao contrabaixo acústico em suas composições e, na década de 1950, Leo Fender inventou o contrabaixo elétrico, a partir daí bastante utilizado entre os roqueiros.
Apesar de ser um instrumento que, num primeiro momento parece atrair poucos interessados em aprender a tocá-lo (pelo seu tamanho e pelo som não tão gostoso como os de outros parentes seus, de corda), o contrabaixo consegue conquistar quem o conhece pelas suas nuances musicais. Foi assim com o músico e professor Roger Vargas, um apaixonado pelo contrabaixo, primeiro o elétrico, depois o acústico.
“Comecei a me interessar pela música aos 14 anos, ao participar do Festival de Verão que acontecia no Parque Dez. Não sabia tocar nada, mas achava o máximo as bandas que se apresentavam lá”, recordou. O sonho de Roger passou a querer ser roqueiro, muito embora o pai dissesse que ele não reunia motivos para se tornar um, pois tinha casa, comida e roupa lavada e um roqueiro precisava ser rebelde. Mesmo assim Roger, com as bençãos do pai, criou a banda Veneno da Madrugada e, de 1994 a 1998, tocou de tudo, rock, blues, MPB, jazz, com seu contrabaixo elétrico, pelos bares e botecos da cidade.
Em 1997, Roger foi se aperfeiçoar no contrabaixo elétrico no Centro de Artes Hahnemann Bacelar, mas como a aula no contrabaixo acústico saía mais em conta, ele mudou de instrumento. Ainda em 1997, durante o 1º Festival de Ópera, o incipiente músico foi à apresentação da orquestra filarmônica da Rússia e se apaixonou pelo que viu. Só então soube que o pai, um colombiano, havia sido cantor na Colômbia, além de tocar violão e violino. O pai se apresentara no Festival de Ópera. Por isso seu interesse em que o filho fosse músico. O roqueiro deu lugar ao erudito.
Quase encerrou a carreira
Também em 1997 foi criada a Orquestra Filarmônica do Amazonas, enquanto no ano seguinte Roger começara a estudar no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro. “Em 1999 passei a integrar a orquestra jovem, mas não pensem que foi fácil. Tinha muita dificuldade em aprender o contrabaixo acústico. Foram necessárias horas de estudos para conseguir tocar as peças mais difíceis. No começo ensaiava de uma a duas horas, depois passei a estudar oito horas por dia”, contou. Tanto esforço valeu. Em 2001 Roger entrou para a filarmônica do Amazonas como estagiário e está lá até hoje, desde 2004 como efetivo.
O contrabaixo utilizado por Roger é o mesmo que ele ganhou de seu primeiro professor, em 1997. “Ele ia embora de Manaus e me deu o instrumento, todo desmontado. Meu pai o montou pra mim e desde então é meu fiel companheiro em todas as minhas apresentações”, falou.
Exemplo de dedicação à música, tocando na filarmônica e na OCA (Orquestra de Câmera do Amazonas), além de dar aulas de contrabaixo no Cláudio Santoro, Roger alerta seus alunos a não chegarem ao extremo como ele fez. “Tocava de manhã, ensaiando nas orquestras; de tarde, num grupo de pesquisas na UEA; e à noite, em shows. Acabei adquirindo uma LER (Lesão por Esforço Repetitivo), em 2012 e tive que quase encerrar minha carreira como músico. Só não parei com as orquestras”, disse. Fazendo um rígido tratamento, à base de remédios, fisioterapia e panos quentes, Roger sente que a LER, muito lentamente como chegou, está indo embora. Mas prefere não arriscar a fazer o que fazia antes. “Ainda pretendo tocar por muito tempo”, adiantou.







