Um domingo com os clássicos

Em: 7 de dezembro de 2018
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Se você admira a boa música, composta por grandes compositores e interpretada por excelentes músicos, coloque na sua agenda o recital ‘Clássicos’, que acontecerá dia 9, domingo, às 11h, no Centro Cultural Palácio da Justiça, com entrada gratuita.

O recital será composto por obras de mestres como Tom Jobim, Astor Piazzolla, Ernesto Nazareth e Bach, interpretadas pelo pianista Everson Alcantarino e o contrabaixista Roger Vargas. Ainda haverá a participação especial do violoncelista Roger Mattos, de apenas 17 anos, filho de Roger, tocando pela primeira vez numa apresentação com o pai, que é instrumentista da Amazonas Filarmônica, Orquestra de Câmara do Amazonas e instrutor de contrabaixo no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro.
O repertório de ‘Clássicos’ é basicamente de obras adaptadas para o contrabaixo com destaque para uma seleção de canções do compositor amazonense Pedro Amorim, onde são retratadas quatro lendas amazônicas.

Um dos objetivos do recital é mostrar para uma plateia de todas as idades o som do contrabaixo, instrumento pouco conhecido pelo público, porém, que sempre chama atenção pelo tamanho e por parecer um violino gigante. Numa orquestra é o maior dos instrumentos de cordas e o do registro mais grave. Raramente é usado como solista.

“O contrabaixo sempre é notado, a princípio pelo tamanho, causando muitos elogios pela sua forma. Ao interpretar alguma peça musical, logo é confundido com o violoncelo, porém as notas mais graves da família das cordas somente o contrabaixo é capaz de produzir”, explicou Roger.
“Felizmente, devido a oferta de cursos oferecidos pelo Estado de forma gratuita, o interesse dos jovens em aprender a tocar o contrabaixo tem sido cada vez maior. Atualmente podemos contar com cursos no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro e na Universidade do Estado do Amazonas”, informou.

Apaixonado pelo instrumento
Um dos empecilhos para alguém querer tocar contrabaixo é o seu tamanho. “Com certeza. O problema é você ter que andar com o instrumento pra um lado e pro outro, pois pode danificar alguma de suas partes, mas se não tiver esse tamanho então não seria um contrabaixo. Já me perguntaram: por que escolhi o contrabaixo? E eu respondi: alguém tem que tocá-lo. Agora o som sempre agrada. O contrabaixo pode soar muito grave, mas tem uma extensão grande chegando a notas bem agudas”, revelou.

“Se é difícil tocá-lo, ou aprender a tocá-lo, acredito que, como qualquer outro instrumento, você tem que ter muita dedicação e disciplina para poder aprender e tocar o contrabaixo”, ensinou.
Apaixonado pelo instrumento, Roger, inclusive, já lançou CD’s, com a intenção de popularizá-lo. “Lancei, pelo selo amazonense Expresso 24, os álbuns ‘Pulcinella’ e ‘Ópera’s Bass’. Assim que possível estaremos entrando em estúdio para registrar o próximo álbum, ‘Adágios’. Também tenho um projeto de ‘Clássicos para Crianças’ e um livro de partitura com áudio de canções transcritas para o contrabaixo, do compositor Pedro Amorim”, adiantou.

Acompanhará Roger no recital de domingo, o pianista amazonense Everson Alcantarino. Everson iniciou seus estudos de piano no Conservatório Musical Adventista de Manaus. É licenciado em Música pela UFAM e instrutor de piano no Liceu de Artes e ofício Cláudio Santoro. Atualmente está concluindo o bacharelado em piano pela UEA. No projeto musical Harmonia 5, desenvolve composições arranjos e produções musicais. No recital, Everson vai interpretar a música Remando, do compositor Ernesto Nazareth. Roger apresentará composições de Tom Jobim, Astor Piazzolla e Enio Morricone transcritas para o contrabaixo.

Tocando como gente grande
Pela primeira vez junto com o pai num palco, Roger Mattos fará uma apresentação especial no recital. “Meu filho vai interpretar a obra mais popular do repertório, o prelúdio da 1ª suíte do compositor alemão Johhann Sebastian Bach. Com certeza todos conhecemos está música, ainda que quase ninguém saiba o nome dela, mas todos vão dizer que já a escutaram”, riu.

Mattos toca o violoncelo, instrumento maior que o violino, mas bem menor que o contrabaixo. É um dos músicos da Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica. “Quem me deu o estopim para tocar violoncelo foi o professor do meu pai. Com o tempo fui me apaixonando pelo instrumento. Meu pai não me influenciou diretamente a tocar nenhum instrumento, apenas tive maior acesso por causa dele”, disse.

“Sim, o violoncelo é um instrumento difícil de aprender, porém, todos os instrumentos têm suas peculiaridades. Nada se conquista se não tentar, praticar, ou exercitar. Tocar na Orquestra Experimental tem sido gratificante demais. As músicas me passam vibrações intensas, e a cada nota em conjunto, é um sentimento. Fiz novos colegas e um amigo, e lá estou aprendendo, observando e absorvendo”, contou.

E para quem quiser aprender a tocar contrabaixo, Roger mostra os caminhos. “Primeiro a escola: o Liceu Cláudio Santoro ou a UEA. Segundo: facilita muito ter o instrumento para poder praticar em casa. Força de vontade e muita disciplina vão ajudar bastante no aprendizado”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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