Um Brasil ainda sem rumo

Em: 2 de maio de 2017
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Treze, para muitos, é número de sorte. Para os brasileiros, os 13 anos do lulopetismo no poder tem sido de pouca sorte. É o que constata em seu mais novo livro “Náufragos da Esperança – corrupção e incompetência na república lulopetista”, o jornalista, advogado e escritor Paulo Figueiredo. O livro será lançado no próximo dia 18, na Galeria Cristal do Manauara Shopping. O autor explica a obra e seu título. “Por três vezes votei no Lula. Na Dilma nunca votei. Com ela, eu já era um náufrago da esperança. Já havia perdido toda a credibilidade no lulopetismo”, falou o Figueiredo. “Resolvi escrever o livro depois de analisar e me sensibilizar com a crise política e institucional que se instalou no país.

Vocês lembram da frase do Lula logo após ser eleito presidente em 2002? Ele disse: ‘a esperança venceu o medo e hoje eu posso dizer para vocês que o Brasil mudou sem medo de ser feliz’.

Lembram, também, da atriz Regina Duarte dizendo que estava com medo da ascensão de Lula ao poder, e como foi crucificada por isso, no entanto a história demonstrou, de forma cabal, que a declaração dela foi premonitória”, concluiu.

Viagem por 13 anos
“Náufragos da Esperança” é composto por 110 artigos de Paulo Figueiredo publicados em jornais de Manaus nos últimos quatro anos, de 2012 a 2016, nos quais o autor viaja pelos 13 anos divididos entre Lula e Dilma no poder.

Um verdadeiro registro histórico que, com certeza, será fonte de pesquisa no futuro. Começa com ‘A Empresa Política’, onde ele descreve a ‘política de balcão’, do ‘toma lá, da cá’, do ‘é dando que se recebe’ e outros aforismos mais. “Há anos constato a transformação da ação política no Brasil em verdadeiro balcão de negócios. Não se faz nada, não se move uma palha, sem um toma lá, da cá”. A obra fecha com ‘No final, o Impeachment’. “Decretaram o impeachment de Dilma Rousseff, mas a deixaram livre para disputar qualquer novo mandato eletivo.

Não tiveram o menor pudor em advogar uma visão absurda e insustentável sobre o teor da norma constitucional punitiva”, escreveu.

Convidados
O livro tem apresentação do jurista, advogado, professor e escritor Ives Gandra, um dos autores do parecer que propôs o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Gandra, que é amigo pessoal de Figueiredo, escreveu: “Minhas episódicas críticas aos governos lulopetistas pelos jornais exteriorizam apenas minha decepção com seu fantástico fracasso e, principalmente, com o desventrar da corrupção oficial durante todos os anos de seu domínio”, disse. Prefaciando a obra, o advogado Bernardo Cabral, colega de juventude de Paulo Figueiredo, lembra dos tempos em que ambos se impuseram contra o golpe militar de 1964. Cabral escreveu no prefácio de “Náufragos da Esperança” que, como jornalista e advogado, Figueiredo faz uma “defesa intransigente da ordem democrática, e descreve o quadro atual por que passa o país, salientando as instituições que se afundam no descrédito, no desânimo, na desesperança, a motivar o grito, o protesto e a reprovação da sociedade”.

Vida e obra
Paulo Figueiredo é autor de dois outros livros.
O romance “O cesteiro inglês” e “Golpe militar no Amazonas”, este, de crônicas, recordista de vendas na Livraria Saraiva, com quase 300 exemplares vendidos somente na noite de lançamento em 2014.

As crônicas contidas no livro foram todas vivenciadas por Figueiredo, então um jovem ativista comunista, que foi para as ruas de Manaus panfletar contra o golpe dos militares, até ser detido.

Hoje se considera apenas socialista, com o desejo de que todos tivessem os mesmos direitos e possibilidades.

“Vivi os anos dourados, na década de 1950, com uma relativa paz na política.
Depois vieram os anos de chumbo, nas décadas de 1960, 70 e 80. Agora estamos vivendo os anos dramáticos, desde o início do segundo governo Dilma, em 2015 até agora, esperando, como todos os brasileiros, que acabem logo.

Por isso, todos somos náufragos da esperança”.

Trech”No Brasil, pós-ditadura militar e com a redemocratização, o eleitor tem comprado gato por lebre todas as vezes que é chamado a votar. Vota no candidato que vê e elege o que não vê”.

“É bom ter amigos, mas os inimigos são fundamentais. São eles, os inimigos, que nos vigiam e nos instigam, tornando-nos bem mais capazes e melhores”.

“A presidente Dilma Rousseff, no início do governo, mostrou-se disposta a conter a farra fisiológica e as agressões ao erário federal, mas logo cederia às pressões do mais despudorado ‘franciscanismo’ congressual.

Caiu no colo da partidalha e entregou-se completamente aos negocistas do mandato parlamentar”.

“Marina Silva deixou o PT, seu partido de origem e do coração, não pelos erros, mas pelos acertos da legenda. É fundamentalista, sempre teve uma visão estreita e jamais escondeu seu desejo de engessar o Brasil”.

“Numa noite de domingo, quando todos já se recolhiam para enfrentar a dura semana seguinte, durante quinze longos e insuportáveis minutos, Dilma Rousseff disse que não há crise nenhuma e que o Brasil vive apenas um momento diferente”.

“Hoje o povo começa a tomar consciência de que o metalúrgico se encontra na origem de todos os males do governo de Dilma Rousseff, como obra de sua exclusiva criação”.os do livro

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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